UM JUSTO E MERECIDO RECONHECIMENTO 

Decorridos 46 anos desde que os patriotas angolanos se levantaram como um só homem, contra o hediondo regime colonial, a unanimidade em torno do papel preponderante desempenhado pelo Venerando Cónego Manuel Joaquim Mendes das Neves na Revolta Patriótica de 4 de Fevereiro de 1961, em Luanda, torna-se cada vez mais uma realidade. Vozes de todos os quadrantes políticos, culturais, e de eminentes historiadores e intelectuais se levantam para cobrar à Nação o justo e merecido reconhecimento do valioso contributo desse grande e destemido patriota à gesta da libertação da Mãe Pátria, Angola. 

A história da Luta de Libertação Nacional, passando por todas as grandes Revoltas Patróticas, parece agora desenhar-se com mais serenidade, isenção, honestidade e rigor intelectual. Das mais diversas fontes históricas surgem testemunhos que, quando cruzados e minuciosamente verificados, levam-nos a uma única e incontornável conclusão: o Herói Nacional, Cónego Manuel Joaquim Mendes das Neves emprestou sobremaneira a sua sabedoria, a sua coragem e a sua determinação a todo o processo da Luta de Libertação Nacional, iniciando pela luta política clandestina onde ele se destacou na criação e liderança das primeiras células clandestinas da histórica e gloriosa União das Populações de Angola - UPA –. Mas, Cónego Manuel Joaquim Mendes das Neves foi mais longe. Ele foi indiscutivelmente o “pivot” nacionalista da Liga Nacional Africana, outro berço do nacionalismo angolano que agrupava intelectuais, funcionários, homens de vários ofícios, unidos em torno de um mesmo e único objectivo: A LIBERDADE E A INDEPENDÊNCIA DE ANGOLA. 

É sobre este grande patriota que decidi escrever com toda a isenção, honestidade e rigor intelectual. Ao fazê-lo, quero não só render uma justa e merecida homenagem ao Homem do 4 Fevereiro de 1961, mas também e sobretudo à todos aqueles que, independentemente da sua filiação política na altura deram, uns as suas vidas, outros mirraram nos humidos e mal cheirosos calaboços da sinistra PIDE. 

Ao celebrarmos mais um aniversário da Revolta Patriótioca do 4 de Fevereiro de 1961 deveriamos todos envidar os maiores esforços no sentido de transcendermos tudo o que nos divide em torno da paternidade desse grande feito histórico do Povo Angolano, e priorizar o que nos une em torno de objectivos mais nobres dentre os quais, não tenho dúvida, se destacam a realização da Reconciliação Nacional e a Reconstrução do nosso belo e promissor país. 

No que me diz respeito, transformarei esse quadragésimo sexto aniversário da Revolta Patriótica do 4 de Fevereiro em jornada de profundo recolhimento, inclinando-me com o devido respeito perante a memória de todos aqueles que tombaram durante a Luta de Libertação Nacional, e rendendo, como é óbvio, uma merecida homenagem aos nossos Heróis vivos, às viúvas e aos órfãos. 

Esta deve ser a postura de todo o verdadeiro patriota, porque o momento é de concórdia e unidade nacional, porquanto as tarefas nacionais mais transcendentes  esperam e exigem o contributo de todos nós. Este é o momento de pensarmos profundamente em todos aqueles heróis anónimos mortos e vivos, que devem ser enaltecidos e homenageados. È o momento de pensarmos em Angola de Cabinda ao Cunene; em suma, é o momnento de pensarmos sobre o caminho percorrido desde 1961, e o que temos por percorrer para fazer de Angola uma verdadeira Nação com todas as suas diferenças culturais. 

Assim, para imortalizá-los a todos, sugiro que se erga, no sítio mais apropriado e de consenso nacional, um MONUMENTO DOS COMBATENTES DA LUTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL. Este acto seria, em minha humilde opinião, o maior e o melhor reconhecimento da bravura e da entrega demonstrada por todos aqueles que tombaram e se sacrificaram para que Angola se tornasse livre, independente e soberana. 

OS PATRIOTAS NÃO MORREM, DESCANSAM ! 

NGOLA KABANGU

(Patriota)