ESPECIAL 15 DE MARÇO DE 2006
RELATO
 

15 de Março de 2006. Hoje, portanto. São 10h30. Estamos na sede municipal do Comité da FNLA de Cacuaco, em Luanda, onde vão se desenrolar as celebrações do 45º Aniversário do Início da Luta Armada no nosso País.

 
Faz um calor que passa dos 39º à sombra. Mais de mil pessoas  assentadas debaixo de duas alas cobertas de lonas, estas atadas em paus, engenhosamente decorados, que deixam ao meio um pátio.
 
Duas unidades móveis da Polícia Nacional asseguram a ordem e a tranquilidade.
 
Para quem entra no recinto, vê ao fundo do pátio, a fechar o u com as duas alas, a tribuna. As cores garridas da FNLA, só em si, atraem os que passam. Vive-se um ambiente de festa.
 
Na tribuna estão, O Presidente Álvaro Holden Roberto, o Vice-Presidente Ngola Kabangu, o Secretário Geral Interino Nimi a Simbi, uma Senhora à direita, um Mais Velho à esquerda e, na extrema direita da tribuna, o Secretário Geral da Juventude da FNLA. 
 
Na ala direita estáo os convidados, dentre os quais se destacam o Presidente do PDP/ANA, Sediangani Mbimbi, o Vice-Presidente da UNITA, Ernesto Mulato, o Representante dos POCs Manuel Fernandes, o Representate do PRS, o Secretário para os Assuntos Políticos do PAJOCA , o Comandante da 6ª Divvisão da Polícia Nacional, acompanhado de alguns oficiais. Ao lado dos convidados estão os membros do Comité Central da FNLA, Mulheres, Antigos Combatentes, Jovens e Simpatizantes.
 
Na ala esquerda, vêm-se os Deputados da FNLA, os membros do Bureau Político da FNLA, as dirigentes da AMA, muitos Antigos combatentes, as Mulheres e Militantes. A banda de música, dá os primeiros tons do ''Mbandu yayi, mbandu ya FNLA''  o que quer dizer ''esta geração é da FNLA'' . O povo agita-se, as mulheres que combateram nas matas, os Antigos Combatentes e os jovens invadem o pátio e a farra começa.
 
A prestação da banda é interrompida pela entrada do grupo teatral, cujos elementos trajados de Ndulu (tecido feito de casca de árvore, usado pelos guerrilheiros da UPA no início da Luta de Libertação Nacional, que substituia a falta de vestuário tradicional) que transportam um quadro ilustrativo dos bombardeamentos dos militares portugueses e suas consequências na área de Nambuangongo/Dembos. No quadro que transportam vê-se uma série de Angolanos atingidos mortalmente pelos estilhaços das bombas. Nos seus cànticos reafirmam   que mesmo a morte não conseguirá quebrar a sua determinação na luta pela liberdade e terra. 
 
O protocolo  anuncia o início das celebrações. A banda executa o Hino do Partido, cantado por todos os Militantes. Segue-se a oração dita pelo Rev. Pastor Gomes de Miranda, que é curta, eloquente e evidente. O Secretariado geral abre as alocuções com um comunicado que anexamos, lido por Ndonda Nzinga, membro do Secretariado.    Segue-se  a leitura da mensagem dos Antigos Combatentes, da AMA e da JFNLA. Todos, nas suas mensagens, têm dois pontos de convergência: primeiro, são unânimes em reconhecer que os governantes angolanos não fazem o suficiente para a felicidade do Povo angolano pelo qual muitos Antigos Combatentes perderam as suas vidas; segundo, condenam as manobras fraccionistas de alguns irmãos, mormente o desplante e a prepotência dos mesmos em convocarem reuniões para as quais não têm competência estatutária. O Presidente do PDP/ANA, vem a seguir e lê a sua mensagem. É imediatamente seguido pelo Vice-Presidente da UNITA que num improviso, dirige-se aos Militantes da FNLA. Há, nos discursos dos dois comvidados, duas convergèncias: ambos reconhecem serem antigos militantes da UPA e comungam os mesmos sentimentos de indignaçãoo pelo desprezo dos  Antigos Combatentes pelo Governo; reconhecem que o 15 de Março é o ''o início da luta de libertação nacional'' e o último exige que pelos menos uma rua das nossas cidades venha a ter este nome. O ponto culminante é  o discurso do Presidente Álvaro Holden Roberto:  faz a autópsia da situação do País, indica pistas e aconselha. Acusa o MPLA de gerir, em vez e no lugar da FNLA, a conta desta última que, por conseguinte, provoca a fome, a miséria e a morte entre os nossos Militantes. Compara Lucas Ngonda à mulher que na história bíblica,  diante do Rei Salomão, aceita que se mate o bebé disputado por ambas, porque não era dela, enquanto que a verdadeira mãe, suplica ao rei para que não mate o menino. O rei devolve o menino à sua verdadeira mãe (a conclusão é nossa).   Holden Roberto que endurece o tom da sua voz sentencia: Ninguém tem o direito de dispor da vida dos outros a seu belo prazer nem considerar Angola como sua propriedade privada. É com estas palavras que termina o seu discurso.
São quase 13 horas quando o Presidente deixa o comité de Cacuaco, num mar de braços agitados.
 
PIPE-LINE - SERVIÇO DE PARTILHA DA INFORMAÇÃO DA PRESIDÊNCIA DA FNLA
 
DIRECÇÃO DO PROTOCOLO

PROGRAMA DO ACTO CENTRAL DA CELEBRAÇÃO DO QUADRAGÉSIMO QUINTO ANIVERSÁRIO DO INÍCIO DA LUTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL, DIA 15 MARÇO DE 2006, COMITÉ MUNICIPAL DE CACUACO, MUNICÍPIO DE CACUACO

8h00 : Chegada dos Militantes
9h00 : Chegada dos Membros do Comité Central, Bureau Político, AMA, JFNLA, Comité Municipais, Comunais, Bairros e Células
9h30 : Chegada do Secretário Geral Interino
 9h45 : Chegada do Presidente e do 2º Vice-Presidente 
10h00 : Chegada da Imprensa
10h30 : Entoação do Hino do Partido
-1 minuto de silêncio
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Breve oração pelo Reverendo Gomes Miranda
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Breves intervenções da Organizações de Massas
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Discurso do Presidente
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Entoação da Marcha Revolucionária
13h00 : ENCERRAMENTO

  DIRECÇÃO DO PROTOCOLO DA FNLA, em Luanda, aos 15 de Março de 2006.

Gabinete do Secretário Geral Interno
COMUNICADO

Hoje 45 anos contados, comemora-se a efeméride do 1º dia do fim do império colonial português, o 15 de Março de 1961.

Álvaro Holden Roberto anunciava nos Estados Unidos de América o início da Luta de Libertação de Angola.

Motivados por Frantz Fanon de naturalidade antilhana, de nacionalidade argelina, de origens remotas dos Dembos (Angola), os angolanos organizados pela UPA, actualmente FNLA, desencadearam uma guerra para resgate da sua liberdade e a sua terra.

Aquele homem com sangue guerreiro dos Dembos ensinara aos guerrilheiros da UPA como acabar com o complexo de inferioridade, retaliando os massacres de 4 de janeiro e os 500 anos de barbáries e crueldade de um colonialismo dos mais hediondos do mundo.

O 15 de Março foi feito com 2 objectivos fundamentais – Liberdade e Terra.

Não foi uma acção selvática, como muitos apologistas do colonialismo e neocolonialismo deixam crer, mas foi uma reacção perante tantos séculos de abusos e de sofrimentos incomensuráveis.

O 4 de janeiro e o 4 de Fevereiro também protagonizados pelos angolanos através da UPA, cujos mentores principais foram respectivamente o Comandante Francisco Mariano e o soba Teka dia Kinda para o 4 de janeiro e Manuel Joaquim Mendes das Neves e Neves Bendinha pelo 4 de Fevereiro, antecederam a acção de 15 de Março.

As acções citadas de 4 de Janeiro e de 4 de Fevereiro foram deliberadas, efémeras, limitadas, localizadas e circunscritas em áreas e momentos próprios, enquanto o 15 de Março foi o início de uma longa e dura luta ininterrupta e generalizada em 2/3 do Território angolano que culminou em 10 de outubro de 1974, com a assinatura do cessar-fogo entre  a FNLA encabeçada pelo Presidente  Holden Roberto e o Governo Português representado ao mais alto nível pelo General Fontes Pereira de Melo, Chefe da Casa Militar do Presidente da República Portuguesa.

É assim que foi a FNLA, o único Movimento de Libertação de Angola a apresentar em 1974 prisioneiros de guerra feitos durante os combates renhidos com o exército colonial Português.

A FNLA combateu o regime fascista português e não o Povo português porque esse último beneficiou dessa luta para se libertar em 25 de Abril de 1974 do fascismo.

Quanto a uma presumível reunião do Comité Central convocadas para os dias 13 e 14 de Março pelo Secretário Geral da FNLA suspenso, acarretando uma medida de destituição a ser apresentada no congresso, temos a dizer o seguinte :

A convocação de qualquer órgão central do Partido é da competência exclusiva do Presidente do Partido de acordo o quadro jurídico-legal, tudo que se fizer fora desse quadro é pura e simples subversão, passível e punível nos termos dos Estatutos, Regulamento s Interno e Código de Disciplina do Militante da FNLA.

Esse acto dos nossos Irmãos viola grosseiramente as competências do Presidente do Partido que só pode deixar de sê-lo num congresso por ditame dos Militantes e não por uma decisão de meia dúzia de indivíduos, pelo que passamos a denunciá-los inequivocamente e pedimos aos nossos Militantes para estarem atentos a essas manobras maquiavélicas.

No tocante às eleições gerais do País a FNLA apela ao bom senso de sua excelência senhor José Eduardo dos Santos, Presidente da República de Angola para convocar ainda este ano as eleições visando repor a legalidade constitucional que implicará à normalidade funcional dos órgãos do Estado como  corolário do ditame do Povo.

LIBERDADE E TERRA

 GABINETE DO SECRETÁRIO GERAL INTERINO, em Luanda, aos 15 de Março de 2006. 

O SECRETÁRIO GERAL INTERINO, NIMI A SIMBI

(Membro do Bureau Político)

 

Gabinete do Presidente

Discurso do Irmão Álvaro Holden Roberto,

Presidente da FNLA alusivo à Comemoração do 45º Aniversário do Início da Luta Armada de Libertação Nacional, no Comité Municipal de Cacuaco, aos 15 de Março de 2006

Distintos Convidados,

Minhas Senhoras, Meus Senhores,

Minhas Irmãs e meus Irmãos,

Nesta data inesquecível inscrita nas páginas da nossa História a fogo e sangue, recordamos mais uma vez o grito de libertação contra uma submissão de cinco séculos. O nosso Partido na altura a UPA, foi o intérprete da vontade colectiva de todos os angolanos e assumiu a responsabilidade de desferir esse golpe que se viria a mostrar fatal para o colonialismo português.

Hoje, a FNLA é o partido político que herdou e encarna os ideais de “LIBERDADE E TERRA” pelos quais ainda hoje lutamos, no plano político, para que as conquistas da independência não se percam na voragem das ambições que dominam o nosso querido País.

Muitas vezes ouvimos dizer que os tempos são outros, que o nosso combate deve ser diferente, que devemos adaptar-nos às novas realidades, aceitar as coisas como elas são ou parecem ser. Nós dizemos que NÃO, porque a libertação pela qual lutámos, para todos os angolanos sem excepção, está ainda muito longe da esmagadora maioria dos nossos compatriotas. Angola não é só Luanda, ou mais algumas grandes cidades como Benguela e Lobito, cidades para onde confluíram as populações assoladas pela guerra, pela insegurança, pela carência de todo o tipo de infra-estruturas.

O resto de Angola, seja o seu extenso e rico litoral e o seu interior profundo,  está transformado num deserto sem esperança e sem remédio à vista. Faltam hospitais, serviços de saúde, faltam escolas, o ensino está reduzido a quase nada, não há meios de transporte que assegurem a liberdade de circulação das pessoas e seus bens.

As pessoas são forçadas a trocar o abandono a que estão votadas no interior, pela vida nos grandes centros onde a sobrevivência lhes parece mais fácil mas onde cedo ou tarde constatam que estão dentro de um poço de mil perigos desde a insalubridade, falta de higiene, focos de doenças mortais por todo o lado, um número infindável de armadilhas que a falta de respeito pelos seus mais elementares direitos cívicos e humanos vai espalhando um pouco por toda a parte. De tal forma que quem chega hoje a Luanda, 45 anos depois do nosso grito de revolta   em Angola, e 30 anos depois da declaração da nossa independência, não pode deixar de ficar arrasado pela imagem de retrocesso, como se o colonialismo tivesse voltado a implantar-se entre nós de uma forma nova, como um vírus que se transforma à medida que se procura  usar remédios insuficientes para o atacar.

Para quem via no colonialismo uma das formas de discriminação mais condenáveis em que apenas   poucos tinham privilégios, hoje vemos que as discriminações mais graves, entre a maior das opulências e a maior das misérias se estabeleceu, pouco a pouco entre os próprios angolanos. Hoje  é a pobreza radical, o pauperismo, a privação dos mais elementares bens e condições de vida digna, a barreira que divide quem vive em Angola.

O êxodo rural que devia ser a primeira preocupação, está sendo votado ao esquecimento porque o governo   prefere entregar-se a obras nos centros urbanos que custam  milhões de dólares por envelope, onde uma boa parte desses valores é encaminhada aos bolsos privados sob forma de comissões, em vez de privilegiar a construção de mais escolas, e muito mais hospitais com farmácias no interior do país e outros projectos rurais como cooperativas, fornecimentos de utensílios, sementes etc., cujos custos não ultrapassariam as  centenas de milhares de dólares por envelope.

Uma vez criadas as condições no interior, estamos convencidos de que, com a paz que reina na maioria do território, grande parte dos nossos compatriotas trocariam imediatamente a cidade pelo campo.

Esta data não é portanto ainda uma data para celebrar com alegria e entusiasmo que antevíamos quando lançámos há tantos anos atrás o nosso movimento de libertação. É ainda um tempo cheio de anseios e desejos contidos, desprezados e esmagados por um poder que governa para contento de uma minoria.

Pode dizer-se que as eleições de 1992 provaram o contrário e que o MPLA obteve nas urnas a confiança para governar que lhe foi concedida por perto de 50% dos votantes. Mas será que se pode dizer que hoje os 50% da população com mais de 18 anos de idade voltaria a dar-lhe essa mesma confiança? Cada um, na intimidade do seu coração responderá por si.

Cada um conhece a verdade e cada um sabe o que recebeu de útil em termos de saúde, de educação, de trabalho, proporcionado pelo Governo do MPLA ao longo de todos estes anos. É certo que alguns angolanos se podem gabar de poder mandar os seus filhos estudar com bolsas no estrangeiro, que alguns têm acesso a boas clínicas na cidade de Luanda, que alguns poucos têm hoje casa com água corrente, rádio e televisão e uma vida com muitas vantagens com que apenas podiam sonhar antes da independência.

Mas será que todos esses angolanos privilegiados constituem a maioria em Angola? Qualquer pessoa vê que não  se trata infelizmente de uma minoria e desgraçadamente uma bem pequena minoria. Fora de Luanda as condições de saúde e de ensino são de uma precariedade, fraqueza e incapacidade desoladoras. O mesmo se pode dizer da exploração agrícola estagnada e cada vez mais deserta de braços para trabalhar a terra pela qual os homens do 15 de Março deram as suas vidas num combate desigual contra o colonizador que ao menos mantinha os angolanos acima da linha da miséria em que hoje nos afundamos.

As próximas eleições ainda não marcadas e sem data à vista irão certamente dar uma oportunidade para os angolanos, com a maturidade necessária para um julgamento do Governo do MPLA, darem uma nova direcção ao País. Precisamos de nos preparar para essas eleições, passarmos palavra a todos os nossos militantes, começar a trabalhar hoje como se as eleições fossem já amanhã.

O MPLA vai arrastando de ano para ano o calendário eleitoral e os angolanos, sobretudo a maioria dos angolanos mais sofredora vai adormecendo nesse abandono a que está votado, chegando a abeirar-se da indiferença, dum estado de sonolência política em que já nem acreditam que as eleições quando um dia vierem, façam alguma diferença.

A nossa palavra hoje não é um grito de libertação como o lançado  há quarenta e cinco anos mas um apelo ao despertar dos mais sonolentos, dos mais indiferentes, dizer-lhes que está próximo o dia em que nos será posta nas mãos a única arma que importa usar para mudar o nosso presente e o nosso futuro: o VOTO.

É preciso que se diga que a democracia iniciada em 1992 foi como um fruto que cresceu, amadureceu e está a cair de podre. Não existe em parte nenhuma do mundo, uma democracia que se contente com umas eleições cujos resultados contem para todo o sempre como se faz aqui em Angola.

Estamos neste momento a viver uma democracia nominal, uma democracia que já não é, e se arrisca a converter-se no seu contrário, ou seja numa ditadura de uma minoria cristalizada que é o MPLA e que está dependurada como uma fotografia antiga na moldura bonita que é a nossa Assembleia Nacional.

Está na altura de mudar a fotografia, está na altura de voltar a dar, finalmente, a palavra aos eleitores, ao povo angolano. A FNLA quer por isso eleições em 2006 como foi prometido várias vezes pelo Senhor Presidente da República.

O Senhor Presidente da República disse recentemente que não haverá eleições antes de serem reabilitadas as estradas e os caminhos-de-ferro. Nós somos favoráveis a todas as obras de reconstrução nacional, sobretudo agora que a paz reina em quase todo o território angolano.

Mas não podemos deixar a consulta popular ao povo angolano dependente dessas obras públicas. Trata-se de obras que vão durar anos, talvez mais de uma dezena de anos. Daqui a dez anos apenas uma minoria dos eleitores de 1992 terá sobrevivido para voltar a votar pela segunda vez. Já hoje mais de metade dos eleitores eram jovens sem direito de voto em 1992. São estes jovens que vão decidir o futuro deste País.

Quem vos diz isto é alguém que já passou a barreira dos oitenta. Não são ambições políticas que me animam e me obrigam a fazer mais esta exortação. Diz-se que o diabo não sabe mais do que os outros por ser diabo mas porque é muito velho. Nós em África e muito especialmente aqui em Angola respeitamos profundamente os nossos mais-velhos, porque eles são pessoas de muita experiência.

Os anos passaram mas o nosso combate continua, o mesmo que nasceu sob o lema de liberdade e terra que marcou o nosso grito de revolta e que hoje eu queria que fosse um grito de alerta e de vigilância, mas que também se converta num grito de esperança, porque Angola pode ser melhor do que está para o povo angolano.

Não fazemos oposição ao Governo, às suas políticas e acções, por fazer. Achamos que nem tudo o que tem sido feito tem sido mau e certamente que nas circunstâncias atravessadas, de guerra civil, era difícil fazer melhor. O actual Governo é até um Governo de Unidade e Reconciliação Nacional o que permite reconhecer o mérito de envolver mais angolanos nas tarefas de governação. A FNLA não tem tido nesse Governo qualquer participação relevante, mas não é por isso que não reconhecemos a vantagem de um Governo de Unidade Nacional.

No entanto, o que dizemos é que as expectativas de um Governo desta natureza ficaram largamente frustradas, campeando o desemprego dos jovens nos meios urbanos, o abandono dos angolanos a condições degradantes e insuportáveis no interior do País, e os resultados positivos de que tanto se tem orgulhado o Governo apenas têm sido em benefício de um número muito reduzido de angolanos muito afortunados e privilegiados através da cleptomania   e da corrupção. Este estado de coisas só é possível devido à flagrante e escandalosa impunidade que existe no país. 

Se por qualquer razão os padrões morais são seriamente afectados numa sociedade, a nível político, seguir-se-á inevitavelmente o colapso desses mesmos padrões em todas as áreas, no desporto, no lazer, na educação, nas finanças no governo e noutros sectores vitais.

Nem todos poderão ser acusados de corrupção mas o aproveitamento privilegiado a que uma pequena minoria da população tem tido acesso é moralmente censurável. A falta de um tratamento justo e igualitário entre todos os angolanos tem sido um factor de profunda revolta que mais cedo ou mais tarde irá explodir. Por vezes pode pensar-se que em Angola não há oposição ao Governo  porque alguns  Partidos estão integrados nessa solução política que torna as eleições menos prioritárias do que as obras de reconstrução nacional. Todavia são esses marginalizados sociais e de entre estes os jovens que não querem ver adiado o seu futuro por tempo indeterminado que estarão na primeira linha da oposição às políticas do MPLA que estão a ser seguidas sem resistências partidárias.

Os jovens para quem o presente está ameaçado e querem salvar com urgência o seu futuro vão ser a grande fonte de desagrado e de censura ao Governo e que nada nem ninguém poderá fazer parar. É hoje em nome deles e para eles, em homenagem aos feitos do 15 de Março, que levantamos  a nossa voz.

Levantamos ainda a nossa voz, para exigirmos do Governo  de pôr imediatamente fim à guerra em Cabinda, que consideramos uma ameaça à integridade territorial de Angola, porque o prosseguimento da guerra aumenta o perigo de desintegração do País.

Em que consiste então, a tão apregoada paz em Angola?

Achamos que a paz, deve reinar em toda a extensão territorial, de Cabinda ao Cunene. Quando uma parte do corpo está doente, é todo o corpo que adoece.

A FNLA quer dizer bem claro e bem alto que somos e seremos uma força de cooperação, aberta ao diálogo com o Governo, para melhorar as condições de vida dos angolanos, mas seremos uma força de irredutível oposição contra a continuação, perduração e consolidação de todos os aspectos negativos do Governo que para a nossa desgraça, são muito mais do que os positivos.

Caras  Irmãs e caros Irmãos,

Quero deixar a cada um de vós uma mensagem pessoal de agradecimento por todas as mensagens de apoio e amizade que me têm feito chegar todos os dias. Os meus anos na chefia da FNLA deram-me muito orgulho mas não ignoro o peso da responsabilidade sobretudo nestes dias em que estamos a falar e a olhar para o futuro. Nem tudo tem corrido conforme as nossas previsões e nem sempre foi possível corresponder a tempo às vossas ansiedades. Fica no entanto de pé a confiança nos nossos militantes e no seu órgão supremo que é o seu Congresso. Queremos assegurar-vos que estamos a envidar todos os nossos esforços no sentido desse Congresso se realizar o mais rápido possível.

Neste Congresso, as grandes linhas políticas para o nosso Partido, quer a nível interno quer em relação ao País deverão ser aprovadas e estabelecida a liderança do Partido, com toda a legitimidade e seriedade.

Quanto a não  realização do Congresso Extraordinário,   a mesma se até agora ainda não teve lugar  porque o MPLA e o seu governo ainda gerem a nossa conta bancária. Os irmãos que tanto queriam a realização do Congresso, cativaram o  cheque que iria  propiciar a eleição dos delegados  provinciais e posteriormente dos delegados ao Congresso e, ultimamente, interferiram nas diligências da Direcção do Partido, provocando o bloqueio da nossa conta bancária pelo Ministério das Finanças. Todos seguiram a entrevista televisiva do irmão Lucas Ngonda,  1º Vice Presidente do nosso Partido, que declarou ter sido ele que ordenou ao Governo para bloquear a nossa conta. Onde já se viu um alto responsável dum Partido, combinar com adversários, para provocar a miséria e a fome a milhares e milhares de Militantes? Porque todos também sabem que com esse dinheiro, pagamos os permanentes, que com o pouco que recebem sustentam as suas famílias. É com este dinheiro que resolvemos alguns problemas de saúde e sociais que os Militantes apresentam.

Isto faz-nos pensar na história bíblica do Rei Salomão, quando ele ordenou a entrega do bebé à sua verdadeira mãe, evitando assim a morte deste que era disputado entre duas mulheres, uma incitando o rei a dividir o bebé entre ambas, cortando-o meio e outra, debulhada em lágrimas, suplicando ao rei para que o bebé fosse entregue à outra. (I Reis, 16-28)                 

Pelos vistos estão mais interessados na desorganização e sabotagem da FNLA do que na sua efectiva organização, rumo aos desafios que se avizinham.

A todos peço  paciência e confiança hoje renovadas à luz do exemplo daqueles que morreram para que hoje vivêssemos com outra esperança, com outros horizontes, acreditando que esta terra nos foi dada pela Providência para nela vivermos em liberdade com dignidade, independência e prosperidade e ninguém tem o direito de considerá-la como propriedade privada, dispondo das vidas dos outros a seu belo prazer. NINGUÉM !

Viva a FNLA !
Liberdade e Terra !
Todos por uma Angola !
Uma Angola para todos !
VIVA ANGOLA !

ASSOCIAÇÃO DOS ANTIGOS COMBATENTES

AAC

MENSAGEM DOS ANTIGOS COMBATENTES, POR OCASIÃO DA CELEBRAÇÃO  DO QUADRAGÉSIMO QUINTO ANIVERSÁRIO DO INÍCIO DA LUTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL

Irmão Presidente Álvaro Holden Roberto,

Irmão 2º Vice-Presidente, Ngola Kabangu,

Irmão Secretário Geral Interino Nimi a Simbi,

Irmãos Membros do Comité Central e do Bureau Político,

Irmãs e Irmãos Militantes,

Celebramos hoje o quadragésimo quinto aniversário do início da Luta de Libertação Nacional com os pensamentos virados para aquela histórica e inesquecível data, 15 de Março de 1961, em que muitos de nós aqui presente tomaram uma parte activa e decisiva.

Tal como no passado, os Antigos Combatentes respondem presente, associando-se como Militantes de base à  todos os esforços do Partido no sentido de exigirmos do Governo e de outros órgãos de soberania o enquadramento sócio-económico a que temos direito por lei e por mérito. Afinal de contas, somos parte integrante dos patriotas angolanos que tudo deram para a nossa querida Pátria, Angola.

Passados 45 anos desde o início da Luta de Libertação Nacional, pensamos que já é tempo que se olhe para os Antigos Combatentes, não como inimigos, mas como compatriotas dignos que merecem consideração e respeito da parte dos órgãos de soberania.

Os Antigos Combatentes são cidadãos de pleno direito e, como tais, gostaríamos de participar tanto no processo de reconciliação nacional no da reconstrução do País com a mesma determinação demonstrada em 15 de Março de 1961.

Queremos lembrar a todos, neste dia solene e de júbilo, que os Antigos Combatentes são antes de tudo, Militantes de base da FNLA, não podendo pois ficar indiferente às manobras urdidas pelos fraccionistas com a finalidade de destruir a essência histórica do nossos Partido e desviá-lo dos seus objectivos.

Assim, denunciamos e condenamos energicamente todo o atropelo aos Estatutos e ao Regulamento Interno da FNLA. Os órgãos centrais do Partido, o Bureau Político, o Comité Central e o Congresso só se devem reunir devida e oficialmente convocados pelo Presidente legítimo do Partido, Irmão Álvaro Holden Roberto, em estrita conformidade e obediência às normas estatutárias e regulamentares.

Não subscrevermos, pois, decisões que saiam de reuniões clandestinas, ilegais e subversivas. Em democracia, as normas estatutária e regulamentares livremente aceites e aprovadas por todos devem ser respeitadas e aplicadas.

Voltando à celebração do quadragésimo quinto aniversário do início da Luta de Libertação Nacional, queremos renovar o nosso incondicional e indefectível apoio ao Líder Histórico e Presidente da FNLA, Irmão Álvaro Holden Roberto, o inesquecível Comandante-em-Chefe do ELNA. O nosso firme apoio é extensivo à Direcção do Partido, assegurando-a da nossa participação efectiva e activa na preparação do Congresso Extraordinário.

FNLA OYÉ !
ANTIGOS COMBATENTES OYÉ !
TODOS POR UMA ANGOLA !
UMA ANGOLA PARA TODOS !
LIBEREDADE E TERRA

 ASSOCIAÇÃO DOS ANTIGOS COMBATENTES, em Luanda, aos 15 de Março de 2006

ASSOCIAÇÃO DAS MULHERES ANGOLANAS
AMA

MENSAGEM DA COORDENAÇÃO  NACIONAL DA ASSOCIAÇÃO DAS MULHERES ANGOLANAS, POR OCASIÃO DA CELEBRAÇÃO  DO QUADRAGÉSIMO QUINTO ANIVERSÁRIO DO INÍCIO DA LUTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL

Irmão Presidente Álvaro Holden Roberto,

Irmão 2º Vice-Presidente, Ngola Kabangu,

Irmão Secretário Geral Interino Nimi a Simbi,

Irmãos Membros do Comité Central e do Bureau Político,

Irmãs e Irmãos Militantes,

As mulheres reagrupadas no seio da Associação das Mulheres Angolanas, saúdam e felicitam neste dia histórico e memorável o ex-Comandante–em-Chefe  do ELNA, Líder Histórico da FNLA, Irmão Álvaro Holden Roberto, os Antigos Combatentes, homens e mulheres.

Ao nos associarmos às celebrações do quadragésimo quinto aniversário do início da Luta de Libertação Nacional, lembramo-nos de todos os heróis tombados no campo de honra, das viúvas e dos órfãos que vivem em condições inaceitáveis em todo o território nacional.

Como todos vós sabeis, as mulheres angolanas na altura filiadas na histórica e gloriosa União das Populações de Angola – UPA – desempenharam um papel de destaque na luta que travámos durante anos contra o poder colonial português. A mulher era guerrilheira, educadora, assistente social, esposa dedicada e inseparável companheira do guerrilheiro do ELNA.

Tal como os homens, as mulheres angolanas consentiram inúmeros sacrifícios para que Angola se tornasse livre e independente. É, pois, justo que perguntemos hoje aos que governam Angola, qual o lugar e os  direitos das mulheres angolanas. Como estão elas enquadradas na sociedade ? Têm as mesmas oportunidades que os homens em termos de formação e de promoção social e económica ? Pensamos sinceramente, que muito pouco se tem feito para assegurar de maneira digna o lugar e o papel da mulher na construção da nova sociedade democrática angolana.

Em todos os aspectos, a mulher continua a ser a mais sacrificada, lutando quotidianamente contra todo o tipo de dificuldades. O acesso à educação é problemático e nalguns casos mesmo impensável, o desemprego e a prostituição adulta e infantil parecem ser as pragas que acompanham as mulheres no dia a dia.

Como podeis, pois, constatar o balanço quarenta e cinco anos depois do início da Luta de Libertação Nacional é negativo sobretudo para as mulheres em geral.

Não gostaríamos de terminar sem fazer referência à situação difícil que o nosso Partido vive com o aparecimento de comportamentos fraccionistas no nosso seio. Todos nós clamamos e almejamos a realização do Congresso Extraordinário, mas não podemos aceitar que se atropelem os Estatutos e o Regulamento Interno que todos nós aceitamos e aprovamos no Congresso de Reconciliação realizado de 18 a 22 de Outubro de 2004.

Nunca é demais reafirmar que quem tem competência estatutária para convocar o Comité Central e o Congresso Extraordinário, é o Presidente legítimo do Partido, Irmão Álvaro Holden Roberto. Este é o quadro legal e legítimo que todos os Militantes e Simpatizantes respeitam e aceitam. Fora disso, tudo é violação e subversão que devem ser energicamente denunciadas e combatidas democraticamente.

Finalmente, lançamos um apelo à todas as mulheres, Antigos Combatentes e jovens para que redobremos os esforços e cerremos fileiras em torno do Líder Histórico e Presidente da FNLA, Irmão Álvaro Holden Roberto.

FNLA OYÉ !
AMA OYÉ ¡
TODOS POR UMA ANGOLA ¡
UMA ANGOLA PARA TODOS !
LIBERDADE E TERRA !

A COORDENAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO DAS MULHERES ANGOLANAS, em Luanda, aos 15 de Março de 2006.

Gabinete do Secretário  Geral da JFNLA

Mensagem do Secretariado Geral da JFNLA, por ocasião da celebração do quadragésimo quinto aniversário do inicio da Luta de Libertação Nacional, 

Irmão Presidente Álvaro Holden Roberto

Irmão 2º Vice-Presidente Ngola Kabangu, 

Irmão Secretário Geral Interino Nimi a Simbi, 

Irmãos  Membros do Comité Central e do Bureau Político,

Irmãs e Irmãos,

Em nome do Secretariado Geral e de todos os membros da JFNA, saudamos a celebração do quadragésimo quinto aniversário do inicio da Luta de Libertação Nacional, e felicitamos muito especialmente o Líder Histórico do nosso Partido, o Irmão Presidente Álvaro Holden Roberto que, com justa razão, designamos como o HOMEM DO 15 DE MARÇO DE 1961. As nossas felicitações são extensivas aos Antigos Combatentes do ELNA e a todos os patriotas que tornaram possível o sonho de todos os angolanos de Cabinda ao Cunene, a saber a LIBERDADE E A INDEPENDÊNCIA NACIONAL.

Neste dia memorável os nossos mais profundos pensamentos direccionam-se para todos aqueles que tombaram ao longo dos catorze heróicos anos de luta sem tréguas contra a opressão e exploração coloniais.

O 15 de Março de 1961foi um feito histórico sem precedentes ao sul do Sahara, marcando a determinação de um povo de pôr fim ao colonialismo mais retrógrado que a história jamais conheceu. Foi uma luta, certo, desigual em termos logísticos, mas gloriosa e vitoriosa.

Hoje, volvidos 45 anos desde que os destemidos guerrilheiros do heróico e glorioso ELNA desferiram os primeiros golpes mortíferos contra o exército colonial português, será que podemos considerar que os objectivos traçados foram atingidos? Que ganhos reais e visíveis têm as nossas populações, sobretudo os Antigos Combatentes que continuam a viver em condições sócio-económicas incríveis e insustentáveis.

A juventude angolana, em geral, continua a enfrentar as piores vicissitudes, o desemprego, a prostituição, a delinquência desenfreada e o analfabetismo, permanecendo o Governo insensível aos constantes apelos lançados por ela.

O quadragésimo quinto aniversário do início da Luta de Libertação Nacional celebra-se num momento decisivo para o nosso Partido, a realização do tão almejado Congresso Extraordinário.

O Secretariado Geral da JFNLA, em nome de todos os jovens filiados na FNLA, reitera a sua determinação de lutar política e democraticamente contra todos os atropelos aos Estatutos e ao Regulamento Interno do Partido. A convocação  e a orientação das reuniões dos órgãos centrais do Partido, o Bureau Político, o Comité Central e o Congresso são da competência estatutária do Presidente do Partido, Irmão Álvaro Holden Roberto.

Assim, todo outro procedimento e vias contrárias às normas estatutárias são não só ilegais, mas também e sobretudo condenáveis. Lançamos , pois, do alto desta tribuna um apelo a todos os membros  da JFNLA para que denunciemos e travemos com determinação todas as movimentações e manifestações fraccionistas no seio do Partido.

Terminamos, saudando uma vez mais, o incansável Líder Histórico do nossos Partido, Irmão Álvaro Holden Roberto, os Valorosos Antigos Combatentes e os Militantes, Simpatizantes e Amigos da FNLA, em geral.

BEM HAJA A FNLA !
BEM HAJAM OS ANTIGOS COMBATENTES
TODOS POR UMA ANGOLA !
UMA ANGOLA PARA TODOS !
LIBERDADE E TERRA !

SECRETARIADO GERAL DA JFNLA, em Luanda, aos 15 de Março de 2006.