PALESTRA DO IRMÃO NGOLA KABANGU,
PRESIDENTE DA FNLA,
SOBRE O SIGNIFICADO E O VALOR DA MENSAGEM
DA CAMPANHA ELEITORAL
PREÂMBULO
Numa campanha eleitoral que
visa a tomada do poder político, a mensagem eleitoral tem um significado
profundo e um valor inestimável, porquanto ela é não só o veículo que
conduz o Partido até aos eleitores, mas também e sobretudo, o ponto de
referência dos mesmos eleitores. A mensagem eleitoral deve, portanto, ser
cuidadosamente elaborada, ser clara a fim de atingir os objectivos
fixados pelo Partido: A MUDANÇA DEMOCRÁTICA, PARA QUE HAJA MAIS
LIBERDADE, JUSTIÇA SOCIAL E UMA VERDADEIRA DEMOCRACIA
PLURIPARTIDÁRIA EM ANGOLA.
Para além doutras mensagens
eleitorais que venham a ser elaboradas pela Comissão da Estratégia
Eleitoral, nós temos uma mensagem histórica. Ela é constituída de duas
palavras suficientemente conhecidas pelos Angolanos de Cabinda ao Cunene :
LIBERDADE E TERRA. Mas, é necessário associá-la aos reais problemas
que afligem as populações, portanto, os eleitores. A mensagem deve ter
um conteúdo político, social, económico e cultural claro e ser bem
direccionada, em suma, numa linguagem clara, precisa e directa.
Os transmissores da mensagem
eleitoral devem tomar consciência de que não se trata de um texto
filosófico, nem de um texto literário onde o estilo sobressai. Também não
se trata de uma dissertação onde a grande eloquência se destaca. Não.
Trata-se de transmitir uma mensagem informativa, de referência,
convincente, mobilizadora e congregadora.
Os estrategas da Campanha
Eleitoral do nosso Partido devem ter a preocupação de identificar os
“eleitores alvos”, conhecer as realidades do meio em que habitam e os
problemas com os quais se confrontam quotidianamente. Numa só palavra,
tanto os estrategas como os transmissores da mensagem eleitoral devem
ter um conhecimento profundo da situação política, social, económica e
cultural das localidades a serem “investidas” eleitoralmente. Devem
igualmente possuir uma informação profunda da influência e penetração
de outros Partidos Políticos, bem como os conteúdos das suas mensagens
eleitorais.
1.
COMO ELABORAR E DIFUNDIR A
MENSAGEM ELEITORAL?
A elaboração da mensagem
eleitoral deve assentar basicamente nos objectivos a que nos propusemos
atingir, e nos “alvos eleitorais”, mais precisamente os eleitores. Já o
dissemos mais acima, os objectivos devem ser claramente definidos bem como
os eleitores e suas preocupações quotidianas.
Com efeito, é preciso que
a mensagem seja redigida de uma maneira clara, precisa e concisa.
Deve-se evitar mensagens muito longas e confusas. Em função do
“alvo”, os eleitores, a mensagem pode ser redigida em português e em
línguas nacionais predominantes na localidade ou na região. Para tal,
é igualmente necessário recorrer à redactores em línguas nacionais com
uma certa experiência.
No tocante à forma de
difusão, a maneira mais eficiente é a verbal, discursos curtos e
precisos ou intervenções um pouco mais longas em comícios (evitar
sempre que possível textos escritos). Nos dois casos, deve-se
recorrer à bons oradores (com boa memória) e com boa presença física, e
gozando de boa reputação política, social e moral na localidade ou na
região. Deve-se evitar a presença de elementos duvidosos,
conflituosos e de conduta social e moral duvidosa.
Os transmissores da
mensagem eleitoral são sempre o espelho através do qual o Partido é
visualizado. Para
além de serem bons oradores, eles devem também e sobretudo ser
conhecedores da cultura e dos hábitos locais ou regionais, porque isto
cria vínculos e simpatias, e facilita a transmissão da mensagem
eleitoral.
2.
COMO ABORDAR E EXPLORAR OS
PROBLEMAS MAIS CANDENTES DAS LOCALIDADES OU REGIÕES PROGRAMADAS PARA A
TRANSMISSÃO DA MENSAGEM ELEITORAL?
Os estrategas eleitorais do
Partido devem instruir cuidadosamente os transmissores das mensagens
eleitorais no sentido de falarem mais sobre o que Partido pode fazer
para mudar a situação política, social, económica e cultural, evitando
sempre que possível de falar abertamente dos outros Partidos concorrentes,
sobretudo o Partido no poder, porque as populações já conhecem a
situação caótica em que vivem, e o que eles (Partidos Políticos) fizeram
para destruir Angola e mergulhar os Angolanos na miséria.
As populações, os
eleitores precisam é de conhecer melhor o Partido e o seu Projecto de
Sociedade, o Programa de Governo, e o que seremos capazes de fazer caso
ganhemos as eleições. È preciso, portanto, insistir na CAPACIDADE
DA FNLA MUDAR A SITUAÇÃO POLÍTICA, SOCIAL, ECONÓMICA E CULTURAL, COM A
APLICAÇÃO DO SEU PROJECTO DE SOCIEDADE, O PROGRAMA DE GOVERNO.
Um aspecto que é preciso
abordar com prudência e habilidade, é a CULTURA. A FNLA, não é contra a
existência de outras culturas em Angola. O importante é que se
respeite e se valorize a cultura básica angolana, que é essencialmente
Bantu. Nós somos, pois, pela coabitação de todas as culturas sem
excepção. Em Angola cabem todos aqueles que se reconhecem
profundamente como Angolanos e que devem ser iguais perante a Lei. Não
deve haver, portanto, Angolanos de primeira, de segunda e de terceira.
Todos nós, de Cabinda ao Cunene, somos Angolanos. Esta última
expressão também é uma mensagem histórica da FNLA, que deve ser
sempre lembrada e bem difundida, porque rompe as barreiras rácicas,
sociais e culturais, e aproxima os Angolanos.
Há ainda um outro aspecto que
é preciso cuidar e evitar de falar com muita frequência, salvo
quando for necessário esclarecer uma determinação situação vivida no
passado, é a longa guerra que devastou Angola e matou milhares de
Angolanos. As referências à guerra civil não devem ser misturadas
com a mensagem eleitoral, porque confundem os eleitores e cria receios de
uma nova guerra civil em Angola. Mesmo as referências à Luta de
Libertação Nacional devem ser cuidadosamente estudadas, porque nem todos
viveram os momentos mais altos da mesma. Portanto, muitos podem estar
simplesmente interessados no presente e no seu futuro. Aliás, temos de
partir do princípio de que nenhum Partido ganha as eleições só com os
seus Militantes. Todos têm necessidade imperiosa dos Simpatizantes e
dos Amigos que se revêem nos seus Programas de Governo ou Projectos de
Sociedade.
3.
A ESCOLHA DOS TRANSMISSORES
DE MENSAGENS ELEITORAIS
Como é sabido, o
eleitorado de qualquer localidade ou região, é sempre constituído
de vários extractos sociais e culturais. È preciso, portanto,
seleccionar os transmissores das mensagens eleitorais em função dos dados
acima referenciados. Eles podem ser militantes, simpatizantes ou amigos
bem cotados e que gozam de boa aceitação nas localidades ou regiões a
“investir” eleitoralmente. A recepção e o sucesso da mensagem eleitoral
dependem fundamentalmente da postura e da capacidade oratória do
transmissor, não olvidando evidentemente a utilização das línguas
nacionais lá onde for necessário como o dissemos mais acima.
4.
COMO ASSEGURAR A CONSOLIDAÇÃO
DA MENSAGEM DURANTE A CAMPANHA ELEITORAL NUM LOCAL OU NUMA REGIÃO?
A consolidação e a
memorização da mensagem eleitoral pelos eleitores, podem ser asseguradas
pelas estruturas locais do Partido ou ainda por activistas políticos
expressamente designados pelo Partido para esse fim. Eles, as
estruturas e os activistas políticos, têm por incumbência explicar em
detalhes e de maneira contínua a mensagem eleitoral aos eleitores das
localidades ou regiões seleccinadas até ao fim da campanha eleitoral.
Assim, os eleitores eles
próprios tornar-se-ão automaticamente os melhores “repercurtores” da
mensagem eleitoral junto dos seus familiares, amigos ou vizinhos, e
junto de eleitores de outras localidades ou regiões. Este sistema pode
ser denominado de “REPETIÇÃO”.
5.
COMO VERIFICAR A EFICIENCIA
DA RECEPÇÃO E A CONSOLIDAÇÃO DA MENSAGEM ELEITORAL
EM DETERMINADO LOCAL OU
REGIÃO?
Os estrategas eleitorais do
Partido devem elaborar um calendário de contactos (telefónicos ou outra
via) com os transmissores das mensagens eleitorais e com as estruturas
locais do Partido. É importante que o Partido tenha a certeza de que
determinados eleitores receberam bem ou não a mensagem, ou ainda se
ela aborda ou não em profundidade os problemas locais que afligem os
eleitores.
Por conseguinte, os
transmissores das mensagens eleitorais devem concentrar-se sobre o
essencial, que consiste em fazer conhecer melhor o Partido e as suas
mensagens eleitorais para a MUDANÇA DEMOCRÁTICA.
A mensagem eleitoral deve
englobar as questões referentes às mulheres, os jovens, os Antigos
Combatentes e às pessoas da terceira idade (idosos).
Os transmissores das mensagens eleitorais devem abordar com
propriedade (de maneira clara e se possível, com dados estatísticos)
os problemas que afligem os sectores acima referenciados e apontar as
soluções preconizadas pelo Partido no seu Projecto de Sociedade ou
Programa de Governo. Os eleitores devem ser devidamente elucidados
sobre as possibilidades da MELHORIA DAS SUAS CONDIÇÕES DE LIBERDADE E
DE VIDA (justiça, segurança, saúde, educação, habitação, alimentação ,
transporte, água potável e energia).
Para concluir, queremos
recapitular o seguinte:
a)
Pode-se atacar a gestão do Partido no poder sem mencionar o seu nome, para
evitar toda publicidade do mesmo. Basta insistir nas condições actuais
de vida das populações, e afirmar que a FNLA vai lutar política e
democraticamente para VENCER AS ELEIÇÕES E MUDAR A SITUAÇÃO, mas para tal
é necessário que as populações se empenhem nas campanhas eleitorais do
Partido e estejam determinadas a VOTAR PARA A MUDANÇA DEMOCRÁTICA.
b)
Deve-se insistir sobre a eliminação do MEDO no seio das populações, e
afirmar com convicção que VOTAR SIGNIFICA FAZER BOM USO DA SUA LIBERDADE E
DOS SEUS DIREITOS CONSTITUCIONAIS. É preciso dizer que os cidadãos
respeitam as leis e as autoridades mas não devem ter MEDO, porque são
homens livres que vivem na terra libertada pelos seus avós, pais, irmãs e
irmãos.
c)
Apelar para não ABSTENÇÃO DOS CIDADÃOS (não votar), e dizer que
esta atitude só beneficiará o Partido no poder e bloqueará a MUDANÇA
DEMOCRÁTICA. Todos os cidadãos possuidores de CARTÕES DE
ELEITOR devem votar para assegurar a sua LIBERDADE e melhorar as suas
condições sócio-económicas (justiça, segurança , saúde, educação,
habitação, alimentação , transportes, água potável e energia).
d)
Apelar para que todos os cidadãos CONSERVEM BEM O CARTÃO DE
ELEITOR, que é na realidade o SALVO-CONDUTO para a entrada na
Assembleia Voto onde estarão localizadas as URNAS (explicar bem o
que é uma Assembleia de Voto, e o que é uma URNA).
6. CONCLUSÃO
Numa só palavra, a
transmissão da mensagem eleitoral deve ser feita de maneira clara, com
vigor, precisão e com insistência. As mensagens eleitorais devem
conter o resumo do nosso Projecto de Sociedade e dos problemas vividos
pelas populações dos locais ou das regiões visadas.
Insistimos mais uma vez, a
mensagem eleitoral não deve ser longa e confusa. Ela deve ser bem redigida
em português ou em línguas nacionais, e transmitida por alguém com boa
postura, fluente e eloquente, mas sem vaidade nem gestos arrogantes e
prepotentes. NÃO NOS ESQUEÇAMOS DE QUE AS POPULAÇÕES ANGOLANAS
ESTÃO MUITO CARENTES DE RESPEITO, CONSIDERAÇÃO E DE CARINHO. É
PRECISO, PORTANTO, SABER DIRIGIR-SE A ELAS, PORQUE SÃO ELAS QUE VÃO
DETERMINAR A MUDANÇA DEMOCRÁTICA.
Há que ter em conta
igualmente o grau de frustração das populações por não conseguirem viver
em segurança e em plena liberdade, e por estarem privadas do mínimo para
SOBREVIVER. É preciso, portanto muito tacto e cautela para abordar
as populações e direccioná-las para a MENSAGEM DA ESPERANÇA E DA
MUDANÇA DEMOCRÁTICA.
Os nossos estrategas
eleitorais estão suficientemente advertidos sobre a maneira de conceberem
a estratégia e as mensagens eleitorais, e os transmissores das mesmas
sobre a maneira de transmití-las. O QUE RESTA AGORA É
PREPARARMO-NOS PARA O MOMENTO PRECISO.
É por isso, que convidamos
todos os presentes a seguirem com muita atenção as outras palestras que
seguirão, porque elas serão determinantes para a vossa formação como
AGENTES ELEITORAIS DA ESPERANÇA E DA MUDANÇA DEMOCRÁTICA.
Lembramo-vos mais uma vez,
que VOTAR SIGNIFICA MUDANÇA DEMOCRÁTICA, e NÃO VOTAR SIGNIFICA CONDENAÇÃO,
continuar com os
mesmos problemas de justiça, segurança, saúde, água potável, energia,
alimentação, transporte e habitação.
MUITO OBRIGADO PELA
ATENÇÃO QUE NOS DISPENSARAM.
LUANDA,
AOS 8 DE FEVEREIRO DE 2008