Há quarenta e seis anos, mais precisamente a 4 de Janeiro
de 1961, os destemidos camponeses da Baixa do Kassanji levantaram-se como
um só homem para dizer basta à exploração colonial e à violação dos
direitos fundamentais dos trabalhadores. Os camponeses trabalhavam em
condições desumanas nas plantações de algodão da COTONANG sob vigilância
dos esbirros do exército colonial português e de outros mercenários.
Os camponeses aplicaram à letra as orientações , que
consistiam em destruir todos os instrumentos de repressão, as alfaias
agrícolas, as casas comerciais dos colonos que vendiam o peixe seco podre
e a fuba com prazo expirado, exigir a abolição do sistema de trabalho
forçado, melhores condições de trabalho, melhor salário e alojamentos
condignos. A resposta não se fez esperar: a máquina colonial portuguesa de
repressão entrou em acção com uma barbaridade jamais vista, bombardeando
os acampamentos dos trabalhadores, aldeias e plantações. Uma verdadeira
chacina! Continua até hoje desconhecido o número exacto de mortos, mas nós
temos a certeza que pereceram, vítimas da repressão sanguinára das hordas
coloniais portuguesas, milhares de homens, mulheres e crianças.
Passados quarenta e seis anos ainda se questiona se valeu
a pena pagar um preço tão alto pela liberdade, o respeito dos direitos
humanos e pela indepedência. A resposta é, sem equívocos, afirmativa.
Valeu a pena, porque a Revolta Patriótica da Baixa Kassanji foi a acção
percursora da Luta de Libertação Nacional, que durou 14 anos e que
culminou com a independência de Angola.
Assim, mais do que polemicarmos em volta da paternidade da
acção heróica dos intrépidos camponeses da Baixa de Kassanji lançada a 4
de Janeiro de 1961, importa enaltecermos a bravura e a determinação
daqueles dignos filhos de Angola que, pagando com o seu sangue acenderam o
facho da liberdade, inspirando o 4 de Fevereiro, e finalmente o 15 de
Março de 1961, inicio da Luta de Libertação Nacional.
É, pois, neste espirito que a Presidência da FNLA apela a
todos os verdadeiros patriotas independentemente da sua filiação política,
para que nos recolhamos com veneração ante a memória de todos aqueles que
tombaram pela liberdade e a independência de Angola.
Este é o momento de rendermos uma merecida homenagem à
todos os Heróis vivos e mortos, lembrando aos órgãos de soberania que já é
mais do que tempo de erguer um verdadeiro MONUMENTO AOS COMBATENTES DA
LIBERDADE num lugar apropriado para que as gerações vindouras, e mesmo as
actuais, tenham um testemunho vivo do heroismo de todos aqueles que deram
suas vidas para que Angola se tornasse livre e independente.
A Presidência da FNLA apela igualmente aos órgãos de
soberania para que se elaborem programas exequíveis de enquadramento e de
assistência social multiforme aos sobreviventes, às viúvas e aos órfãos de
guerra, sem olvidar evidentemente, a elaboração de programas de
desenvolvimento sócio-económico das regiões mais atingidas por todas as
guerras que tiveram lugar no nosso País.
Se esta postura for assumida pelos órgãos de soberania,
será a resposta mais eficiente e digna às reivindicações das populações
das regiões onde se desenrolaram os combates mais mortíferos e
destruidores. Esta atitude contribuiria grandemente para a consolidação da
Paz social, sem a qual o nosso País nunca conhecerá a estabilidade e a
convivência política indispensáveis a consolidação da democracia
pluripartidária.
Celebremos, pois, o 46º aniversário da Revolta Patriótica
da Baixa de Kassanji juntos e irmanados no espirito de Reconciliação
Nacional de Cabinda ao Cunene. Honremos e dignifiquemos os nossos heróis,
sem olharmos para as cores políticas, porque eles sacrificaram-se por
Angola de todos nós.
HONRA E GLORIA AOS NOSSOS HEROIS
TODOS POR UMA ANGOLA, UMA ANGOLA PARA
TODOS
LIBERDADE E TERRA
GABINETE DO PRESIDENTE DA FNLA, em Luanda, aos 4 de Janeiro de 2007.-