DISCURSO PROFERIDO PELO
PRESIDENTE INTERINO DA FNLA,
IRMÃO NGOLA KABANGU,
NA SESSÃO DE ABERTURA DA REUNIÃO
DO COMITE CENTRAL,
NO MUSEU DE HISTÓRIA NATURAL, EM
LUANDA, DIA 4 DE SETEMBRO DE 2007
Caros Irmãos Membros do Comite Central,
Permitam-me antes de tudo saudar-vos e agradecer a vossa
presença, que demonstra de maneira inequívoca o quanto estamos todos
determinados e empenhados na árdua tarefa, que consiste em balizarmos os
caminhos que deverão levar-nos irmanados, juntos e unidos ao Congresso
Extraordinário, nos dias 5, 6 e 7 de Novembro de 2007.
Com a morte física do nosso Inesquecível Líder Histórico e
Presidente da FNLA, Irmão Álvaro Holden Roberto, o nosso Partido está hoje
mais do que nunca face ao seu destino, o que exige de todos nós esforços
redobrados no sentido de transcendermos tudo aquilo que ainda nos divide,
e nos empenharmos afincadamente na luta pela consolidação da coesão e
unidade internas da Grande Familia FNLA.
Assim, esta reunião deverá, pois, dar a cada um de nós a
oportunidade de contribuir positivamente para a preparação do nosso tão
almejado Congresso Extraordinário. Elevemo-nos, priorisando o essencial,
em outros termos, elejamos a verdade, a justiça e a transparência,
qualidades fundamentais que nos ajudarão a transpor com serenidade, as
diferentes etapas conducentes à Magna Assembleia do nosso Partido, o
Congresso.
Também penso que esta reunião permitirá aquilatar o
engajamento de cada um de nós na nobre tarefa de minorarmos as
dificuldades logísticas e materiais. Acredito que muitos contribuiram com
aquilo que tinham, mas a maior das contribuições, é a nossa presença hoje
e aqui, no seio do verdadeiro Parlamento do Partido, o Comité Central.
A nossa proposta de agenda está recheada de temas claros,
precisos e poderia mesmo dizer, bastante ricos, porque trata-se de
questões básicas relacionadas com a preparação do nosso Congresso
Extraordinário.
Concentremo-nos, pois, na nossa Agenda, relegando para o
passado tudo quanto seja de carácter litigioso. O que importa agora, é o
que seremos capazes de fazer juntos e unidos para que a sociedade e as
gerações vindouras possam julgar-nos.
Estamos todos de parabéns por termos conseguido, apesar
das dificuldades, estarmos uma vez mais juntos, para traçarmos o caminho
que nos conduzirá serenamente ao nosso Congresso, que nos trará a
esperança e a promessa de trilharmos de pés firmes, o caminho dos grandes
desafios que se avizinham. É também aí, que a nossa inquestionável postura
democrática e a nossa capacidade de adaptação aos requisitos e exigências
legais serão evidenciados, não para vanglória partidarista mas para o
enriquecimento dos ensinamentos a prodigar ao nosso povo.
A reunião do Comité Central realiza-se num momento
político muito especial porquanto nos aproximamos da fase final do
processo de Registo Eleitoral em todo o território. Em fórum próprio e,
através dos nossos representantes, já expressamos as nossas preocupações,
não deixando evidentemente, de felicitar a CIPE e o seu Coordenador, Sua
Excelência o Senhor Ministro da Administração do Território pelos
resultados obtidos.
Contudo, gostaria de chamar a atenção da CIPE para que se
empenhe um pouco mais na fiscalização do processo de recolha de fotocópias
de Cartões de Eleitores por parte dos Partidos Políticos, visto que o que
assistimos e registamos diariamente em certas províncias não é muito
abonatório para o clima de tolerância e de serenidade para o qual todos
nós temos contribuido.
Com efeito, certos Partidos Políticos utilizam métodos
intimidatórios para extorquir de pacatos cidadãos fotocópias de Cartões
de Eleitores. Os principais Mercados do País e outros locais são
transformados em centros de aliciamento com a mesma finalidade.
É, pois, imperioso que se ponha ordem no circo, caso
contrário, estar-se-ia a criar as condições para uma mega fraude
eleitoral, o que poderia perigar a estabilidade política e social do País
com as consequências que se advinham.
Penso que ainda se pode corrigir o que está errado, e
caminharmos serenamente em direcção à outras fases do processo eleitoral,
tais como a reavaliação do próprio processo de Registo Eleitoral e dos
cadernos eleitorais.
Ainda sobre o processo eleitoral, preocupa-me o facto de
até agora, Sua Excelência o Senhor Presidente da República não ter marcado
a data oficial para as duas eleições, legislativas e presidenciais.
Continuamos com horizontes bastantes latos, o que dificulta sobremaneira a
tarefa dos Partidos Políticos no tocante à definição dos seus calendários
eleitorais.
Aproveito, pois, a oportunidade que me oferece esta magna
Assembleia, para lançar um apelo patriótico ao mais alto Magistrado do
País para que use das suas perrogativas constitucionais e marque a datas
oficiais das duas eleições, correspondendo assim aos profundos anseios dos
Angolanos de Cabinda ao Cunene.
A democracia é, certo, uma nova cultura em Angola mas que
nos ajudará a edificar o homem novo em Angola, abrindo-se espaços de
intervenção e de participação dos cidadãos na gestão da coisa pública. É
por este tipo de sociedade que nós lutamos politicamente, porque
acreditamos que isso permitirá realizar o programa maior do nosso Partido,
que consiste em libertar totalmente o Homem Angolano.
Atingida esta meta, a palavra LIBERDADE TERRA terá o seu
sentido pleno, e jamais deveríamos ver o homem angolano subalternizado na
sua própria terra !
Voltando à reunião do Comité Central, estou convicto que
os sinais que ela emitirá, em forma de resoluções e decisões, criarão a
verdadeira dinâmica que impulsionará todo o processo preparatório do
Congresso Extraordinário, aprazado para os dias 5, 6 e 7 de Novembro, e
isto em respeito às orientações deixadas pelo Inesquecível Líder Histórico
e Presidente do nosso Partido, Irmão Álvaro Holden Roberto.
Costuma dizer-se na gíria popular o seguinte e cito:
“Se a palavra convence, o exemplo arrasta multidões”
fim de citação. Aquele que é FNLA, sente-se FNLA e vive a realidade da
FNLA, não se afasta dos ideais deixados pelo nosso Inesquecível Líder.
Esses ideais estão aqui convosco, vós que sois os continuadores da sua
obra.
Por estar certo de comungarmos, todos, os ideais de
Liberdade e Terra, desejo-vos, queridas irmãs e queridos irmãos, um
proveitoso exercício democrático, durante os debates, para que triunfem os
valores republicanos próprios de um Estado Democrático de Direito.
Irmãs e Irmãos Membros do Comité Central,
Penso ter definido, tal como mandam as normas estatutárias
e regulamentares, os marcos do nosso vasto campo de acção.
Por conseguinte, apelo a todos os presentes para que nos
empenhemos como um só homem, demonstrando uma vez mais a nossa maturidade,
firmeza e determinação de caminharmos juntos e unidos rumo ao Congresso
Extraordinário.
Declaro aberta a reunião do Comité Central, convocada em
conformidade com o preceituado nos nossos Estatutos e no Regulamento
Interno.