DISCURSO PROFERIDO PELO PRESIDENTE DA FNLA, IRMÃO NGOLA KABANGU, POR OCASIÃO DA 1ª SESSÃO DO COMITÉ POLÍTICO NACIONAL, NO TEATRO AVENIDA, EM LUANDA,       AOS 17 DE NOVEMBRO DE 2007 

Caros Membros do Comité Político Nacional, 

Permitam-me, antes de tudo, saudar-vos e felicitar-vos pela vossa confirmação como Membros do Comité Político Nacional, constituído na base  de  um consenso, felizmente, alcançado no Congresso Extraordinário.  

Com efeito, todos vós sabeis que, devido à postura anti-democrática dos que remam contra os ventos da história, o processo eleitoral interno que deveria culminar com a eleição do Comité Político Nacional foi, infelizmente obstruido, tendo por conseguinte alterado sobremaneira a Agenda de Trabalhos do Congresso Extraordinário. Não fosse esse comportamento anti-militante e pertubador, todos nós seríamos democrática e serenamente eleitos nos moldes previstos. Mas, isso fica ressalvado porque esta reunião realiza-se no quadro e no espírito do Congresso Extraordinário e corresponde com os anseios profundos dos Delegados e do conjunto da Grande Família FNLA, que apelam para que todos órgãos centrais, o Comité Político Nacional, a Comissão Política Permanente, bem como outras estruturas à nivel central e provincial, sejam rapidamente instituídas e confirmadas, criando assim as condições básicas para a reimplantação e redinamização das actividades do Partido em todo o espaço nacional. 

Estamos pois, aqui hoje, reunidos para dar continuidade ao programa traçado conjuntamente  com o nosso malogrado Timoneiro, Irmão Álvaro Holden Roberto, que consiste em restruturar, reorganizar e reimplantar o Partido em todo o território nacional. Mas  para tal, será necessário que nos empenhemos todos, contribuindo não só com o nosso saber, mas também e sobretudo com a nossa presença física quando solicitados. 

Com a instalação dos dois principais órgãos centrais do Partido depois do Congresso, e a nomeação do Vice-Presidente e do Secretário Geral estão criadas  condições estatutárias e políticas para que nos preparemos para fazer face aos grandes desafios que se aproximam dentre os quais se destacam, sem sombra de dúvida, as próximas eleições gerais, a Reconciliação Nacional e a Reconstrução global do País. 

Como podeis constatar, a tarefa é imensa, necessitando para tal de Militantes e de Quadros consequentes, determinados e disponíveis. Devemos eleger o trabalho de campo como  a forma mais adequada para assegurar o enquadramento, a informação e a formação dos nossos Militantes e Simpatizantes em todo o espaço nacional. A FNLA é fundamentalmente um Partido de massas devendo, pois, funcionar no seio delas e com elas em permanência. 

A FNLA, como  força política histórica, que desempenhou um papel fundamental e de destaque na Luta de Libertação Nacional, deverá igualmente cuidar do relançamento da sua diplomacia tanto no plano interno como  externo. Para esta árdua mas nobre tarefa,  o Partido deverá contar com os seus numerosos Militantes, Simpatizantes e Quadros espalhados em todos os Continentes. 

Assegurada a restruturação, a reorganização e reimplantação do Partido em todo o território nacional e junto das Comunidades Angolanas no exterior, deveremos nos concentrar na preparação do Partido para a sua participação plena nas próximas eleições legislativas e presidenciais.  

Sabemos que existem tentativas que vão no sentido de nos inviabilizar, privando-nos de uma vitória certa nos dois pleitos eleitorais, mas a nossa determinação e firmeza acabarão por triunfar como triunfamos da teimosia salazarista que pretendia remar contra a corrente.  

No que concerne às eleições legislativas, será necessário definir critérios claros, éticos, morais e democráticos para apurar os Quadros que deverão candidatar-se a Deputados à Assembleia Nacional. Desse exercício dificil mas imperioso, dependerá em muito a nossa vitória nas eleições legislativas, que poderá abrir-nos o caminho para igualmente alcançarmos a vitória nas eleições presidenciais aprazadas para 2009. 

Precisamos, pois, de um Partido restruturado, reorganizado, reimplantado em todo o território nacional e disciplinado para atingirmos os objectivos a que nos propusemos. Estou consciente dos inúmeros obstáculos que se colocarão no nosso percurso, mas a nossa determinação, firmeza e a nossa fé farão a diferença. Ontem fomos os líderes na Luta de Libertação Nacional, hoje devemos sê-lo no combate político e democrático para impulsionarmos as grandes transformações que deverão ser operadas de maneira justa e equilibrada no nosso país nos domínios político, social, económico e cultural. 

Todas as tarefas  acima inumeramos serão levadas a cabo  com base nas orientações do Comité Político Nacional, passando pela Comissão Política Permanente, nos intervalos do Congresso, a Instância Dirigente Suprema do Partido, mas deverão ser executadas por um Secretariado Geral devidamente estruturado, actuante e com uma clara visão de vitória. Em outras palavras, tanto a Comissão Política Permanente, como o Secretariado Geral deverão constituir equipas ganhadoras integradas por quadros plenamente conscientes da suas responsabilidades e com alto sentido de Estado. 

Caros Irmãos Membros do Comité Político Nacional,

Eis, a FNLA que todos os Angolanos de Cabinda ao Cunene esperam. Nós somos a esperança de todos aqueles que vivem profundamente amargurados e vitimizados pela desgovernação da Terra que resgatamos das garras do colonialismo português, pagando um preço muito alto: milhões de mortos, de paralíticos, de viúvas e de órfãos espalhados por todo o País. Contabilizamos igualmente milhares de Angolanos que continuam a suportar o peso esmagador de ser refugiado nos países vizinhos e não só. 

É por todos eles que nos batemos politica e democraticamente para impulsionar a mudança pela via das urnas. As eleições legislativas, embora ainda sem uma data fixa e oficial, é primeira meta do processo eleitoral que almejamos, colocando na balança todo o nosso peso político e histórico. Para tal, percorreremos e nos empennharemos em todo o território nacional, dando a conhecer aos Angolanos de todos os quadrantes sociais o nosso Projecto de Sociedade, o nosso Programa de Governo, que garante aos Angolanos liberdade, justica social e bem estar sócio-económico. 

Voltando à situação dos que continuam distantes da verdade e da honestidade intelectual, só quero dizer-lhes muito fraternalmente, que o Congresso Extraordinário aberto, participativo, transparente e democrático constituiu uma soberana oportunidade para o reforço do diálogo interno directo, fraterno e democrático. 

Os Congressistas, em nome da Grande Família FNLA, pronunciaram-se nas urnas, proclamando clara, inequivoca e democraticamente um vencedor. Este veredicto ditou igualmente o fim da campanha eleitoral. Infelizmente,um dos candidatos, derrotado, não soube dar provas de “fair play”, nem de urbanidade, preferindo resvalar para a periferia, em termos mais concretos, lançar-se numa maratona “ a solo”. Lamento, mas penso que o tempo e a própria dinâmica do Partido o trarão de regresso à Casa Mãe onde há lugar para todos os filhos. 

O bom senso acabou por vir ao de cima mas eu diria mais,  a humildade, a probidade moral e a honestidade intelectual falaram mais alto. Concretamente estou a me referir ao exercício de elevação militante e patriótica feito pelo outro Candidato, Irmão Miguel Damião, que soube virar a página, disponibilizando-se para os desafios que o seu Partido do coração terá de enfrentar. Esta postura merece do Presidente do Partido e dos Militantes, Simpatizantes e Amigos da Grande Família FNLA uma menção especial.  

É, pois, com militantes como o irmão Damião, que caminharemos, seguros e determinados rumo á vitória nas próximas eleições gerais. Não nos deixaremos distrair pelo canto da sereia, porque ao longo dos dez tumultuosos anos ( 1997-2007) aprendemos muito e retiramos deles preciosos ensinamentos.  

Caros  Membros  do Comité Político Nacional, 

Não poderia terminar a minha intervenção sem fazer menção, ainda que de maneira resumida, do processo assembleiário de renovação de mandatos que será levado a cabo pelo Secretariado Geral, em todo o território nacional. Será a sequência do que acabamos de fazer com a eleição do Presidente do Partido e com a constituição consensual e democrática do Comité Político Nacional. Todos nós devemos nos submeter ao crivo dos militantes e os que reunirem os critérios exigidos e que confirmarem o seu pleno engajamento, respeito, vontade de respeitar e de aplicar tanto os ensinamentos do nosso malogrado Líder Histórico, Irmão Álvaro Holden Roberto, como os programas aprovados pelo conjunto do Partido, esses receberão, certamente, o voto de confiança dos seus co-militantes. 

Assim, teremos da base ao topo, um Partido assente e a funcionar sob bases democráticas universais. Se exigimos a democratização profunda da sociedade, uma governação democrática e transparente, devemos começar por nos cultivar democraticamente nós próprios. Quem quer arrumar a casa de outrem, deve começar por arrumar a sua, primeiro. 

Agora sim termino, saudando-vos uma vez mais, felicitando-vos pelo vosso empenho, espírito de abnegação e de entrega total. Consentistes os mais altos sacrifícios, mas podeis estar certos de que eles se transformarão em boa semente colocada em terra fertil. Não tardará muito, e colheremos todos nós os frutos que almejamos : estabilidade, coesão e unidade internas, respeito e a confiança dos Angolanos de Cabinda ao Cunene. Que rico e consciente investimento, e aposta inteligente no futuro! 

Dito isto, declaro encerrada a prmeira sessão do Comité Político Nacional e até breve. 

YEMBE OYE 

FNLA OYE

TODOS POR UMA ANGOLA, UMA ANGOLA PARA TODOS

LIBERDADE E TERRA

Muito Obrigado