Histórico
 
No dia 17 de Março de 1961, em represália às acções dos nacionalistas levados a cabo em 15 de Março, os Portugueses bombardeavam com napalm, a área de Nambuangongo, matando inúmeros Angolanos. Foi este o dia escolhido como alternativa, por ser sábado, para celebrar o acto central do Início da Luta Armada de Libertação Nacional (15 de Março).
 
Relato
 
Eram sensivelmente dez horas de hoje, sábado, 17 de Março de 2007, quando se deu início às celebrações.
 
Diríamos que quase não adiantasse grande coisa, descrevermos o ambiente de festa que sempre coloriu os encontros da (fénélá), porque não seríamos exactos na descrição objectiva do quadro, agitado pela banda de música formada pela FNLA, por grupos teatrais da FNLA e pelos grupos corais que muito embora sejam das igrejas, dissimulam dificilmente as suas origens FNLA.
 
A sala do Teatro Avenida estava cheia. Viam-se inúmeros convidados, entre os quais se pode destacar os representantes da UNITA, PDP-ANA, PRS, FPD e outros, que não nos foi possível identificar. Estava igualmente na sala o representante da Polícia Nacional, com a patente de Superintendente.
 
Álvaro Holden Roberto, sereno e impávido, Presidiu ao acto e foi o alvo das inúmeras manifestações de carinho e de todas as atenções por parte da assistência e dos intervenientes. Tinha à sua direita os Irmãos: Ngola Kabangu - 2º Vice-Presidente, Benjamin da Silva - Presidente do Grupo Parlamentar da FNLA, Isabel Filho, - Coordenadora Nacional da AMA. à sua esquerda podia ver-se os seguintes irmãos: Nimi a Simbi - Secretário Geral Interino, António Nkawu - Secretário para os Antigos Combatentes e Veteranos de Guerra, Ndonda Nzinga - Delegado Provincial de Luanda, José Fernandes Fula (Tó-Zé) - Secretário Nacional da JFNLA
 
Os discursos dos representantes dos Partidos Políticos UNITA, PDP-ANA, PRS e FPD, convergiram, dirigindo-se ao Líder Histórico e tiveram  uma só tonalidade: o reconhecimento do 15 de Março como sendo o início da Luta de Libertação Nacional, exigindo, ipso facto, que o Governo reconheça essa data como tal e como feriado nacional; o reconhecimento da FNLA como protagonista da luta pela libertação nacional e Holden Roberto, como herói vivo da Luta de Libertação Nacional.
 
O tom convincente e comovente, que os representantes dos referidos Partidos imprimiram nos seus discursos, não deixaram ninguém indiferente nem sequer deixaram dúvidas aos ouvintes que foram convencidos de que tudo está por reformular, tais são as reclamações dos observadores e actores políticos, no que concerne à governação do nosso País.
 
A convite do Protocolo, hoje excepcionalmente dirigido pelo Deputado André Paulo, o Delegado Provincial de Luanda, Irmão Ndonda Nzinga, leu a mensagem de boas-vindas aos convidados e militantes do Partido. Logo a seguir, o Presidente da FNLA pronunciou o seu discurso, seguido da mensagem dos Antigos Combatentes e Veteranos de Guerra, da do Representante da UNITA, da AMA, da do representante do PDP-ANA, da JFNLA e da FPD.
 
De salientar que todas as mensagens proferidas, arrancaram aplausos estrondosos na sala e as citações ao "15 de Março feriado nacional" e "Holden Roberto, Heroi vivo" foram aplaudidas de pé.
 
Foram a seguir lidas as mensagens provenientes da Alemanha, de Portugal e dos Estados Unidos.
 
A banda de música emprestou,  como sempre, aquele ar extremamente festivo que os militantes apreciam sobretudo quando lançam o "mbandu yayi ya FNLA" ou o "mbadi yaya undengulanga" para provocarem o delírio.
 
O grupo teatral de Nambuangongo deu um verdadeiro show, com aquelas vestimentas utilizadas nas matas. O Coro da Igreja Batista complementou a essência da FNLA que é religiosa.
 
Eram aproximadamente 13h45 quando o protocolo agradeceu e anunciou o encerramento da cerimónia.
 
No fim da cerimónia, apesar das dificuldades económico-político adquiridas,  houve um cocktail nos locais do Teatro oferecido aos nossos convidados e uma refeição substancial para todos os militantes, na sede do Partido, graças a um esforço da Direcção do Partido.
 
PIPE-LINE - SERVIÇO DE PARTILHA DA INFORMAÇÃO DA PRESIDÊNCIA DA FNLA

 

Discurso proferido pelo Irmão Álvaro Holden Roberto, Presidente da FNLA, por ocasião da celebração do 46º Aniversário do Início da Luta Armada de Libertação Nacional, no Teatro Avenida, aos 17 de Março de 2007 

Distintos Convidados,

Minhas Irmãs, meus irmãos,

Caros Militantes, Simpatizantes e Amigos,

Povo de Angola,

Mais uma vez na nossa História voltamos a celebrar o 15 de Março, a data que abalou o Império Português e marcou o início do fim do regime ditatorial da metrópole portuguesa, assim como do odioso regime colonial que vigorava em Angola, Guiné-Bissau, São João Baptista de Ajudá, Moçambique, S.Tomé, Cabo Verde e Timor. Tudo caiu como um baralho de cartas mas o primeiro impulso que teve sucessivos efeitos nacionais e internacionais foi a Revolta de 15 de Março de 1961. 

É uma data que nos orgulhamos particularmente na UPA-FNLA, na medida em que somos os sucessores directos da UPA, o movimento nacionalista que desencadeou aquela formidável revolta que a ferro, fogo e sangue mudou o curso da Historia. 

Mas somos também orgulhosos desta data como Angolanos, independentemente do Partido que representamos, porque a Revolta do 15 de Março não pertence a ninguém em particular mas a todos nós Angolanos que queríamos ardentemente a nossa Independência Nacional e lutámos como David contra Golias, com as armas que tínhamos contra um arsenal de enormes proporções de que dispunha o regime colonial e as suas forças armadas. 

Ao mesmo tempo que celebramos o 15 de Março, neste seu quadragésimo sexto ano, não podemos deixar de lamentar profundamente que esta data que abriu caminho a todos nós Angolanos sem excepção para a sua Liberdade e para retorno ao domínio da sua Terra, não seja ainda uma FESTA NACIONAL. 

Lamentamos igualmente, a perda de um dos maiores obreiros do 15 de Março, o irmão Pedro Vida Garcia, que nos deixou no dia 28 de Fevereiro passado, pelo que peço a todos que estejamos de pé e observemos um minuto de silêncio em sua memória… Muito obrigado. 

Festejamos o Ano Novo, festejamos os nossos Mártires de 4 de Janeiro, festejamos o 4 de Fevereiro, festejamos o dia Internacional da Mulher, festejamos a Paz alcançada depois de uma guerra civil devastadora, celebramos o dia de África, o nosso Continente, festejamos o dia Internacional da Criança, festejamos o dia do  Herói Nacional, festejamos ou choramos os nossos Mortos e festejamos naturalmente a nossa Independência e o Natal e tudo isso é justo, mas não podemos deixar de perguntar, porquê então não celebramos também o dia em que os Angolanos, de armas na mão, abriram o caminho da vitória sobre o regime colonial português.   

Será que o MPLA no poder desde a data da Independência Nacional acha que esse dia teria chegado para eles também sem o 15 de Março? 

Será que o Presidente José Eduardo dos Santos, o seu Governo e a Assembleia Nacional não têm uma palavra a dizer perante o sacrifício e o passo gigantesco que o nosso povo deu nessa data rumo à sua liberdade? 

Será que alguém se envergonha das catanas de 15 de Março e apenas considera puras e heróicas as que se ergueram em 4 de Fevereiro, quando nada, absolutamente nada, as distinguia? 

Não vou falar do 4 de Fevereiro que é uma data que todos celebramos com a mesma dignidade de outras datas históricas. Os historiadores preocupam-se e investigam os bastidores dessa revolta ocorrida em Luanda envolvendo muitos e diversos nacionalistas angolanos bem conhecidos, liderados pelo inesquecível Cónego Manuel das Neves. Todos eles estavam de alma e coração com os que no dia 15 de Março desencadearam uma guerra generalizada contra o colonialismo português.  

Como todos os nossos heróis de 15 de Março de 1961 viveram também intensamente os acontecimentos na capital em 4 de Fevereiro, nenhum destes acontecimentos pode ou deve ofuscar e muito menos apagar o outro. Pelo contrário, todos estão ligados pelo mesmo ideal de não olhar a sacrifícios humanos para dar testemunho a Portugal e ao Mundo de uma determinação inabalável de libertação. 

A história mostrou que foi o 15 de Março que forçou a mão de Salazar a virar-se totalmente para Angola, quando ele disse: “Todos  para Angola e em força”.  

A mesma História mostrou como essa luta desigual e por vezes conduzida de forma separada e incoerente pelos três Movimentos de Libertação, acabou por minar o poder em Lisboa, conduzindo ao reconhecimento do direito à Auto-determinação, num Acordo que prognosticava um regime democrático para Angola através de eleições e a escolha livre dos seus dirigentes pelo povo angolano. A história também conta que esse futuro foi adiado por uma guerra civil que se alastrou por quase três décadas.  

Hoje, graças às eleições de 1992, Angola tem um Parlamento eleito e prepara-se para a realização de novas eleições para eleger os seus Deputados à Assembleia Nacional e o seu Presidente da República. Mas ao longo de todo este tempo, a História de Angola tem sido apenas respeitada e venerada de acordo com cartilha do Partido no poder que não mudou com as eleições de 1992. 

Uma História escrita pelos vencedores é a única explicação para o esquecimento a que o 15 de Março tem sido votado como se não fosse uma data tão gloriosa que merecesse um feriado nacional. 

O MPLA tem sobre a mesa uma proposta de Agenda Nacional de Consenso, na qual se refere que “deverão ser promovidas acções de carácter político, económico e cultural, no intuito de dignificar os antigos combatentes e seus familiares, como forma de reconhecimento social àqueles que prestaram serviços relevantes à Pátria, contribuindo para a sua Independência, soberania e integridade territorial”. Será que ignorar o 15 de Março não é uma forma de negar um propósito tão justo e digno como parece? 

Deixemos aqui um apelo ao Senhor Presidente da República, à Assembleia Nacional e ao Governo, ao MPLA e a todas as outras forças políticas no sentido de, por consenso, se estabelecer a data de 15 de Março como Feriado Nacional, única forma justa, humana e adequada de prestar uma sentida e merecida homenagem a todos aqueles que abnegadamente se sacrificaram no altar da Pátria de forma sangrenta mas nobre, porque foi sagrado o ideal que os moveu de arrancar com violência o poder que nos violentava há tantas gerações, materializando assim a unidade nacional.

A nossa luta está a fazer século e é ainda com clamor dessa luta que procuramos construir para os nossos filhos e netos uma Angola mais justa e mais progressiva. 

Também defendemos como o defende o MPLA e penso que todas as forças políticas, que “a paz social e a fraternidade entre os cidadãos, a estabilidade e a eficácia das instituições, a realização plena da cidadania, bem como o progresso material e espiritual da sociedade, representam as bases fundamentais que devem alicerçar o compromisso de todas as filhas e filhos de Angola no presente e para o futuro do País, dignificando assim a abnegação e os sacrifícios da presente geração e dos nossos ancestrais”.  

Porém, nesta data que evoca mais do que qualquer outra, os sacrifícios de uma geração, queremos dizer bem alto que serão precisas mais do que boas palavras para sermos dignos daqueles que prepararam os dias de independência que estamos a viver.  

Serão precisas decisões, atitudes novas perante os outros, serão precisos gestos ainda que carácter simbólico, para que todos nos sintamos irmanados numa Angola que continua obstinadamente a defender como sendo sua a história de um Movimento de Libertação, que continua a venerar como heróis nacionais apenas aqueles que militaram e lutaram nesse mesmo Movimento de Libertação.  

A Paz e a Fraternidade entre todos os Angolanos exigem mais do que boas intenções a envolver declarações fundamentais mas que ficam no papel, no projecto, quando o que será mais importante é o passar à construção, aos tijolos, ao cimento, ao concreto. 

Distintos convidados,

Minhas Irmãs, meus Irmãos,

Povo de Angola,  

Este é um ano decisivo para o nosso Partido. Temos de virar uma página, escolher uma nova liderança, pôr sangue novo na engrenagem do Partido, rejuvenescer os nossos quadros pois essa será a melhor maneira de fazer face ao futuro. Queremos um futuro em que tenhamos um papel que não envergonhe os nossos heróis do passado que hoje, neste 15 de Março de 2007 celebramos e homenageamos. 

Precisamos, por isso, de recentrar as nossas prioridades, procurando dar ao Partido a consistência política, social e económica que deve caracterizar uma força política com as aspirações que sempre nos moveram desde o início da nossa luta. Esta tarefa envolve todos os militantes, e é para ela que hoje, particularmente insto a todos, para se empenharem nas actividades partidárias, de modo a estarmos prontos para dar resposta a todos os desafios que teremos pela frente. 

Muitos são os que desanimaram ao longo destes últimos anos e procuram outros caminhos. Há certamente muita frustração entre os nossos militantes e simpatizantes face ao percurso  difícil   do nosso Partido, obrigado a um exílio político desde 1975, passando pelo desaire eleitoral provocado pelo desproporcional confronto de meios com que foi travado o processo eleitoral de 1992.  

Até hoje, a FNLA continua despojada   de todos os bens de que era detentora e proprietária à data da Independência.  

Todos sabemos como um Partido sem outros meios financeiros para além dos que resultam dos meros subsídios do Estado está impedido das suas possibilidades de estabelecer e manter as suas redes de agentes partidários em todo o País. A FNLA tem por isso de contar com os valores que são a vontade, a coragem e a determinação dos seus militantes para mais uma vez na sua história poder confrontar o gigante Golias como o fez David. Para isso não chega a coragem e a determinação. David não teria conseguido derrubar o gigante se não dispusesse de uma fisga e de uma pequena pedra.  

A FNLA, não dispondo ainda de todos os meios que continuam a ser-lhes devidos pelo Estado, tem de ter um programa de acção que mobilize, que concentre e que una todos aqueles que se identifiquem com esses desígnios. Precisamos por isso da nossa juventude, das vossas ideias, das vossas aspirações para pô-las ao serviço do Partido e do País. 

Apesar das eleições de 1992 e dos seus resultados, Angola conta hoje certamente com milhões de cidadãos descontentes com as políticas seguidas pelos sucessivos Governos do mesmo regime que dirigem o País desde então. 

No entanto, como devemos saber, os descontentes continuarão a votar nos mesmos se não formos capazes de mostrar que podemos fazer mais e melhor do que eles. O desafio é imenso mas podemos vencer como, mais do que ninguém, os nossos heróis do 15 de Março nos prometem e garantem. 

Viva a FNLA !

Viva o 15 de Março !

Todos por uma Angola !

Uma Angola para todos !

LIBERDADE E TERRA !

VIVA ANGOLA !

 

 

ASSOCIAÇÃO DOS ANTIGOS COMBATENTES E VETERANOS DE GUERRA DA FRENTE NACIONAL DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA

A.A.C.V.G./F.N.L.A. 

Mensagem dos Antigos Combatentes e Veteranos de Guerra alusivo ao 46º Aniversário do início da Luta armada de Libertação Nacional de Angola, proferido pelo Antigo Combatente Lino Ucaca, no Teatro Avenida, aos 17 de Março  de 2007 

Sua Excelência irmão Álvaro Holden Roberto,

Líder Histórico, Presidente da FNLA e Ex-Comandante-em-Chefe do ELNA.

Distintos Membros do Bureau Político e do Comité Central da FNLA.

Ilustres convidados

Minhas irmãs e meus irmãos. 

15 de Março de 1961, 15 de Março de 2007, são decorridos 46 anos desde que o POVO Angolano tomou a consciência revolucionária de uma luta decisiva para acabar de uma vez para sempre com a dominação e exploração secular do regime colonial português em Angola. 

Os pioneiros desta luta, bem como os seus seguidores que representamos nesta magna cerimónia, são os impulsionadores da Independência para a fundação da Pátria. Se Angola hoje é chamada Pátria, e não província ultramarina; se o seu povo é chamado angolano ao em vez de português; se Angolanos governam e ocupam altas funções a nível internacional, é graças a data histórica e heróica do 15 de Março de 1961 que pressionou o acordo de cessar-fogo em 10 de Outubro de 1974, entre as delegações do governo português e a da FNLA em Kinshasa, e a consequente libertação de vários prisioneiros portugueses.  

Se a memória não nos falha, fomos o único Movimento de Libertação que apresentou e libertou vários prisioneiros de guerra, depois da assinatura do Acordo de Alvor. E esses prisioneiros foram entregues ao Representante da Cruz Vermelha Internacional, na Base de Kinkuzu, na República Democrática do Congo. 

Graças a essa data, Angola é hoje um país independente, o seu nome figura no contexto das nações. Essa acção revolucionária e heróica, envolveu milhares de Angolanos, entre homens, mulheres e jovens, actualmente chamados Antigos Combatentes, armados de catanas, mocas, canhangulos e pedras, sob a clarividente orientação da UPA e  muitos deles estão cá presentes. 

Nós, Antigos Combatentes, que estávamos à base da independência do nosso país, arrancada à custa de muito sangue, suor e lágrimas, estamos ainda à base da felicidade de muitos que nada fizeram pela libertação nacional, se hoje sofremos vicissitudes é porque os nossos direitos são injusta e desonestamente espoliados. 

 Nós, Antigos Combatentes, não percebemos muito de contas, nem de direito, mas parece-nos ser um paradoxo: NEGAR A MANDIOCA ÀQUELES QUE A CULTIVARAM E DAR AOS BANDOLEIROS. Esta prática só é possível, em países onde a mentira, a desonestidade e a injustiça são os valores mais apreciados.  

Não reconhecer o 15 de Março é um insulto aos nossos mártires e ao Povo Angolano, que verteram o seu sangue, para benefício de todos, e os mesmos merecem o nosso reconhecimento e respeito. Por isso, apelamos ao Governo de Angola,  para que reconheça incondicionalmente o 15 de Março como feriado nacional.   

VIVA O 15 DE MARÇO DE 1961 !

VIVA A FNLA !

LIBERDADE E TERRA ! 

Muito obrigado

 

JFNLA

sagem da JFNLA, por ocasião do 46º Aniversário do início da Luta armada de Libertação Nacional, aos 17 de Março de 2007, no Teatro Avenida. 

Excelentíssimo Irmão Presidente da FNLA,

Valorosos Antigos Combatentes e Veteranos de Guerra da FNLA,

Digníssimos irmãs e irmãos,

Ilustres convidados. 

Estamos hoje, agora e aqui, porque para a Juventude da FNLA, queremos falar directamente para os Antigos Combatentes e Veteranos de Guerra do nosso Partido e transmitir uma mensagem clara para o Governo de Angola. 

Queremos estar de acordo que os Antigos Combatentes e Veteranos de Guerra da FNLA e de Angola em geral são um problema muito sério e, a única razão deste problema, em nosso entender, é a de ter dado a liberdade a todos os Angolanos de Cabinda ao Cunene e do Mar a Leste. 

Caros irmãos, minhas irmãs, 

Nós a juventude da FNLA, não queremos que os Antigos Combatentes e Veteranos de Guerra, sejam um programa, um projecto social, mas, desejamos que em Angola deve existir uma política nacional sustentável de bem estar e de apoio às suas famílias enquanto viúvas e órfãos, para o nosso orgulho e para toda a geração angolana. Assim, com base no enquadramento histórico da Luta de Libertação, o 15 de Março de 1961 não foi um massacre dos negros da UPA contra os colonos portugueses mas sim porque foi uma reacção mas não uma acção e, não existe uma revolução sem derramamento de sangue. 

Estamos a festejar este dia num momento em que os militantes da FNLA, estão a passar por uma situação muito difícil, é verdade, mas quando queremos compreender o presente e o futuro, devemos ir ao passado para saber como foi e podemos concluir que os Antigos Combatentes e Veteranos de Guerra da FNLA, não têm a solidariedade institucional do Governo de Angola e com este gesto o nosso país, não pode marchar para unidade e a prosperidade social, porque os Antigos Combatentes e Veteranos de Guerra do MPLA, da UNITA e da FLEC, não representam todo sistema social, político, histórico e cultural do nacionalismo angolano. 

Assim, hoje, amanhã e sempre, encorajamos os nossos valorosos Antigos Combatentes e Veteranos de Guerra da FNLA, a lutarem pelo seu direito por que ninguém os deve privar e todos que os privam, são aqueles que impedem a verdadeira reconciliação nacional e o desenvolvimento do país. 

Do alto desta tribuna rendemos uma homenagem ao nosso irmão Pedro Vida Garcia e a todos os nacionalistas que partiram do nosso mundo na esperança de uma verdadeira democracia, de uma liberdade e de uma igualdade social para todos os Angolanos. 

TODOS POR UMA ANGOLA !

UMA ANGOLA PARA TODOS !

LIBERDADE E TERRA !         

Muito obrigado   

 

 

ASSOCIAÇÃO DA MULHER ANGOLA

A M A 

MENSAGEM DE APOIO POR OCASIÃO DA CELEBRAÇÃO DO 46º ANIVERSÁRIO DO INÍCIO DA LUTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL 

Irmão ÁLVARO HOLDEN ROBERTO, Líder Histórico e Presidente da FNLA,

Irmão NGOLA KABANGU, 2º Vice-Presidente da FNLA,

Irmão NIMI-A-SIMBI, Secretário Geral Interino

Exmos Senhores Presidentes e Representantes de Partidos Políticos,

Excelentíssimos Senhores Membros do Corpo Diplomático,

Distintos Convidados,

Valorosos Antigos Combatentes,

Militantes, Simpatizantes e Amigos da Grande Família FNLA, 

No momento em que comemoramos o quadragésimo sexto aniversário do início da Luta de Libertação Nacional,  a luta que libertou Angola de Cabinda ao Cunene, nós militantes enquadradas na Associação da Mulher Angolana, que temos a elevada honra de representar neste magno evento, sentimos por um lado um justo orgulho por tudo quanto a mulher pode fazer ontem de positivo e indispensável para que fosse possível derrubar o hediondo colonialismo português, e por outro lado estamos cientes das enormes responsabilidades que temos no combate pela dignificação do Homem Angolano. Também estamos certas que a FNLA, Partido histórico e com uma profunda implantação em todo o território nacional, saberá conduzir com determinação e firmeza este combate até a implementação integral do nosso Programa Político, Social, Económico e Cultural, que se resume em duas palavras : LIBERDADE E TERRA. Não há terra sem liberdade, como não há liberdade sem terra. 

Excelências, 

O 15 de Março de 1961 recorda-nos a epopeia sem paralelo na história das revoluções africanas que tiveram por finalidade a conquista da independência dos povos. Durante a Luta de Libertação Nacional, que foi árdua, longa mas vitoriosa, a mulher angolana foi capaz de manter o apoio directo e eficiente aos guerrilheiros, acompanhado-os sempre como mães, esposas, irmãs, amigas e provedoras do essencial para a sua alimentação. 

As mulheres não se limitaram ao papel de assistentes morais e sociais, mas também estavam na primeira linha, transportando e pegando elas próprias em armas, para escorraçar o colonialismo português do nosso solo pátrio. As mulheres eram ainda as primeiras educadoras, assumindo plenamente a direcção de numerosas escolas primárias que funcionavam nas zonas libertadas. 

Paradoxalmente, quando ansiávamos e esperávamos que a independência porpociona-se o bem estar geral para as populações angolanas, homens e mulheres, eis que o país mergulhou numa sagrenta e devastadora guerra civil que, graças à Deus, terminou há cincos com a assinatura de um acordo de paz global que, esperamos seja duradoira e geradora de felicidade e de real bem estar sócio-económico para todo o Povo Angolano de Cabinda ao Cunene. 

Não poderiamos terminar a nossa mensagem sem nos referirmos a  dolorosa e inaceitavel situação que as mulheres angolanas enfrentam em todo o território nacional. As mulheres lutam em todas as frentes sócio-económicas, trabalhando e ajudando os seus maridos, participando nos esforços de reconstrução nacional, mas o tratamento que elas recebem do Governo e da sociedade não só não é digno, mas também e sobretudo vexatório: as mulheres são espezinhadas, espancadas até à morte pelos seus próprios maridos, pelos agentes da Polícia Nacional e pelo ditos fiscais.  

Nas Maternidades do Estado, as mulheres não têm a assistência merecida e cuidada, chegando mesmo muitas delas a morrerem sem terem sido atendidas e também a verem desviados ou roubados os seus filhos. Em suma, as mulheres continuam a ser as “parentes” pobres e marginalizadas nesta Angola que pensamos ser livre e independente! Algo tem que se fazer para mudar esta dramática situação.  

Finalmente, gostariamos de fazer menção da situação que o nosso Partido enfrenta devido ao congelamento da sua Conta Bancária sem uma justificação oficial e aceitável, à exatactamente 11 anos, não obstante terem em 2004 dispensado alguns valores afim de se efectuar o “Congresso da Reconciliação”. Estamos convictas que se trata de uma tentativa de asfixiar politica e financeiramente o nosso Partido, debilitando-o sobretudo neste momento decisivo em que estamos plena e decididamente empenhados no processo preparatório das próximas eleições, com destaque para o processo de registo eleitoral. Os nossos Fiscais, verdadeiros heróis, passam fome e sede, percorrem milhares de quilómetros a pé para cumprir a sua nobre missão. Nós mulheres ex-combatentes e as próprias permanentes da FNLA, há quanto tempo não temos sequer direito a receber o nosso salário?... Atravessamos momentos díficeis para suportar os encargos, alimentação, saúde e estudos dos nossos filhos, netos, sobrinhos... muitos dos quais são orfãos, que não conseguindo por vezes minorar as dificuldades com as quais nos deparamos quotidianamente, pois os nossos familiares merecem todo o nosso carinho e dedicação na nossa qualidade de responsáveis pelo seu futuro e bem estar. Será isso justo, quando se sabe que a legitimidade do nosso Partido é inquestionável? Deixamos esta pergunta para as consciências dos que nos governam, sobretudo de Sua Excelência o Senhor Presidente da República de Angola, Engenheiro José Eduardo dos Santos. 

HOLDEN YÓ, YOYESA 

BEM HAJA O 15 DE MARÇO DE 1961 

BEM HAJAM ANGOLA E O SEU DESTEMIDO POVO 

TODOS POR UMA ANGOLA, UMA ANGOLA PARA TODOS 

LIBERDADE E TERRA 

 

 

DELEGAÇÃO PROVINCIAL DE LUANDA 

MENSAGEM DE BOAS VINDAS 

Sua Excelência, Irmão Álvaro Holden Roberto, líder histórico e presidente da FNLA; Sua Excelência, Irmão Ngola Kabangu, 2º Vice-Presidente da FNLA;

Sua Excelência, Irmão Nimi a Simbi, Secretário-geral Interino do Partido;

Irmãos membros do Bureau Político;

Irmãos membros do Comité Central;

Respeitados Deputados;

Ilustres convidados;

Bravos militantes da FNLA;

Caros simpatizantes e amigos da grandíssima família FNLA. 

15 de Março de 1961, 15 de Março de 2007, são passados 46 anos e nos encontramos aqui nesta sala de eventos do Teatro Avenida para comemorarmos  o dia do grande acontecimento da história  contemporânea do nosso País, acontecimento esse que foi o detonador do combate libertador contra a presença colonial portuguesa. 

Foi-nos dada a oportunidade para que esse grande evento de aniversário do início de luta armada de libertação nacional fosse celebrado na Província de Luanda. Assim, esse ensejo constitui um motivo de júbilo para o Comité Provincial do Partido de Luanda, por isso, nós Delegação Provincial de Luanda temos o dever de vos saudar calorosamente e desejar a todos as boas vindas nesta efeméride do primeiro dia do fim do império colonial português que coincidentemente é o último império ocidental. 

Irmãs e Irmãos, Ilustres convidados  

Com a chegada dos portugueses em 1482 , na ponta de Padrão (Soyo) na foz do Rio “Nzadi a Kongo” comandados por Diogo Cão ,que tinha a missão  de rumar para a Índia, a mando da coroa portuguesa, começou a colonização Portuguesa de Angola, uma das mais longas e cruéis do mundo, que foi de cinco Séculos. 

Desde o Sec.XV, os exploradores, autores e estadistas portugueses foram enaltecendo a grandeza da sua missão colonial, conquistar, colonizar e prozelitar em terras distantes.  

O povo angolano foi submetido durante cerca de 500 anos a uma escravatura e sujeito a duras atrocidades. 

Não obstante as inúmeras resistências feitas pelos antigos reinos, que formavam e /ou formam o mosaico de várias nações ou povos de Angola, conduzidas por entre outros Mandume, Mbiandangunga, Tulante Buta, Nzinga Mbandi, mesmo com a realização de batalhas decisivas como a de Ambuila, os colonialistas portugueses mantiveram-se em Angola a espoliar as terras dos indígenas e a explorar as riquezas do solo angolano.  

É assim que durante séculos, a intelectualidade portuguesa, a literatura e o discurso político foram elogiando a bravura dos soldados, a tenacidade dos colonos e, acima de tudo, a responsabilidade de transmitir os valores cristãos que é uma acção salutar e a civilização ocidental aos indígenas de Angola, buscava-se em Portugal feitos de “Além-mar”. 

Portugal chegou a considerar Angola como parte integrante do seu Estado, tida por razões geopolíticas, uma Província ultramarina, a Constituição estabelecia o princípio de indivisibilidade de todos os territórios portugueses e a cidadania de todos os seus habitantes. 

A espoliação das terras aos autóctones, as graves injustiças sociais, as barbaridades, a escravidão, os trabalhos forçados, as palmatórias e os desterros foram as causas que provocaram a reacção estrondosa e galvanizadora de 15 de Março 1961 dos indígenas, marcado o início da luta de libertação pela UPA. Essa acção patriótica foi antecedida com as de 4 de Janeiro e 4 de Fevereiro do mesmo ano nas localidades de Baixa de Kassange em Malange e Luanda respectivamente.  

O 15 de Março foi feito com dois objectivos fundamentais-LIBERDADE E TERRA. 

Não foi uma acção selvática como muitos apologistas do colonialismo e neo-colonialismo fazem crer, mas foi uma reacção perante tantos séculos de abusos e de sofrimentos incomensuráveis. 

Importa reafirmar que o 4 de Janeiro e o 4 de Fevereiro também protagonizados pelos angolanos através da UPA, tiveram como mentores principais, respectivamente, o Comandante Francisco Mariano e o soba Teka dia Kinda para o 4 de Janeiro e o Cónego Manuel Joaquim Mendes das Neves e Neves Bendinha para o 4 de Fevereiro. 

As duas acções patrióticas de 4 de Janeiro e de 4 de Fevereiro foram deliberadas, efémeras, limitadas, localizadas e circunscritas em áreas e momentos próprios, enquanto o 15 de Março foi o inicio de uma longa e dura luta ininterrupta e generalizada em 2/3 do território angolano, que culminou em 10 de Outubro de 1974, com a assinatura do Cessar-fogo entre a FNLA encabeçada pelo Presidente Holden Roberto e o governo português representado ao mais alto nível pelo General Fontes Pereira de Melo, chefe da casa militar do Presidente da República Portuguesa. 

Importa dizer que a eclosão da guerra em Angola fez com que Guiné-bissau e Moçambique seguissem o exemplo, sendo a Guiné portuguesa a desencadear a guerra em 1963 e Moçambique em 1964. Todas essas guerras deram como corolário o 25 de Abril de 1974 (Portugal) e consequentemente os acordos de Alvor para o caso de Angola e a sua independência em 11 de Novembro de 1975. 

É assim que foi a FNLA o único Movimento de Libertação em Angola que apresentou prisioneiros de guerra em 1974, fetos durante os combates renhidos com o Exército colonial Português. 

A FNLA combateu o regime fascista português e não o povo português, visto que este último beneficiou dessa luta para se libertar do fascismo. 

Interessa-nos porém fazer a retrospectiva sobre o 15 de Março, como é que foi concebido e qual foi o “modus operandi” ? 

Essa grande operação foi organizada pelos heróis Pedro Vida Garcia, Manuel Bernardo, Manuel Cosme,Tussamba Kua Nzambi, José Lelo e Pedro Rodrigues Sadi, sob liderança de Álvaro Holden Roberto (José Gilmore), orientados por Frantz Fanon, de naturalidade antilhana , de nacionalidade argelina e de origens remotas dos Dembos(Angola). Alguns desses heróis já estão mortos e outros ainda vivem. Dos vivos temos a apresentar o Comandante Manuel Cosme e José Lelo (salva de palmas). Um dos heróis de nome Pedro Vida Garcia faleceu no corrente mês e foi sepultado nas terras da Batalha de Ambuila coincidentemente, no dia 14 de Março de 2007, na véspera do grandioso dia que ele sempre enalteceu em vida. 

Foi disseminada  em Angola antes de 15 de Março, uma senha que a PIDE não conseguiu desvendar, código esse com descrições tácticas feito pelo Co-fundador e Inspector Geral da UPA, Borralho  Lulendo que se denominava o CASAMENTO DA FILHA DE NOGUEIRA que significa evento de dia 15 de Março; limpar bem as aldeias que significa destruir, as árvores que dão sombra nesta Cidade, devem ser cortadas, significa cortar as cabeças dos colonialistas identificados como fascistas; Os que estão nas aldeias ou Kimbos  devem vir na cidade para festejarem, significa  recuar  todos nas matas; pintar bem todas as pontes, significa  destrui-las. 

As últimas instruções definitivas para o início da guerra foram dadas aos delegados para áreas de Bengo(Luanda) , Uíge e Kuanza Norte(Malange) em 10 de Março de 1961 no Centro de Inga-Ambuila _Ex-Nova Caipemba , Província do Uige, sendo os 3 delegados  Pedro Vida Garcia, Manuel Bernardo e Pedro Rodrigues Sadi. O estrondo detonador foi no Clube de Mbanza Kongo,  as 00h00 do dia 14 de Março de 1961, hora transitória para o dia 15,lançado pelo delegado Frederico junto com o Comandante Manuel Cosme. 

Frantz Fanon que tinha o sangue guerreiro dos Dembos, ensinara aos guerrilheiros da UPA apelidados pelos colonos fascistas terroristas, como acabar com o complexo de inferioridade perante o colonialista.

Hoje passados 46 anos, perguntemo-nos irmãos, será que a dignidade dos angolanos foi reposta?

O “modus Vivendi” ou seja a maneira de viver da grande maioria da população angolana, desde a ascensão de Angola à independência nacional em 11 de Novembro de 1975 à esta parte não evoluiu e não conheceu melhorias, antes mais se embaraçou devido a ambição do Partido no poder e seus governantes que criaram e incentivaram a formação de classes sociais, umas mais favorecidas, quando lhes são solidárias e outras menos , quando  lhes são alheias ou indiferentes, é a instituição do sistema de injustiça social, concretamente a nível do escalão maior das classes ricas, uns auferem rendas mensais da ordem de milhões de dólares, enquanto nas classes pobres, o mais pobre vive desempregado, faminto e destituído de recursos pecuniários. Em suma, a grande maioria da população angolana vive no sofrimento desenfreado. 

Para se inverter esse quadro, a juventude deve exigir e lutar por quatro (4) princípios imprescindíveis à dignificação do homem angolano: 

-Nacionalismo: entendido como defesa dos sublimes interesses do País e suas populações;

-Democracia: que pressuponha a livre participação de cada um e de todos os cidadãos ao exercício político assente no princípio do mérito e que se traduza na gestão transparente da “res-pública”;

-Combate à exclusão: que significa ser pela vida e lutar pela unidade e dignificação dos angolanos, comungados no ideal de todos por uma Angola, uma Angola para todos. Uma Angola bela e rica onde seja bom para viver e trabalhar para engrandece-la.

Lutar pela eliminação das assimetrias no tocante às políticas de desenvolvimento regional.

-Combate à Corrupção: é necessariamente moralizar a vida politico social do País e sanear a gestão económica da “Res-Pública” para o bem estar de todos, promovendo a solidariedade, sobretudo para com os mais pobres e necessitados de assistência.

Lutar  pela erradicação da cleptomania instalada incutindo a probidade moral. 

LIBERDADE E TERRA 

HOLDEN YO! – YOYESA…/COM HOLDEN ROBERTO_ PAZ , JUSTIÇA E PROGRESSO