DISCURSO DO PRESIDENTE DA FNLA,

IRMÃO NGOLA KABANGU,

POR OCASIÃO DA CERIMÓNIA DE

APRESENTAÇÃO DE CUMPRIMENTOS DE FIM DE ANO,

NO CINE SÃO DOMINGOS,

DIA 29 DE DEZEMBRO DE 2007.

Irmão Vice-Presidente,

Irmão Secretário Geral,

Irmãos Membros do Conselho Político Nacional e da Comissão Política Permanente,

Caros Militantes, Simpatizantes e Amigos da Grande Família FNLA, 

Permitam-me, antes de tudo, saudar-vos e agradecer a vossa sempre encorajadora presença. Penso que todos tenham passado um NATAL FELIZ, em família, com paz e saúde. 

O ano de 2007 abeira-se do seu término, carregando consigo várias etapas, umas mais difíceis do que as outras. No quadro das dificeis e dolorosas, registamos o passamento físico do Inesquecível YEMBE, o nosso Líder Histórico Álvaro Holden Roberto. Das etapas felizes podemos, sem sombra de dúvida, destacar a realização do Congresso Extraordinário do nosso histórico e glorioso Partido. Esse evento foi o momento mais alto, em termos políticos, para a FNLA durante o ano que anuncia o seu fim. 

Com efeito, ao longo do ano 2007, apesar do seu estado de saúde, o nosso malogrado Timoneiro, Irmão Álvaro Holden Roberto, firmemente coadjuvado pela Direcção do Partido, levou a cabo várias batalhas para a consolidação da coesão e unidade internas do Partido. Não obstante as investidas de vária ordem, o nosso edifício, a imortal FNLA, mantém-se de pé  e firme. Isso constitui  para a grande Família FNLA motivo de orgulho militante e patriótico. 

O Congresso Extraordinário elegeu um Presidente e dotou o Partido de uma nova Direcção. Foram igualmente definidas as principais linhas de força das tarefas do Partido para o ano de 2008, e devemos convir todos que a mais importante de todas elas, é indiscutivelmente a realização das próximas eleições legislativas e presidenciais. 

Assim, o Partido, da base ao topo, deve empenhar-se na implementação do processo de restruturação e redinamização das nossas actividades em todo o espaço nacional, porquanto devemos afinar o nosso Partido para enfrentar o maior desafio político de 2008: a realização das eleições legislativas. 

Tal como afirmamos, nos nossos anteriores pronunciamentos, temos de alterar profundamente o figurino da Assembleia Nacional, conquistando um espaço que permita ao nosso Partido fazer parte, democraticamente, das decisões para a reconstrução de Angola em todos os domínios, político, social, económico e cultural. Como podeis, pois, constatar, as tarefas são imensas, o que requer não só organização mas também e sobretudo determinação. 

A FNLA congratula-se com a celeridade demonstrada pela CNE, ao transmitir o relatório requerido pelo Presidente da República,  facto que lhe permitiu definir, com exactidão, o horizonte temporal para a realização das eleições legislativas. 

Cabe agora à CNE esboçar as várias tarefas a serem cumpridas, como prelúdio da realização do acontecimento que todos os Angolanos almejam. 

Quanto à CIPE, deverá dar toda a sua colaboração no sentido de concluir as restantes tarefas relacionadas com o processo do registo eleitoral evitando, contudo, choques funcionais com a CNE. 

 Todavia, é desejo ardente da FNLA que as próximas eleições decorram num ambiente totalmente tranquilo e sereno. Para que tal aconteça,  os Partidos Políticos que têem militantes provocadores e amantes da violência, terão que encurtar a sua trela e mantê-los sob uma vigilância cerrada.  

É também, desejo da FNLA, que em nome da justiça e do direito, o Presidente da República, na sua qualidade de Chefe do Governo, não espere até ao mês de Setembro de 2008, para ordenar a libertação dos fundos da FNLA, porque isso significaria exclui-la, injusta e propositadamente, da corrida eleitoral a que todo o Angolano tem direito.  

Quanto ao clima de insegurança e de delinquência desenfreada que se vive praticamente em todo o país, o nosso apelo vai no sentido das autoridades competentes, Ministérios do Interior e da Justiça, bem como a Polícia Nacional, redobrarem de esforços não repressivos mas para garantir maior segurança às populações. A delinquência não se combate só, sobrepovoando as prisões, mas também aplicando medidas pedagógicas tais como criar ou reactivar Centros de Reabilitação e de Formação Profissional para os atraídos  pela delinquência. Em concreto, queremos dizer que não é matando de maneira indiscriminada  que se acabará com a delinquência. Devemos fundamentalmente atacar as grandes causas e não disperdiçar todo o nosso vigor e energias no combate às consequências. 

Concomitantemente, a situação social é explosiva, mas nem por isso as autoridades competentes devem perder a cabeça. Pelo contrário, devem reflectir sobre algumas soluções simples. Para tal, é necessário uma boa dose de patriotismo e um pouco de coragem, porque algumas soluções podem colidir com interesses egoístas. 

Tomemos um exemplo muito simples: a criação dos mercados, ou melhor, a reabilitação de alguns mercados. Todos sabemos que o grosso da população urbana activa está no mercado, quer formal como informal. Seria uma injustiça, que antes mesmo da inauguração de um determinado mercado reabilitado, se atribuam lugares a pessoas que nunca lá exerceram actividades, em detrimento daquelas que sempre tiveram o seu lugarzinho no mesmo local. Isso gera violência, porque as que não obtiverem lugares, irão “zungar”. A zungar, elas entrarão em choque com a Fiscalização e sabemos muito bem em que é que isso dá. A noite, para aquelas que nada venderam ou perderam as suas coisinhas, são muitas lamentações e lágrimas. 

Outro exemplo, simples: a criação de empregos. Todos sabemos que os delinquentes são, na sua grande maioria, jovens desocupados. Porque não se aproveitam esses jovens para as grandes obras em curso no país, em vez de nos envaidecermos com a importação desenfreada de mão de obra relativamente mais cara? Essa vaidade está a custar-nos muito sangue e muitas lágrimas. 

Dirão alguns que muitos desses jovens não são qualificados. A primeira tarefa seria de dar-lhes essa qualificação de maneira acelerada. A competência virá com o tempo. Mas quando não se pensa em Centros de Formação Profissional, de que já falamos, haverá sempre muitos delinquentes que, em virtude de não estarem ocupados, matarão ou morrerão para sobreviverem. E isso, é uma autêntica desgraça para o país. 

Este país não deve ser um sítio onde os que já têm quase tudo, são sempre os eternos beneficiados e os que quase ou nada têm, até o pouco que tiverem lhes é retirado. 

A FNLA é contra as injustiças, por isso chama a atenção dos que detêm uma parcela de autoridade neste país para que travem as injustiças.  

As injustiças geram violência e a FNLA já não quer violência em Angola, por isso apelamos para que se ponha termo às prisões arbitrárias de jornalistas e de activistas dos direitos cívicos, ao espancamento público e ao assassinato de pacatos vendedores ambulantes e de pacatas zungueiras que lutam pela sua sobrevivência e das suas famílias. Que se respeitem mais e rigorosamente os direitos fundamentais dos Angolanos.  

Neste ano que está a terminar, apelo a todos, a um empenho total nas actividades do nosso Partido, para que triunfem os ideais de Liberdade e Terra, na paz, com justiça e progresso. 

Termino desejando a cada um, Festas Felizes e um Ano Novo muito Próspero.  

FNLA OYE!

YEMBE OYE!

LIBERDADE E TERRA!

Muito obrigado