DECLARAÇÃO
DA COMISSÃO POLÍTICA PERMANENTE
ALUSIVA A CELEBRAÇÃO DO
QUADRAGÉSIMO SÉTIMO ANIVERSÁRIO
DO INÍCIO DA LUTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL
Dentro de dias, os Angolanos, de Cabinda ao Cunene,
celebrarão o quadragésimo sétimo aniversário do início da Luta de
Libertação Nacional, com os olhos fitos nas próximas eleições
legislativas, que esperamos possam consolidar a liberdade, a justiça
social e a democracia pluripartidária, pelas quais os patriotas angolanos
se bateram durante catorze anos contra o hediondo colonialismo português.
Temos, pois, razões mais que suficientes para celebrarmos
juntos e irmanados, mais este aniversário da nossa gloriosa luta pela
independência.
A celebração do quadragésimo sétimo aniversário do início
da Luta de Libertação Nacional será marcada pela ausência de um dos seus
mais dignos e emblemáticos obreiros, o malogrado Timoneiro da UPA/FNLA,
ÁLVARO HOLDEN ROBERTO, aliás YEMBE.
É, pois, também pensando profundamente em todos aqueles
que deram suas vidas pelo resgate do solo pátrio que celebraremos o
quadragésimo sétimo aniversário do início da Luta de Libertação Nacional.
No tocante à situação geral do País, passados trinta e
dois anos desde a proclamação da independência, ainda são gritantes os
desequilíbrios sociais, vivendo a grande maioria dos Angolanos numa
situação de miséria inaceitável.
A violação dos direitos fundamentais muito denunciada e
condenada nos meios de comunicação social, continua uma prática
permanente, mergulhando os Angolanos, sobretudo no interior do País, numa
situação de total insegurança.
Quanto ao processo de Reconciliação Nacional, poucos
esforços são feitos no sentido de se criarem condições básicas para uma sã
e tolerante convivência entre os Angolanos. Ainda há muita intolerância em
todo o espaço nacional.
Urge, pois, corrigir todas essas situações inaceitáveis
para que os esforços consentidos pelos patriotas angolanos possam ser
valorizados e dignificados.
Batemo-nos por Angola livre, de justiça social e
democrática. Com a aproximação das eleições legislativas, os Angolanos
devem sentir-se em segurança em todo o espaço nacional para poderem
participar efectiva e activamente no processo preparatório, porque a
democracia pluripartidária foi um dos objectivos fundamentais do 15 de
Março de 1961.
Lutamos para libertar a Terra e pela Liberdade. É, pois,
justo que vivamos livres na Terra que libertamos, consentindo
incomensuráveis sacrifícios.
Voltando à situação socio-económica em que vivem os
Angolanos em geral, chamamos a especial atenção do Governo angolano para a
degradante situação em que vivem os Antigos Combatentes em geral e suas
famílias. Há necessidade imperiosa de se corrigir essa situação para que
esses patriotas que tanto se sacrificaram pela libertação de Angola se
sintam dignificados. Isto chama-se justiça social.
Quanto aos que tombaram no campo da honra, pedimos que
sejam não só lembrados, mas também e sobretudo dignificados e
homenageados. Esta é a maneira como o Governo deve reconhecer todos
aqueles que morreram por Angola.
É neste espírito que saudamos a iniciativa, tomada por Sua
Excelência o Presidente da República, de criar uma comissão para a
identificação das figuras históricas de Angola e o seu consequente
tratamento que, pensamos, culminará com o reconhecimento do estatuto
daqueles que efectivamente deram o melhor de si para o engrandecimento da
Nação em todos os sectores.
Finalmente, apelamos a todos os Angolanos, de Cabinda ao
Cunene, para que transformemos o 47º aniversário do início da Luta de
Libertação Nacional em mais uma jornada de luta pela consolidação da Paz,
da Reconciliação Nacional e da Democracia nascente em todo o território
nacional.
TODOS POR UMA ANGOLA!
UMA ANGOLA PARA TODOS!
LIBERDADE E TERRA!
A COMISSÃO POLÍTICA PERMANENTE