Exmos. Senhores:

Presidente da Assembleia Nacional e Vice-Presidentes,

Presidente do Tribunal Supremo,

Primeiro Ministro e Outros Membros do Governo,

Procurador Geral da República,

Corpo Diplomático acreditado em Angola,

Digníssimos Deputados,

Caros Convidados, 

Este, é um dos momentos mais altos de convergências do nosso Estado merecendo de nós a solenidade compatível ao evento. Meditamos com rigor por todos aqueles que de forma inspirada puderam sacrificar-se através da sua pena ou da sua espada e escreveram a História deste país para que nós nos tornásemos um Estado Livre, Independente e Soberano. 

A nossa presença neste Quadro não pode tão sómente significar uma formalidade cíclica mas sim, a manifestação programática e pragmática para a sublimação ou realização dos ideais inscritos na consciência de cada um de nós. 

Por vezes, arrastados pela cupidez ou concupiscência, renunciamos o mandato representativo ou imperativo para o qual fomos inscritos através do acto eleitoral. 

A Nação sente-se dilacerada e urge uma síntese social através de compromissos. Parece-nos repugnante que um Angolano tenha de ser caracterizado do exterior como se um líder para o nosso país tivesse o aval externo e as eleições fossem apenas um acto teatral. Temos que, como panaceia, procurar a união ou a conciliação dos opostos aqueles que contribuíram para a constituição de Estado. As distorções sociais internas não podem, de forma alguma, preterir compatriotas e preferir-se os não nacionais, concluindo-se deste modo, uma aliança objectiva tão insana quanto nefasta. 

Quanto à nossa Assembleia Nacional, é imperativo que tome as rédeas no âmbito das suas funções. A Assembleia Nacional, porquanto representativa, não pode através das suas funções tratar apenas os interesses partidários como se fosse um congresso de embaixadores representando os interesses dos respectivos Estados por anologia às Bancadas Parlamentares aos respectivos Partidos Políticos. 

Ao longo das legislaturas observamos anomalias na governação e um empenho pouco aceitável que se reflete na vida pública da Nação que nós representamos. 

O nosso País não pode progredir sem que haja uma verdadeira unidade nacional condição necessária para a produtividade. As discriminações contribuem para as distorções Sociais e elas são de ordem política, social e económica. A discriminação social, de origem política é volutiva e evolutiva degenerando-se sem controlo, gerando outro tipo de desigualdades sociais e económicas. As classes sociais engendradas por essa discriminação implica degenerescência do tecido ou citologia social, provocando crises incontroláveis. 

O grande paradoxo do nosso País é o de se afirmar potencialmente rico em contraste com a miséria dos Angolanos. 

Não é conatural que a grande inteligência que governa este país, permaneça insensível a inexorável degenerescênia dos Angolanos. È certo que aparentemente e a olho nu, o Estado está envolvido em grandes trabalhos de que nos podemos apenas orgulhar se estivessem em paralelo com a evolução social. Antes pelo contrário, a nível estrutural observamos o menosprezo de todos quantos deram do melhor de si para esta Pátria lá onde se encontravam inseridos. 

Lamentamos, da nossa parte, que um Governo responsável se empenhe em empreendimentos para pompa e ostentação quando carecemos de hospitais, escolas, luz e água potável. A existência de um projecto de construção de uma baía artificial, não será um insulto à consciência colectiva e à dignidade humana de quem não tenha um mínimo de Subsistência? 

Infelizmente, vivemos num país de descartabilidade. Exemplos sociais mais gritantes referem-se aos trabalhadores da Angonave ou ainda da Taag Charter, para não sermos exaustivos, deixados no abandono, sem inserção social ou indeminização, afastados pura e simplesmente do seu vínculo laboral de forma abjecta, sem a merecida atenção das entidades públicas ou governamentais. Porque a forma mais fácil, para certos governantes, constata-se, de solucionar tais diferendos é deixar os trabalhadores esquecidos ao abandono, esperando que as nuvens turbulentas se dissipem ou que a morte extinga o seu vínculo jurídico. Ao que nos parece a via negocial deveria ser preferencial para se sanar os diferendos. 

A expressão de “Cabinda ao Cunene” não é tão peregrina e nem sempre tem um alcance pratico confrontada com os acontecimentos que nesta parte Setentrional onde se desenrola um conflito umas vezes latente, outras vezes emergente. Não se chega a uma forma conclusiva para serem dirimidos, na medida em que não se pretende atingir senão os fenómenos e as negociações se tornam da natureza “Simulambuco”. 

Excelentissimos Senhores, 

Na qualidade de Presidente da Bancada da FNLA, exorto as instituições políticas a uma tomada de consciência para que doravante, as injustiças determinadas por acções não convenientes, cheguem ao seu termo. 

Que o aparelho da justiça, ou seja, os Tribunais se tornem literalmente autónomos e soberanos no exercício e âmbito das suas funções. 

Outrossim, que a Assemnbleia Nacional seja tão soberana quanto autónoma, fazendo com que a sua função não seja maculada por concessões ou negligência na assunção da fiscalidade dos actos do Governo e da aplicação das leis. 

Quanto ao Governo, esperamos que tenha uma acção mais benéfica aos cidadãos porque chegamos à conclusão que certos actos podem provocar a pobreza em vez de combatê-la, quando não se constroem Escolas e Hospitais públicos, mas sim os privados fazendo com que os beneficiários destas instituições dados os custos sejam em número reduzido. 

Torna-se notório o aumento de contingente estrangeiro sem visto de trabalho, mas que a coberto de certos organismos exercem funções em detrimento dos nacionais. 

Continuamos a observar os salários mais baixos no contexto planetário, se tivermos em conta certos parâmetros, tais como, o índice inflacionário o encarecimento da vida e as riquezas que este país ostenta. Para erradicar a probreza uma das condições essenciais, seria a adequação do salário, que fosse digno e compatível com as riquezas e o nível inflacionário do país. 

Sendo assim é razoável, e é a nossa proposta que o salário mínimo Nacional seja na ordem de 500 USD (Quinhentos Dólares Americanos) se isso não se verificar de imediato, estaríamos a adiar o progresso da Nação, e a contribuir para o genocídio do povo Angolano. 

Excelências, 

Fico-vos grato pela atenção disponível 

Tenho dito 

BANCADA PARLAMENTAR DA FRENTE NACIONAL DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA,

 “FNLA” em Luanda, aos 15 de Outubro de 2007