DECLARAÇÃO
4 de
Fevereiro de 1961, 4 de Fevereiro de 2008, são passados 47 anos, desde que
os patriotas angolanos atacaram as cadeias da PIDE no intuito de libertar
os presos que seriam transferidos de Angola para o exterior, precisamente
para Cabo Verde.
Foi numa sexta feira decisiva,
quando o Cónego Manuel Joaquim Mendes das Neves, que era Vigário geral da
Arquidiocese de Luanda da Igreja Católica, deu ordem de ataque ao
Comandante Neves Bendinha e companheiros para impedirem a transferência
dos presos políticos encarcerados nas cadeias de Luanda e libertá-los.
O mentor principal do 4 de
Fevereiro com o código “MAKARIUS”, o Cónego Manuel das Neves, filho de
Golungo Alto (Kwanza Norte) foi deportado para Portugal em 22 de Março de
1961, onde foi vítima de torturas que acabaram por lhe tirar a vida aos 11
de Dezembro de 1966.
O Cónego foi um dos principais
percursores da luta de libertação nacional, porque as suas cartas enviadas
a Leopoldville eram claras e convincentes, comoveram e levaram toda a
Direcção da UPA a catapultar acções profundas e envolver-se seriamente na
luta anti-colonial, pelo que seria o primeiro a ser condecorado a título
póstumo, Herói Nacional.
Ao celebrarmos mais um
aniversário da revolta patriótica do 4 de Fevereiro de 1961, deveríamos
todos envidar os maiores esforços no sentido de transcendermos tudo o que
nos divide em torno da paternidade desse grande feito histórico do povo
angolano, e priorizar o que nos une em prol dos objectivos mais nobres,
dentre os quais, não temos dúvidas, se destacam a realização da
Reconciliação Nacional e a Reconstrução do nosso belo e promissor País.
No que nos diz respeito,
transformaremos esse quadragésimo sétimo aniversário da revolta patriótica
do 4 de Fevereiro em jornada de profundo recolhimento, inclinando-nos com
o devido respeito perante a memória de todos aqueles que tombaram durante
a luta de libertação nacional, e rendendo, como é óbvio uma merecida
homenagem aos nossos heróis vivos, as viúvas e aos órfãos.
Esta deve ser a postura de todo
o verdadeiro patriota, porque o momento é de concórdia e unidade nacional,
porquanto as tarefas nacionais mais transcendentes esperam e exigem o
contributo de todos nós. Este é o momento de pensarmos profundamente em
todos aqueles heróis anónimos mortos e vivos, que devem ser enaltecidos e
homenageados.
A Comissão Política Permanente
inclina-se perante a memória dos nacionalistas do 4 de Fevereiro e
aproveita para render uma sublime homenagem aos filhos de Angola,
Pátria-Mãe, que deram as suas vidas nesse dia para que o mundo tomasse
conhecimento das reivindicaçõs dos Angolanos.
Glória aos heróis de 4 de
Fevereiro.
Os heróis não morrem, mas
descansam.
LIBERDADE E TERRA
Luanda, aos 2 de Fevereiro de
2008
A COMISSÃO POLÍTICA PERMANENTE