DISCURSO DO PRESIDENTE DA FNLA

IRMÃO NGOLA KABANGU

PROFERIDO DIANTE DO TÚMULO DO LÍDER HISTÓRICO

NO CEMITÉRIO KULUMBIMBI, NA CIDADE DE MBANZA KONGO

POR OCASIÃO DO SEU 85º ANIVERSÁRIO NATALÍCIO 

Caríssimos Militantes

Minhas Irmãs,

Meus Irmãos,  

Viemos prostrar-nos, diante do local em que repousa eternamente aquele que conduziu vitoriosamente a Luta de Libertação Nacional no nosso país, até à sua consecução. Chamava-se Álvaro Holden Roberto e viveu nesta terra que tanto amava, durante 84 anos, 6 meses e 21 dias e por cujos habitantes tanto se sacrificou até ao seu último sopro aos 2 de Agosto de 2007. Se vivesse até ao dia de hoje, completaria 85 anos. Mas o Homem propõe, Deus dispõe e a morte se entrepõe e indispõe. 

Álvaro Holden Roberto viveu uma vida muito movimentada. Atingiu essa bonita idade, de mais de oitenta anos, porque o Senhor estava com ele. Nós que vivíamos o seu dia a dia, não nos admiramos com isso porque, de facto, tudo quanto ele fazia ou dizia, confiava-o primeiro ao seu Deus. 

A sua agradável recordação, é uma fonte inesgotável de energias para cada um de nós, chamados a continuar a sua patriótica obra. Aqui, diante do seu túmulo, essa recordação é tão viva que quase a confundimos com uma presença real. É de facto uma presença íntima, suave, encorajadora e vivificante. Aliás, disse-o escrevendo ele próprio o seu poema, antes de voltar ao Pai. 

Queridas Irmãs,

Queridos Irmãos,  

O nosso Yembe deixou-nos uma tarefa grandiosa, que só pode ser feita por todos, porque é uma questão de unidade. O Yembe quis deixar-nos um Partido forte, unido e indivisível. A força deste Partido está em cada um de nós. Basta pensar que sou da FNLA, sacrifiquei-me para libertar este país, sou libertador, não importa como estou a viver, isso significa ter força. Quando são muitas pessoas a pensarem assim, isso significa unidade. Mas todas essas pessoas, que não se conhecem e pensam da mesma maneira é porque têm um ideal comum. E o ideal não se divide, nem se pode matar. É essa a nossa força, é isso que irrita os nossos adversários. 

O que é que acontece quando se empurra um animal contra uma parede? O animal, ao se sentir encurralado reage, muitas vezes violentamente. É o que fazem connosco há anos, sem resultado. Aproveitam-se desta nossa lógica de pacifismo, para nos provocarem de todas as formas. Mas nós, escravos da linha deixada pelo Yembe, não reagiremos violentamente mas reagiremos de maneira pacífica, civilizada, determinada e firme para provar que somos nós quem dá lições de democracia neste país. Somos nós quem dá lições de tolerância política, somos nós quem sempre mostrou o caminho certo a seguir: Acordos de Alvor, Acordos de Bicesse, pagamento aos Fiscais, etc., fomos sempre nós os indicadores do caminho certo mas mesmo assim, o agradecimento que recebemos é aquele que se dá ao cão que depois de caçar o animal, dá-se-lhe um osso e se tentar aproximar-se, leva uma paulada. Nós não admitiremos nem levaremos pauladas, porque somos cidadãos de um país que libertamos. 

Não interpretem essas palavras como sendo duras. É simplesmente a realidade. Como é que o Yembe viveu estes últimos anos? E como é que ele morreu? Vou dizer-vos uma coisa: um funcionário do Governo com o grau de director leva uma vida melhor da que o Yembe levava. É uma provocação. Os que nos colonizaram regressam a Angola e recebem as suas casas, mas a FNLA, nem já uma casota das que tinha nos muceques lhe devolvem. Funcionamos em casas alugadas, com constantes ameaças dos senhorios, porque não conseguimos ser regulares nos pagamentos das rendas de casa. Mas temos muito dinheiro nos Bancos do Estado, ao qual não temos acesso. 

Mas sabemos que tarde ou cedo, os nossos irmãos que decidem hoje no nosso País, acabarão por compreender que não adianta cometer tanta injustiça, porque isso é como criar abelhas dentro de casa. É um simples aviso. 

Vêm aí as eleições. É a hora de cada um sentir-se na sua terra e votar. Votar como dono da terra. O voto é secreto. Ninguém deve ter medo do voto. Muitos pensam que depois do voto é a guerra. Nada disso. Repito, depois das eleições não é a guerra. Os que pensam que se perderem vão fazer guerra, eles é que vão sofrer as consequências nessa guerra.  

Para a FNLA, depois das eleições, que ganhe o melhor e mais nada. Se houver fraudes, existem mecanismos para denunciá-las mas não deve haver nenhuma guerra. Quem é da FNLA que se sinta à vontade e junte-se ao Partido, para prepararmos serenamente as eleições, apesar das investidas de vária ordem, com a finalidade de nos afastarem da corrida eleitoral. Não admitiremos tamanha conspiração. Lutaremos contra ela política e democraticamente com todas as nossas energias, de Cabinda ao Cunene.  

Ninguém deve descansar até conseguirmos que o Angolano se sinta digno e livre. É por isso que lutamos. Sigamos o exemplo do Yembe que lutou até ao último dia da sua vida. Ele trabalhou no dia 2 de Agosto, dia da sua morte. 

Por isso, com o pensamento no Yembe, continuemos a lutar pelos nossos direitos que nos dão Liberdade na nossa própria Terra. 

YEMBE OYÉ!

YEMBE EH ! YEMBE AH!

FNLA OYÉ!

 ANGOLA !