Cerimónia de apresentação cumprimentos Fim do Ano

 

ACTIVIDADE PARTIDÁRIA
 
Os membros do Bureau Político, do Comité Central, da AMA, da JFNLA, dos Antigos Combatentes e Veteranos de Guerra, Militantes e Simpatizantes da Grande Família da FNLA, apresentaram hoje, dia 29 de Dezembro de 2005, pelas 10h00, no Cine S. Domingos, cumprimentos de Fim do Ano ao Líder Histórico e Presidente da FNLA, Irmão Álvaro Holden Roberto.
 
Durante a cerimónia à qual assistiram aproximadamente 300 pessoas, o Secretário Geral Interino do Partido, Irmão Nimi a Simbi, abriu a sessão dirigndo-se aos Militantes,  em breves palavras, cujo texto anexamos.
 
Foi imediatamente seguido pelo Líder Histórico que pronunciou um discurso, de constatações de factos e de recomendações ao Governo. Anexamo-lo, igualmente, para vossa informação. 
 
A cerimónia durou aproximadamente 90 minutos e teve a necessária e suficiente cobertura mediática.
 
O Gabinete do Presidente da FNLA reitera os seus votos de um Ano Novo muito feliz, cheio de prosperidades e de agradáveis surpresas.
 
Pipe-Line - Serviço de Partilha da Informação da Presidência da FNLA.

 

FRENTE NACIONAL DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA

F. N. L. A.

Gabinete do Secretário Geral

 Discurso proferido pelo Secretário Geral Interno, Irmão Nimi a Simbi, na cerimónia de apresentação de cumprimentos de fim do Ano, no dia 29 de Dezembro de 2005, no Cine S.Domingos

 

Irmão Presidente,

Irmão Vice Presidente,

Irmãos Membros do Bureau Político e do Comité Central,

Irmãos Militantes, Simpatizantes e Amigos da FNLA,

Minhas Senhoras, meus Senhores,

 Em primeiro, endereçamos a todos os nossos primeiros votos de Boas-Festas e de um Ano Novo Feliz e Próspero, na qualidade de Secretário Geral Interino.

 Não temos muita matéria para fazer aquilo a que chamaríamos um discurso – programa, tendo em conta o tempo escasso em que estamos no cargo e às condições extremamente difíceis nas quais devemos funcionar. De facto, não é segredo para ninguém que desde a suspensão do Irmão Francisco Mendes do cargo de Secretário Geral, o Partido não tem meios financeiros disponíveis para aliar os planos às acções, as intenções às execuções, enfim, funcionamos em condições de voluntariado e de militantismo.

 De facto, durante o tempo em que estamos no Secretariado, reunimo-nos todas as sextas-feiras, seguindo de perto a evolução da situação e conseguimos aprovar, depois de longas discussões, alguns documentos ligados ao funcionamento do Secretariado Geral.  

 Fixamo-nos, igualmente, como objectivos imediatos, a realização das Assembleias Provinciais Electivas nas 11 Províncias restantes e imediatamente antes e ligadas ao Congresso, as Assembleias Electivas dos Delegados ao Congresso Extraordinário. Portanto, as estruturas estão montadas e esperamos unicamente a aquisição dos fundos necessários para o arranque destas actividades.

 Gostaríamos de agradecer a todos, pelo apoio tanto moral como material que temos recebido e garantir-vos a nossa cooperação com todos quantos estejam interessados em colaborar connosco.

 Terminamos, reiterando-vos os nossos votos de Boas-Festas e de um Ano Novo cheio de Prosperidades.

FNLA OYE!
TODOS POR UMA ANGOLA!
UMA ANGOLA PARA TODOS!
LIBERDADE E TERRA!

Muito Obrigado

 

FRENTE NACIONAL DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA
(F. N. L. A.)

 Gabinete do Presidente

Discurso proferido pelo Líder Histórico e Presidente da FNLA, Irmão Álvaro Holden Roberto, na cerimónia de apresentação de cumprimentos de fim do Ano,  em 29 de Dezembro de 2005, no Cine S. Domingos, em Luanda

 Irmãs e Irmãos Membros do Bureau Político e do Comité Central,

 Irmãs e Irmãos Dirigentes da AMA, dos Antigos Combatentes e da JFNLA,

 Distintos Representantes da Comunicação Social,

 O ano de 2005 termina, tendo como pano de fundo, as suas esperanças simuladas e as decepções que suscitou em muitos, sem portanto dissipar a opacidade que nos cerca.

 Há dias, celebrávamos os 30 anos da nossa independência.

 Sabeis qual a principal questão que obcecava o espírito da maioria dos Angolanos? Quais são os balanços que se podem exibir?

 Sem recuar até à noite tenebrosa do tráfico dos escravos angolanos e ao crepúsculo da dura e desumana dominação colonial, Angola conquistou heroicamente a sua independência, num clima convulsivo e opaco, que prefigurava o desastre que vivemos hoje.

 Fazemo-vos, não obstante, a economia de uma longa e fastidiosa enumeração de factos vividos, sem deixar, contudo, de fazer uma certa alusão a alguns factos, que decepcionaram as esperanças dos Angolanos, no sentido em que:”o que o berço dá a tumba o leva”. Melhor ainda, citando Albert Einstein “ as mentalidades são mais difíceis de quebrar ou de mudar do que os átomos”.

 É assim que as intrigas, as grosserias, os comprometimentos e as alianças contraproducentes, fruto das ideologias importadas que nada têm a ver com a liberdade humana, nem com os direitos humanos nem com os progressos da humanidade, sufocaram as esperanças à liberdade dos Angolanos, num mar de sangue.

 As flores do mal, regadas com sangue de cidadãos inocentes, semeadas pelos políticos, não são características do Povo angolano, reputado pacífico, paciente e acolhedor.

 Nenhum grupo político, seja qual for, deve considerar Angola, como pertença sua, e decidir sozinho do País, organizando, à sua maneira as próximas eleições gerais tão almejadas pelo Povo angolano.

 Neste terceiro milénio em que a democracia, a boa governação, a luta contra a pobreza e as injustiças sociais estão na agenda, a gestão do País, deve ser a obra de todos os Angolanos e devemos fazê-lo de maneira consensual e transparente.

 A época que caracterizou o capitalismo do Estado e de tudo que pode assemelhar-se ao monopartidarismo, como a intolerância, a destruição da economia e do tecido sócio-cultural, a fim de reconstruir um sistema antiquado, de triste memória, tudo isso, está ultrapassado.

 Hoje, todos falam do Diálogo Nacional mas não fazem alusão aos valores regionais. Como se pode reconciliar a nível nacional, sem conciliação, quando a base que são as regiões, está inteiramente negligenciada?

 Da colonização à independência, do Marxismo à democracia pluralista, as regiões rurais do Norte, do Leste e do Sul, foram sempre vítimas de tratamento desumano, de vexames dos mais humilhantes, enquanto que o dinheiro do Povo roubado duma maneira indecente na gestão, vem destas regiões, que são e fazem parte do espaço socio-cultural maioritário do País.

 O fracasso do Poder público na garantia do desenvolvimento, da segurança económica e social das populações destas regiões abandonadas, apesar das suas incomensuráveis riquezas naturais, demonstra a irresponsabilidade e a fraca visão do sistema de governação vigente do País, o que a longo prazo poderá vir a suscitar descontentamentos e posteriores reivindicações no seio das populações de tais regiões, que não vivem com a mínima decência.

 A existência deste reino de impunidade é uma das causas da decadência moral actual da nossa sociedade. E temos a nítida impressão de que a repetição e a proliferação desses casos, são fruto dos desleixos que podem perigar a paz, visto que a paz numa sociedade não é um valor absoluto, ela depende das épocas, das circunstâncias e das culturas.

 Sabemos que, uma paz que subjuga é uma bomba de retardador, porque ela contém o germe da vingança e ela não liberta do medo, de vinganças, do ajuste de contas, de contestações de toda a espécie e da instabilidade política.

 A consolidação da paz e a Reconciliação Nacional são antes de tudo, um problema de cultura, de educação e de desenvolvimento.

 A paz e a Reconciliação Nacional vêm da base organizada no seio de estruturas associativas, democráticas, não poluídas pelas querelas politiqueiras, mantidas pelos partidos políticos.

 Demos a palavra ao Povo, é a exigência contemporânea e é também o que nos ensina cada vez mais a democracia. Agir de outra maneira, é defender, entre amigos, pactos e interesses egoístas, em detrimento do Povo angolano.

 O eventual deixar a perder de vista a realização das eleições porque é a impressão que nos parece dar, faz-nos pensar que o regime não quer a paz. Vítor Hugo disse: “no contesto do sufrágio universal, ao dar aos que sofrem um boletim de voto, tira-se-lhes a espingarda. Ao dar-lhes a potência, dá-se-lhes a calma”.

 Dominemos o nosso egocentrismo e não nos perguntemos o que é que ganharemos com isso, mas o que ganhará o Povo.

 Insistimos, porque é nosso dever de apelar, uma vez mais, para o reforço da Reconciliação Nacional e em nome de todos os patriotas angolanos, à Assembleia Nacional, para que se debruce, séria e profundamente sobre a proclamação do 15 de Março, como FERIADO NACIONAL, honrando assim Angola e os seus Mártires e os seus Heróis.

 Aliás, é de lembrar que o Governo de Transição de Angola havia publicado no B.O. nº 28, I Série de 03/02/75 o Decreto nº 1/75, que determina que os dias 4 de Fevereiro, 15 de Março e 25 de Dezembro, sejam considerados feriados nacionais em todo o território nacional.

 Surpreende-nos, portanto que o Governo anterior, exclusivamente dirigido pelo MPLA e o Governo de Unidade e Reconciliação Nacional, que inclui outras formações políticas, continuem a ignorar o 15 de Março, de carácter sublime e altamente patriótico, sem o qual, não haveria, nem liberdade, nem independência para Angola.

 O Governo anunciou e efectuou parcialmente o registo gratuito dos adultos, com vista ao recenseamento eleitoral, bem como a outorga do Bilhete de Identidade. É uma medida que nós aplaudimos, mas constatamos que milhares de Angolanos continuam à espera do consequente Bilhete de Identidade.

 Dizem-nos os interessados, que são informados pelas autoridades competentes que não há, nem impressos, nem plásticos, para a confecção dos Bilhetes de Identidade.

 Custa-nos  crer em tal informação, porquanto isso penaliza as aspirações dos cidadãos, que por falta do Bilhete de Identidade são privados dos seus direitos de viver tranquilos no seu País e usufruir dos meios de sobrevivência cujo acesso é condicionado à posse do referido Bilhete de Identidade, tais como o emprego, viajar, ou exercer actividades que requeiram anuência ou autorização das autoridades.

 O que é grave em tudo isto, muitos desses cidadãos lutaram para libertar o País do jugo colonial e hoje são vilipendiados e abandonados à sua sorte!

 Diz um ditado que “é pior mostrar comida a um faminto e não lha dar, que de recusar a dar-lha sem a mostrar”.

 Apelamos ao Governo de Angola para que envide todos os esforços a fim de encontrar rapidamente uma solução a mais este falso problema, e que se tranquilize essa parte da população que só se identifica com recibos sem fotografias.

 E recordamos que o mesmo empenho com que os órgãos de comunicação social deram a cobertura do anúncio do evento, seja o mesmo com que os serviços de identificação nacional deverão ter com a preparação dos Bilhetes de Identidade.

 No plano interno partidário, temos a anunciar que apesar dos entraves feitos pelos nossos adversários, através da Quinta Coluna, conseguimos realizar depois do último Congresso, sete Assembleias Provinciais Electivas de Militantes, nas respectivas Províncias.

 Durante o mesmo período foram realizadas várias visitas às Províncias pelos Quadros do Partido e de igual modo, os Delegados Provinciais deslocaram-se várias vezes à Sede em Luanda no quadro de consultas periódicas.

 Realizamos igualmente alguns Cursos de Formação de Agentes Eleitorais no quadro da preparação das próximas eleições.

 Estamos a preparar, apesar dos obstáculos disseminados através do nosso percurso, o Congresso Extraordinário, que elegerá a nova Direcção para pôr termo às elucubrações e manobras dos traidores contra o Partido com o qual não conseguem identificar-se.

 Entretanto, ocorreram alguns actos de indisciplina que foram parcialmente sancionados pela Comissão Ad Hoc de Disciplina, e outros estão a ser inqueridos com toda a imparcialidade, para determinarmos as sanções a serem aplicadas.

 O que o Povo espera hoje, é a contribuição de todos os seus filhos, para reconstruir o País completamente arruinado. É a ajuda às populações regressadas das florestas, deslocadas e regressadas do exílio no fim da guerra.

 As primeiras dificuldades que elas enfrentam, são a burocracia tendenciosa ao longo das fronteiras, como as extorsões por parte das autoridades, etc. Na mesma ordem de ideias, é a preparação das eleições democráticas, livres e transparentes que interessa o Povo, porque ele exige mudança, em todos os domínios, político, social, económico e cultural.

 As eleições livres, transparentes, justas e democráticas, são a única via para restabelecer a verdadeira paz civil e social e o desenvolvimento harmonioso do País.

 Não podíamos terminar, sem felicitar calorosamente todos os Dirigentes, Militantes, Simpatizantes e Amigos pela coragem, determinação e dedicação que durante os momentos mais difíceis, demonstraram ao seu Partido. Esperamos que todos, como um só homem, respondamos PRESENTE! no momento em que o Partido nos chamar, tal como foi durante os combates pela libertação da Pátria.

 Desejamos a todos, Festas Felizes e um Ano Novo Próspero e que Deus esteja connosco.

FNLA OYÉ !
TODOS POR UMA ANGOLA!
UMA ANGOLA PARA TODOS!
LIBERDADE E TERRA!

 Muito obrigado.