O Bureau Político da FNLA, reuniu em sessão extraordinária, hoje dia 14 de
Dezembro de 2005, sob a Presidência do seu Líder Histórico, Álvaro Holden
Roberto, para analisar a fase preparatória dos trabalhos relativos a
realização do Congresso e a situação política do País. Assim, os Membros
do Bureau Político fizeram considerações gerais em torno dos seguintes
temas:
1.
As declarações irresponsáveis, caluniosas e insidiosas contra as
instituições da FNLA, nomeadamente a Presidência, produzidas na Rádio Lac
e Rádio France Internacional;
2.
Ser inadmissível que um Vice-presidente do Partido se permita a tanto
desrespeito e a banalização de um órgão, tão importante, tal como o
militante que hoje exerce com dignidade e respeito o cargo;
3.
A absurda e abjecta comparação a Salazar e Hitler que Lucas Ngonda faz ao
Líder Histórico, Álvaro Holden Roberto, que nunca dirigiu o País, tão
pouco pode ser acusado dos mais horrorosos crimes políticos, económicos,
sociais, militares, de divisão dos partidos e de corrupção inqualificável,
cometidos ao longo dos 30 anos de Independência;
4.
A necessidade de relembrar à opinião pública nacional e internacional ter
sido ele, Lucas Ngonda, a jurar fidelidade e defender o regime de Salazar
e Caetano, sob a bandeira portuguesa ao integrar, as estruturas mais
repressivas que combateram as gloriosas forças do ELNA e demais forças
nacionalistas angolanas;
5.
Do que precede, o Bureau Político propôs a suspenção de toda a actividade
de dirigente, nomeadamente a de 1º Vice-presidente da FNLA, o irmão Lucas
Mbenghi Ngonda.
6.
O Bureau Político propôs ao Presidente do Partido, Irmão Álvaro Holden
Roberto, a participação ao Congresso e eleição para os órgãos intermédios
e superiores da FNLA, de todos os militantes e dirigentes.
7.
Quanto ao Cogresso extraordinário, o Bureau Político do Partido mantém a
sua firme determinação de realizá-lo tão logo as condições estejam
reunidas.
8.
Condena o tratamento parcial de certos órgãos de Comunicação Social,
sempre que se trate de abordar o fraccionismo no seio da FNLA, não tendo a
ombridade de contactar a outra parte ou fonte, como manda a deontologia
profissional do Jornalista.
9.
Esta forma de fazer jornalismo, ultrapassa o sensacionalismo barroco,
denotando uma certa perseguição cega, contra a direcção legítima da FNLA e
do seu Líder Histórico, como se fosse um crime ser-se politicamente
coerente. Só assim se entende que se tenha acreditado numa pessoa que não
esteve presente à reunião ocorrida no Município de Cacuaco, o Senhor João
Castro, qual não é sequer membro do Comité Central da FNLA, ao ter sido
excluído, por Lucas Ngonda, que o acusou de ser membro da Segurança de
Estado.
10.
Infelizmente, a sua mentira foi respaldada, sendo publicada como notícia
enganosa e veiculada, por certos órgãos de comunicação social, no dia
21.11, mais concretamente, às emissoras de rádio LAC, Luanda Antena
Comercial e Voz de América e posteriormente o Semanário Angolense, sobre
um alegado acto de violência envolvendo um antigo combatente, Paulo
Kunsevi, que não é presidente da Associação dos Veteranos da FNLA, como
foi erradamente noticiado e o 2º Vice-Presidente do Partido Ngola Kabangu,
sem que se tenham dado ao trabalho de contactar a outra parte.
11.
Tivessem procedido correctamente, constatariam não ter havido luta alguma,
tão pouco fuga desenfreada da direcção do Partido. Houve sim uma
declaração falsa e insinuante do irmão Kunsevi, em que este, acusava um
familiar próximo do irmão Ngola Kabangu, de ser membro do Comité Central
do MPLA. Em função da falsidade, o 2º Vice-Presidente saiu da mesa para
convidar o acusador a subir a tribuna e provar a sua tese. Foi somente
isso que aconteceu e não os relatos sensacionalistas e tendenciosos
noticiados.
12.
O Bureau Político da FNLA em função do estado actual do País, 30 anos
depois de proclamada a Independência, vem manifestar o seguinte;
a) Repudiar, publicamente, a forma deturpante, falaciosa e tendenciosa como
tem sido conduzido o processo de Reconciliação Nacional, pelo governo do
MPLA;
b)
A reconciliação como bem sagrado que alimenta a alma de um povo, não pode
ser utilizada como show off do partido no poder, para consumo externo e na
prática espezinhar a oposição e todos os outros actores políticos;
c)
O Bureau Político da FNLA congratula-se com o acto de se condecorar
aqueles que tenham prestado altos serviços a Angola, mas não a indicação
discricionária e selectiva do MPLA, que privilegia os seus, como se estes
fossem os únicos heróis e merecedores de tais distinções, subalternizando
os partidos políticos e as organizações da sociedade civil, que nem sequer
foram consultadas a sugerir nomes;
d)
O Bureau Político apesar de ter apoiado e estimulando a ida do Líder
Histórico da FNLA, para a recepção da medalha, interroga-se se essa foi a
melhor opção, pois a condecoração que foi concedida a Holden Roberto,
único líder sobrevivente dos combatentes pela Libertação e dos Acordos do
Alvor o primeiro a iniciar a luta armada e o primeiro a abandonar
voluntariamente, a guerra civil, desmobilizando as suas tropas;
13. - O Bureau Político manifesta a sua mais profunda preocupação em
função de uma política confusa de dois pesos e duas medidas de, por um
lado, o Presidente da República e do MPLA convidar o Líder da FNLA a estar
presente em alguns actos públicos, para dar visibilidade a uma pretensa
política de Reconciliação Nacional e, por outro, o MPLA com uma agenda
secreta, tenta sufocar e humilhar a FNLA.
14. - Em função desta agenda, demonstrativa de continuar de pé o
Partido-Estado, cujas instituições, nomeadamente as financeiras, os seus
gestores, são e têm de ser religiosamente, membros dirigentes do MPLA,
aplicando uma política de “selectividade da espécie”, decidindo em função
dos seus interesses, arrogando-se no direito de cancelar, atrasar e até
mudar as contas bancárias e transferências dos partidos da oposição, o
Bureau Político denuncia a tentativa de retardar a realização do Congresso
extraordinário do Partido, inicialmente marcado para Dezembro.
15. - O Bureau Político considera, ipso facto, uma grave violação ao
sentimento de estabilidade emocional e política, entre as diferentes
forças partidárias, a incessante ingerência de certos sectores do MPLA e
Governo na vida interna da FNLA, como demonstra o bloqueio subtil da conta
bancária do partido.
16 - Diante de todos estes atropelos e intromissões na vida interna da
FNLA urge perguntar: Será que tudo isso passa ao largo do Presidente da
República? Será honroso um membro do Conselho da República, viver tantas
vicissitudes, mesmo agindo com um verdadeiro sentimento republicano e de
respeito as instituições, apesar da sua excessiva partidarização?
17 - O Bureau Político da FNLA está preocupado com a táctica do Governo e
do MPLA, de tudo fazerem para o adiamento das eleições gerais.
18 - Finalmente, por via disso critica a forma como o património do
Estado tem sido afectado exclusivamente a determinados membros do MPLA e a
antigos colonialistas portugueses, contra a recusa do regime de negociar
ou encontrar uma saída, para a devolução dos imóveis da FNLA,
nacionalizados indevidamente pelo poder.
Luanda, aos 14 de Dezembro de 2005
O BUREAU POLÍTICO