A trajectória da vida de um combatente

Josina de Carvalho

Tão logo ficar recuperado da má nutrição e das dores nas articulações, Alberto Benedito, 59 anos, que está internado no Hospital Josina Machel desde sábado, pretende localizar os seus familiares, particularmente a esposa e os dois filhos que os deixou no município do Songo, na província do Zaire.
Alberto Benedito saiu do Huambo em 1991. Da esposa e dos filhos apenas recorda-se dos nomes. A esposa chama-se Tussamba Maria e os filhos Eduardo Vacanda Narciso e João Mateus Alberto.
Eles são naturais da província do Zaire. Por isso, Alberto Benedito acha que podem ser encontrados lá, caso não estejam em Mbanza Congo. Os seus pais, Benedito Chivando e Cristina Ngula, do município do Ekunha, província do Huambo, são falecidos, segundo soube através do “irmão Zé”.
Estas são as informações que Alberto Benedito possui dos seus familiares. Aliás, o tempo de convívio com eles foi curto. Saiu da província do Huambo aos 13 anos, para o Uíje, onde prestava serviço “a um senhor branco, ainda na época colonial”. Depois deste ter sido morto, foi levado pelas tropas da UPA (União das Populações da Angola) para as matas, tendo-se tornado num combatente.
Em 1991, quando recorreu à delegação da FNLA, em Luanda, a fim de receber ajuda para regressar à sua terra natal, já tinha problemas nas articulações. Daí, também, a sua insistência, junto da delegação da FNLA, para o apoiar igualmente na assistência médica.
Alberto Benedito contou ao Jornal de Angola que dormiu, inclusive, durante duas semanas no local até que Ngola Kabangu o enviou para o centro de saúde Kimbanguista. Após um mês de assistência, o tratamento, que consistia em massagens feitas com bálsamo, foi interrompido, porque “o partido tinha dívidas com a instituição”.
Sem recursos, permaneceu nesse centro durante sete anos, onde vendia para satisfazer, particularmente, as necessidades com a alimentação. Durante este tempo, referiu, recebeu algumas vezes a visita de Ngola Kabangu, que “deixava 100 ou 200 kwanzas”, como ajuda.
Quando foi solicitada a sua retirada do local, dirigiu-se a casa de Ngola Kabangu em busca de apoio. Este permitiu que ficasse lá, até arranjar condições para voltar para o Huambo. O tempo passou e o seu regresso foi sendo adiado, assim como baixou o nível de assistência por parte de Ngola Kabangu e de seus familiares, razão do agravamento do estado de saúde.
Em face da situação, de acordo com Alberto Benedito, o segundo vice-presidente da FNLA autorizou a visita dos fiéis da Igreja Metodista, que se predispuseram a prestar ajuda espiritual e, mais tarde, também material.
Além disso, pediram autorização para que o levassem a um hospital. Alberto Benedito, que desconhece em que circunstâncias os mesmos tomaram conhecimento da sua estadia na cave daquela residência, disse ter sido surpresa a presença, sábado, da Televisão Pública de Angola (TPA) no local.
Desdse sábado, após ter sido resgatado da residência de Ngola Kabangu, Alberto Benedito encontra-se no hospital Josina Machel, onde recebe cuidados médicos.

Artigo do Jornal de Angola Online de 21/02/07