FRENTE NACIONAL DE
LIBERTAÇÃO DE ANGOLA
FNLA
A
FNLA , DESDE A SUA FUNDAÇÃO AOS DIAS DE HOJE
I. A LUTA DE LIBERTAÇÃO
NACIONAL E A NECESSIDADE DA CONSTITUIÇÃO DE UMA AMPLA FRENTE DE LUTA
Em 15 de Março de 1961,
devidamente estruturada e organizada, a histórica e gloriosa UNIÃO DAS
POPULAÇÕES DE ANGOLA - UPA - encabeçou a resistência nacional ao poder
colonial , através de uma série de acções militares coordenadas, numa
vasta área do território angolano, que compreendia as actuais províncias
de Cabinda, Zaire, Uige, Kuanza- Norte, Malange e Bengo, cujas
repercussões se fizeram sentir na capital e nas províncias do centro e do
sul do País. Estava assim , dado o início da Luta de Libertação Nacional.
Todavia, a medida a que as
acções militares se foram estendendo e a suscitar o apoio das forças
amantes da liberdade e da justiça no mundo, também se fazia sentir a
imperiosa necessidade de reunir as forças patrióticas numa ampla frente
capaz de conduzir a luta em todo o território nacional e coordená-la nos
domínios políticos, diplomáticos, económicos, sociais e culturais.
Após inúmeras diligências e
esforços junto de outras Organizações políticas existentes na época , mais
precisamente o Partido Democrático de Angola, liderado pelo patriota
Emanuel Kunzika, e o MPLA liderado por Mário Pinto de Andrade, a
Direcção da União das Populações chegou, finalmente, à um acordo com o
primeiro Partido, formando-se assim, em 27 de Março de 1962, em Kinshasa,
capital da actual República Democrática do Congo, a FRENTE NACIONAL
DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA - FNLA - .
Contrariamente ao que afirmam
os nossos detractores, a FRENTE NACIONAL DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA foi
formada com base numa verdadeira plataforma política, o que muitos
observadores políticos da época consideraram como sendo um acto de grande
valor político para o desenvolvimento da luta de libertação nacional, e
uma vitória dos nacionalistas angolanos.
Seria fastidioso, traçar aqui
o historial dos dois Partidos Políticos que formaram a FNLA, aliás
sobejamente conhecidos de todos nós, mas cumpre-nos o nobre dever de, em
poucas palavras, situá-los no quadro da história contemporânea de Angola.
1.
A
União das Populações de Angola, UPA, foi fundada em 28 de Novembro de
1958, em Léopoldville, tendo tido como antecessora a UPNA, ela própria
formada a 7 de Julho de 1954, na vila portuária de Matadi (República
Democrática do Congo) por um grupo de nacionalistas angolanos.
Apesar da "carga" da palavra
norte de Angola, a UPNA não era um partido de natureza tribal ou étnica
como muitos pretenderam afirmar. Na realidade, a palavra norte de Angola
se referia já ao espaço geográfico e não etno-linguistíco. Foi
precisamente essa disposição e o espirito de abertura que suscitaram
rapidamente uma grande adesão de angolanos oriundos das mais diversas
regiões de Angola. Citamos só como exemplo, o caso dos patriotas João da
Cruz Chisseva Kaluteho, natural do Huambo e co-fundador da Juventude
Cristã de Angola, João Baptista Traves Pereira, natural de Ongiva e
primeiro Comandante Operacional da UPA, Abreu Kayaya, Castro Tadeu, Adão
Kapilango, Jorge Alicerces Valentim todos naturais do sul de Angola, e de
tanto outros patriotas que entraram em contacto com a Direcção da UPNA
logo após a sua criação.
Todo trabalho de informação
e de mobilização, em nome da UPNA, foi iniciado pelo falecido Manuel
Barros Sidney Nekaka aquando da sua passagem por Luanda, em 1954, a
pretexto de renovação do seu Bilhete de Identidade. Um outro nacionalista,
que muito contribuiu para a divulgação e a expansão tanto da UPNA como da
UPA, foi o inesquecível Manuel da Costa Kimpiololo vulgo Kimpió, membro e
corista da Igreja Metodista de Luanda.
Os principais impulsionadores
da criação da UPA foram fundamentalmente os nacionalistas Manuel Barros
Siney Nekaka, John Eduardo Pinnock, André Rosário Neto, Borralho Lulendo,
J. António Vasco, Francisco Paka Nenganga, Frederico Deves, Garcia
Albertino Luvukumuka , Francisco Tove, Pedro Vida Garcia, Pedro Santos,
aliás Sadi , António Gonçalves Menino, Manuel Bernardo Massobele, Garcia
Diasiwa Roberto, Rocha Nefwani, Luís Da Costa (Jomo Kenyata), António
Narciso Carson Nekaka, que também era conhecido por Mayingui, Mendes
Mangwala, Cónego Manuel Joaquim Mendes das Neves, Castro Tadeu, Adão José
Kapilango, Jorge Alicerces Valentim, José João Liyahuca, Fernando Pio do
Amaral Gourgel, Mário Arsénio, Luisa Domingos Gaspar Gourgel , João
Baptista Traves Pereira, Francisco Pianga, , Alexandre Claver Taty,
Sebastião Lezi Roberto , Manuel da Costa Kimpiololo, aliás Kimpió, Liliana
Miguel, Dona Belina de Água Rosada, Pedro Visão, Luis Alfredo Inglês,
João César Correia, alias Mekwiza-Mekwenda. Poderíamos citar muitos outros,
mas como tencionamos prosseguir a nossa obra, com a publicação do MANUAL
DA HISTÓRIA DA FNLA, ficamos por aqui.
2.
O
Partido Democrático Angolano, formado em 1961, teve como antecessores a
ASSOMUZO (Associação dos Originários de Maquela do Zombo), fundada em 23
de Dezembro de 1956, em Léopoldville, e a ALIAZO (Aliança dos Naturais do
Zombo, fundada em 1959). Esta duas associações desempenharam um papel
importante na mobilização e enquadramento político dos angolanos
residentes no Congo Belga, actualmente República Democrática do Congo.
Estiveram na base da formação
do Partido Democrático de Angola (PDA), os nacionalistas André Massaki
Ndomikolay, Emanuel Kunzika, David Livramento, Ferdinand Ndombele,
Sebastião Lubaki Ntemo, Domingos Vetokele, Sanda Martin, Simão Kumpesa e
muitos outros valorosos nacionalistas.
A FNLA é, pois, fruto da
fusão de dois partidos nacionalistas que estavam profundamente enraizados
nas populações e com objectivos nacionalistas bem vincados e precisos,
factores que aliás possibilitaram a constituição de uma ampla plataforma
de luta política, militar e diplomática contra o poder colonial
português.
Como afirmamos mais acima, a
constituição da FNLA foi feita com base numa Convenção cujo conteúdo
político não deixava nenhuma dúvida quanto às suas intenções. Essa
convenção, elaborada em forma de Proclamação e de Constituição, descrevia
as razões profundas que impulsionaram os dirigentes da UPA e do PDA no
processo de formação da FNLA.
Com base nessa convenção, as
duas partes decidiram entre outras coisas, criar os órgãos de direcção da
FNLA, que eram os seguintes:
1º O Conselho
Nacional
2º A Comissão
3º O Comité
Executivo
a)
o
Conselho Nacional era o órgão supremo da FNLA e tinha a incumbência de
definir a política geral da frente ;
b)
a
Comissão, que foi criada no seio da Comissão Nacional, servia de
intermediária entre o Conselho Nacional e o Comité Executivo, e tinha a
missão de supervisionar este último órgão ;
c)
o
Comité Executivo era o órgão
encarregado
de aplicar as decisões do Conselho Nacional.
O Conselho Nacional, que era
composto de dez membros de cada partido e de cinco representantes do
embrião do futuro ELNA, era dirigido por um Presidente eleito.
O primeiro
Presidente do Conselho Nacional foi o patriota David Livramento , falecido
em Kinshasa, em 1962.
O passamento físico desse brilhante nacionalista constituiu uma perda
irreparável para a FNLA. Para a sua substituição, foi eleito o Reverendo
André Massaki Ndomikolay, escritor e historiador.
O Comité Executivo, composto
de seis membros, três de cada partido, era dirigido por um Presidente,
assistido de um Vice-Presidente, um Secretário Geral, um Secretário Geral
Adjunto, um Comissário às Contas e de um Tesoureiro.
Álvaro Holden Roberto e
Emanuel Kunzika foram eleitos respectivamente Presidente e
Vice-Presidente do Comité Executivo da FNLA, sendo portanto os dois
dirigentes mais destacados da frente tanto no plano nacional como
internacional.
Como já nos referimos mais
acima, a FNLA foi constituída com base numa plataforma política assinada
pelos principais dirigentes da UPA e do PDA, que foram denominados :
Fundadores :
Assinaram pelo PDA:
-Emanuel Kunzuka, David
Livramento, Ndombele Ferdinand, Sebastião Lubaki Ntemo, Domingos Vetokele,
Sanda Martin, Lulukilavo António Dontoni, Norberto Kiatulua, André Mvila
e Simão Kumpesa
Assinaram pela
UPA :
-
Álvaro
Holden Roberto, André Rosário Neto, Alexandre Claver Taty, Jonas Malheiro
Savimbi, José João Liahuca, Johnny Eduardo Pinnock, John Eduardo Pinnock,
J.António Vasco, Fernando Pio do Amaral Gourgel e Francisco Paka Nenganga.
Para uma melhor
compreensão do espírito que presidiu a criação da FNLA, transcrevemos aqui
de maneira fiel e integral a Convenção assinada pelo PDA e pela UPA:
II. FRENTE NACIONAL DE
LIBERTAÇÃO DE ANGOLA
FNLA
CONVENÇÃO
Nós abaixo assinados,
dirigentes da União das Populações de Angola - UPA - e do Partido
Democrático de Angola - PDA - antigamente "Aliazo"(Aliança dos Naturais
do Zombo), reunidos em sessão extraordinária, em 27 de Março de 1962,
adoptamos de comum acordo as medidas seguintes :
-
considerando o estado de injustiça social, de mau tratamento físico , de
humilhação no qual é mantido o Povo Angolano desde cinco séculos pelo
colonialismo português ;
-
considerando a atitude negativa do governo português em não reconhecer o
direito do Povo Angolano à autodeterminação, à negociar a ascensão de
Angola à independência nacional com as organizações nacionalistas
angolanas, autênticas representantes das legitimas aspirações do Povo
Angolano ;
-
considerando a recusa contínua do governo português de meter em aplicação
as recomendações contidas nas resoluções da Organização das Nações Unidas
concernentes à Angola ;
-
considerando o grau de evolução progressiva da luta armada levada a cabo
pelo Povo Angolano e que caracteriza um verdadeiro estado de guerra na
região norte do país ;
-
considerando, em fim, a necessidade eminente de reunir todas as forças
vivas do País numa Frente Nacional de Libertação capaz de conduzir a
revolução e de obter os meios necessários para o prosseguimento da guerra
e para a liquidação imediata do colonialismo português ;
Decidimos
" 1.unir as nossas forças
numa única Frente Nacional de Libertação para acelerar a independência do
país ;
2.reunir, numa Frente
Nacional de Libertação de Angola, todas as organizações realmente
representativas do Povo Angolano que aceitam a política geral da Frente .
Todavia, cada
candidatura será objecto de um estudo profundo por uma comissão cujas
prerrogativas são definidas no "Regulamento Interno" ;
3.orientar a
luta pela independência nacional de Angola na base de uma colaboração
fraternal entre todas as etnias de Angola, tendo em conta as regras
democráticas e o respeito da integridade territorial do país ;
4.instalar
numa Angola independente, um regime democrático que respeita as cláusulas
da "Declaração Universal dos Direitos do Homem ", que aplica a lei da
reforma agrária baseada no principio da terra para os que a trabalham, a
planificação económica, a industrialização do país, e que contribui à
liquidação total do regime colonial sob todas suas formas no Continente
Africano, para que a Unidade Africana seja uma realidade e uma força
actuante ;
5.adoptar a
política de não-alinhamento e de não- engajamento como principio de base
da política externa do governo, reafirmando contudo a vontade desse
governo de colaborar lealmente com todos os países prontos à respeitar a
sua soberania e que se inspirarão dos princípios de igualdade de todas as
raças e de todas as nações, grandes e pequenas, igualmente interessadas na
manutenção da paz no mundo."
III. A
NECESSIDADE DE UM APARELHO DIPLOMÁTICO E O NASCIMENTO DO GOVERNO
REVOLUCIONÁRIO DE ANGOLA NO EXÍLIO -GRAE-
Da união entre a
UPA e o PDA, celebrada em 27 de Março de 1962, nasceu pouco depois o que
faltava a FNLA, um verdadeiro aparelho governamental com a incumbência de
dirigir a luta nos domínios políticos, militares, diplomáticos, sociais e
culturais.
Para colmatar
esta lacuna foi, pois, constituído em Kinshasa, a 5 de Abril de 1962, o
Governo Revolucionário de Angola no Exílio reconhecido pela OUA e por
muitos países asiáticos do Bloco dos Não-Alinhados. O GRAE era presidido
por Álvaro Holden Roberto (Primeiro Ministro), assistido por Emanuel
Kunzika , na qualidade de Vice-Primeiro Ministro.
O GRAE era, na
verdadeira acepção da palavra, um verdadeiro Governo cuja composição era a
seguinte:
-Primeiro
Ministro..................................... Álvaro Holden Roberto
-1ºVice-Primeiro
Ministro......................... Emanuel Kunzika
-2ºVice-Primeiro
Ministro......................... Cónego Manuel das Neves
-Ministro do
Interior................................... John Eduardo Pinnock
-Ministro dos Negócios
Estrangeiros........ Jonas Malheiro Savimbi
-Ministro da Guerra...................................
Alexandre Claver Taty
-Ministro da Informação............................
André Rosário Neto
-Ministro das
Finanças.............................. Emanuel Ziki
-Ministro dos Assuntos
Sociais................. Ferdinand Ndombele
-Ministro da Educação...............................
André MVila
SECRETÁRIOS DE ESTADO
-Secretário de Estado da
Guerra............... Fernando P. A. Gourgel
-Secretário de E. N.
Estrangeiros............
Johnny Eduardo
Pinnock
-Secretário de
E. N. Estrangeiros
Adj. .. António Matumona
-Secretário de E. da
Informação............... Domingos Vetokele
-Secretário de E. das
Finanças.................. Ndombele Maurice
A saúde e a assistência aos
refugiados eram asseguradas pelos SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA AOS REFUGIADOS
ANGOLANOS - SARA - , dirigidos pelo Dr. JOSÈ JOÃO LIAHUCA, destacado
nacionalista angolano que iniciou os seus estudos de medicina em
Portugal, e concluiu-os na Universidade de Lovanium , em Kinshasa, capital
da República Democrática do Congo.
IV. A CONSTITUIÇÃO E A
PROCLAMAÇÃO DO EXERCITO DE LIBERTAÇÃO NACIONAL DE ANGOLA - ELNA -
A estruturação da FNLA foi
completada com a proclamação, em 16 de Agosto de 1962, do EXERCITO
DE LIBERTAÇÃO NACIONAL DE ANGOLA - ELNA - braço armado da FNLA
cuja base Central se encontrava instalada em Kinkuzu , uma aldeia que
dista 160 Kms de Kinshasa, capital da actual República do Congo
Democrático, cedida pelo Governo congolês, dirigido pelo Primeiro Ministro
Cyrille Adoula.
O primeiro Chefe do Estado
Maior do ELNA, foi o Veterano JOSÉ KALUNDUNGU, natural do Bailundo,
formado nos Maquis da "FLN-argelina", em 1962, em companhia de muitos
outros.
V. OS ESFORÇOS DA
FNLA EM PROL DA UNIDADE DAS FORÇAS PATRIÓTICAS
Convém sublinhar,
que a FNLA desde os primórdios da sua criação, declarou-se sempre aberta à
outras formações políticas angolanas que pretendessem filiar-se nela,
para em conjunto, levarem avante a árdua tarefa da libertação de Angola do
jugo colonial português.
Um mês depois da
chegada do falecido Dr. Agostinho Neto à Kinshasa, exactamente em 15 de
Agosto de 1962, realizaram-se contactos oficiais entre as Direcções da
FNLA e do MPLA. Infelizmente, e de uma maneira abrupta, os mesmos foram
interrompidos por iniciativa do MPLA, através de uma carta assinada pelo
falecido Dr. Agostinho Neto, destruindo assim todas as esperanças de
acolher no seio da FNLA os irmãos do MPLA.
Contudo, sempre
abertos à outras correntes do nacionalismo angolano, a Direcção da FNLA
acolheu no seu seio com grande satisfação os patriotas Viriato da Cruz,
Matias Migueis, José Miguel e muitos outros que haviam abandonado o MPLA
por razões ideológicas.
A presença de
Viriato da Cruz, Matias Migueis, de José Miguel e de seus seguidores, foi
de curta duração, tendo os dois últimos perecido em Brazzaville em
condições misteriosas. Desfalcado de seus dois companheiros, Viriato da
Cruz acabaria por deixar a República Democrática do Congo, rumando para a
República Popular da China onde viria a falecer anos mais tarde.
Apesar de todas essas
dificuldades de entendimento, A FNLA respondeu a um apelo da OUA no
sentido de constituir com o MPLA, um Órgão Unificado para conduzir a Luta
de Libertação contra o poder colonial português.
É assim, que a 13 de Dezembro
de 1972, foi constituído o Conselho Supremo de Libertação de Angola - CSLA
- . A presidência desse órgão unificado foi atribuída ao Irmão Álvaro
Holden Roberto, e a Vice-Presidência ao Dr. Agostinho Neto.
Infelizmente, devido as
crescentes divergências ideológicas, a unidade entre a FNLA e o MPLA
também não se realizou dessa vez, para grande tristeza dos angolanos e da
OUA que gostariam de ver as forças patrióticas angolanas reunidas numa
ampla frente de luta.
Entretanto, a FNLA prosseguiu
com determinação a luta contra o poder colonial português até à assinatura
do Acordo de Suspensão de Hostilidades, à bordo do Yate do Presidente
Mobutu , em 11 de Julho de 1974, e três dias depois, exactamente em 14 de
Julho, o Presidente Álvaro Holden Roberto, na sua qualidade de
Comandante-em-Chefe do ELNA, decretou, em nome da FNLA, a Cessação das
Hostilidades. Seguiram-se depois as Cimeiras de Mombaça (3, 4 e 5 de
Janeiro de 1975) , e de Alvor de 10 a 15 de Janeiro de 1975.
Lembramos igualmente que, ao
longo dos seus 41 anos de existência, a FNLA sempre se bateu pelo triunfo
dos nobre ideais de liberdade, paz e de justiça social para todos os
angolanos sem excepção.
VI. AS ETAPAS CRUCIAS DOS
CAMINHOS DA INDEPENDÊNCIA
O GOVERNO DE
TRANSIÇÃO
Como resultado
do Acordo do Alvor, foi empossado, em 31 Janeiro de 1975, o Governo de
Transição com a seguinte composição :
-CÓLEGIO
PRESIDENCIAL-
-
Primeiro Ministro................................
Johnny E.
Pinnock (FNLA)
- Primeiro
Ministro................................ Lopo F. do Nascimento(M)
-
Primeiro Ministro............................ José Alberto Ndele (UNITA)
-
Ministro do Interior......................... Ngola Kabangu (FNLA)
-
Ministro da Informação................... Manuel Rui Monteiro (M)
-
Ministro do Trabalho....................... António Dembo (UNITA)
-
Ministro da Economia...................... Vasco V. de Almeida (P)
-
Ministro dos Transportes................. Joaquim Albino da Cunha (P)
-
Ministro
das O. Públicas e Habitação.
Manuel R.de
Oliveira(P)
-
Ministro da Agricultura................... Mateus Neto (FNLA)
-
Ministro do P. e Finanças..................... Avelino Sayidi Mingas(M)
-
Ministro
da Saúde e Sociais............
Samuel
F.Abrigada(FNLA)
-
Ministro da Educação...................... Jerónimo Wanga(UNITA)
-
Ministro dos Recursos Naturais....... Jeremias Chitunda(UNITA)
-
Ministro da Justiça........................... Diógenes Boavida (MPLA)
Secretários de
Estado
- Interior
................................................. Henriques S.
”Onambwé(M)
-
Interior.................................................. João Vayekeni
(UNITA)
- Informação............................................
Hendrick Vaal Neto (FNLA)
- Informação............................................
Almerindo Jaka Jamba (UN)
- Comércio e Turismo.............................
Graça Tavares (FNLA)
- Indústria e
Pescas........................ Manuel T. Coelho(UNITA)
- Indústria e
Energia........................... Augusto Lopes
Teixeira (M)
- Trabalho............................................
Jacob Isaac (FNLA)
- Trabalho............................................
David Aires
Machado (M)
VII. A FNLA E A GUERRA CIVIL
ANGOLA
Neste capítulo procuraremos
tão somente esclarecer e repor a verdade histórica, porquanto se tem
deformado a verdade quanto à retirada da FNLA da guerra civil, que eclodiu
no país após o fracasso do Governo de Transição, em 1975.
Com efeito, a retirada da
FNLA da guerra civil, resultou de uma decisão reflectida e soberana da
Direcção Política, após uma ampla consulta das Chefias Militares do
Exercito de Libertação Nacional de Angola (ELNA). Isso aconteceu em 1985,
pelas razões abaixo expostas:
1º o envolvimento de
potências europeias e americanas, e dos exércitos africanos da África do
Sul e do Zaire internacionalizou o conflito entre os três signatários do
Acordo do Alvor, com a agravante do Governo português colocar-se
ostensivamente ao lado do MPLA.
2º a mudança brusca da
estratégia da Administração Americana da época, criando grandes
desequilíbrios em termos logísticos entre os Exércitos dos Movimentos de
Libertação angolanos, a FNLA, o MPLA e a UNITA.
3º o elevado número de mortos
e a destruição maciça das infra-estruturas sócio-económicas e
administrativas, provocando a debandada das populações, sobretudo rurais,
atirando umas para zonas inóspitas no interior de Angola, e outras para o
exílio amargo.
4º a preservação do capital
histórico, político e moral da FNLA acumulado ao longo da luta de
libertação nacional contra o poder colonial português.
Estas foram, pois, as razões
fundamentais que motivaram a retirada da FNLA , em 1985, da sangrenta
guerra civil angolana, que só conheceu o seu termino em 4 de Abril de
2002, através da assinatura de um acordo definitivo de cessar-fogo, em ,
Luanda , capital de Angola.
VIII. O REGRESSO OFICIAL DA
FNLA À CENA POLÍTICA ANGOLANA
Com assinatura dos Acordos de
Bicesse, a 1 de Maio de 1991, entre os dois ex-beligerantes , o Governo do
MPLA e a UNITA, estavam minimamente criadas as condições de liberdade para
uma actuação política da FNLA e de outras forças políticas emergentes.
Assim, em 31 de Agosto de
1991, à cabeça de uma importante delegação do Partido, integrando
Dirigentes históricos, Antigos Combatentes, destacados Dirigentes da CNF e
da JFNLA, Álvaro Holden Roberto regressou oficialmente à Angola.
Logo após a sua instalação
oficial em Angola, a FNLA empreendeu um conjunto de actividades com vista
a reestruturar e reimplantar o Partido em todo o território nacional. É
neste espirito que é realizada, em Junho de 1992, no Museu de História
Natural, em Luanda, a Primeira Conferência Nacional( prevista e permitida
pelos Estatutos) da FNLA em território angolano, na impossibilidade de
realizar um Congresso em conformidade com as normas estatutárias.
Durante a Conferência, o
Irmão Álvaro Holden Roberto foi reeleito Presidente da FNLA, e o Partido
dotou-se de uma nova Direcção, tendo-se em consequência constituído um
Secretariado Permanente do Bureau Político dirigido pelo Irmão Ngola
Kabangu, na qualidade de Secretário Permanente.
Dotada de uma nova Direcção
Política, a FNLA procurou, não obstante a escassez de meios financeiros e
materiais, estender as suas actividades à todo o território nacional, em
previsão das famosas eleições de 1992.
Por conseguinte, não dispondo
dos meios devidos e tendo sido duramente penalizada pela fraude geral que
ocorreu, a FNLA só conseguiu eleger 5 Deputados, tendo igualmente ocupado
um lugar de Vice-Ministro da Saúde no primeiro GURN(Governo de Unidade e
de Reconciliação Nacional).
O prolongamento
da guerra não permitiu, como mandam os Estatutos, a realização do II
Congresso do Partido.
Este órgão máximo só se reuniu, nos moldes previstos pelos Estatutos, de
15 a 18 de Maio de 2000, no Cine São Paulo, em Luanda. Durante essa
reunião magna do Partido, o Irmão Álvaro Holden Roberto foi reeleito
Presidente da FNLA, tendo sido igualmente mudada a designação de
Secretário Permanente,para a de Secretário Geral.
Para assumir
esta função foi designado o Irmão Ngola Kabangu, dirigindo por conseguinte
o Secretariado Geral do Partido.
A posição política assumida
pelo nosso Partido durante a devastadora guerra civil opôs-nos
frontalmente às teses do Governo do MPLA, que defendia a tese de fazer a
guerra para acabar com a guerra. Resultado dessa confrontação, foi o
aparecimento de algumas vozes discordantes no seio do Partido, o que
rapidamente foi apelidado de “corrente reformista” da FNLA, e que
beneficiava do apoio político, financeiro e mediático do regime.
Norteada, como sempre, pelo
espirito de abertura e de diálogo, a Direcção da FNLA encorajou o
Presidente Álvaro Holden Roberto a constituir uma COMISSÃO DE
RECONCILIAÇÃO DA GRANDE FAMILIA FNLA.
No ardor dos esforços de
reconciliação interna, o Partido realizou o seu III Congresso, que se
dominou de Congresso de RECONCILIAÇÃO E DE FRATERNIZAÇÃO.
Com efeito, foi constituída,
ouvido o Bureau Político, através de um Despacho do Presidente do Partido
uma Comissão Preparatória subdividida em 10 Sub-Comissões. Com base no
espirito de Reconciliação da Grande Família FNLA, criaram-se disposições
para que os nossos Irmãos que se afastaram do Partido por razões de vária
ordem, participassem plena activamente na preparação do III Congresso
marcado para os dias 13, 14 e 15 de Maio de 2004, com base na decisão da
VII Reunião Ordinária do Comité Central, realizada de 1 a 2 de Março de
2004.
Esse Congresso, deveria
permitir a FNLA preparar com serenidade as próximas Eleições Gerais, com
a esperança de conquistar uma posição digna e de destaque na futura
Assembleia Nacional.
Com efeito, esse Congresso de
Reconciliação tão almejado pelos Militantes, Simpatizantes e Amigos da
Grande Família, e pela sociedade foi realizado em Luanada, de 18 a 22 de
Outubro de 2004, tendo o Irmão Álvaro Holden Roberto sido reeleito
Presidente, e os Irmãos Lucas Mbengui Ngonda e Ngola Kabangu eleitos
respectivamente 1º e 2º Vice-Presidentes do Partido.
Neste momento, a FNLA prepara
o seu Congresso Extraordinário para a eleição de uma nova liderança e a
renovação de mandatos, priorizando sobretudo os quadros jovens e as
mulheres, e isso com vista a preparação do Partido para a participação nas
próximas eleições gerais marcadas para 2008, as legislativas, e 2009 para
as presidenciais.
Eis, em resumo a história
deste grande Partido Político, que é a FNLA, e as suas perspectivas para
os anos vindouros que se consubstanciam na adequação da sua estratégia
política, na democratização interna, na restruturação e na renovação dos
seus quadros Dirigentes à todos os níveis.
GABINETE DO 2º
VICE-PRESIDENTE DA FNLA, em Luanda, aos 15 de Janeiro de 2007.-
O 2º VICE-PRESIDENTE
NGOLA KABANGU