DISCURSO PROFERIDO PELO PRESIDENTE DA FNLA, IRMÃO NGOLA
KABANGU, NA ABERTURA DA REUNIÃO ORDINÁRIA DA COMISSÃO POLÍTICA PERMANENTE,
DIA 25 DE ABRIL DE 2008, NA SEDE DO PARTIDO
Irmãos Membros da Comissão Política
Permanente,
A reunião ordinária da Comissão
Política Permanente realiza-se num momento político muito sensível e
decisivo tanto para o nosso País como para o nosso Partido.
No tocante ao País, decorre em todo
o território nacional a actualização do Registo Eleitoral tão desejada por
todos nós mas, infelizmente, sem uma fiscalização rigorosa e seguida pelos
Partidos Políticos. Falando do nosso Partido, continuamos sem compreender
a não atribuição das verbas votadas pelo Conselho de Ministros sob
proposição da CIPE. Os nossos fiscais, embora determinados, disponíveis e
devidamente credenciados, estão impossibilitados de cumprir cabalmente com
a sua missão em todo o território nacional.
Por conseguinte, não compreendemos
nem aceitamos os reparos feitos pelo Vice-Ministro da Administração do
Território durante a Conferência realizada no Anfiteatro da Faculdade de
Direito, sobre a alegada ausência de fiscais dos Partidos Políticos da
Oposição. Pensamos, pois, que o Senhor Vice-Ministro deve questionar o
Ministério das Finanças sobre o não cumprimento das directivas do Conselho
de Ministros relacionadas com a atribuição das verbas (75.000 dólares) a
cada Partido Político participante da fiscalização do processo de
actualização do Registo Eleitoral.
No que nos toca, reiteramos o nosso
apelo para que os Partidos Políticos sejam dotados de verbas necessárias,
permitindo assim a sua presença, através dos seus fiscais, em todas as
Brigadas de Registo Eleitoral em todo o território nacional, o que
certamente conferirá alguma credibilidade ao processo.
Uma outra questão nacional que
também nos preocupa, é o desarmamento das populações, várias vezes
calendarizado, mas nunca cumprido com rigor e transparência. As
instituições vocacionadas apoiadas pelos Partidos Políticos, a Sociedade
Civil e as Igrejas devem assumir plenamente as suas responsabilidades,
criando todas as condições para que o processo de desarmamento não se
transforme numa batalha de rua entre elas e os que possuem ilegalmente
armas de guerra. É preciso, portanto, para além das operações puramente
policiais, dinamizar as campanhas de sensibilização e de informação
através dos órgãos de Comunicação Social, estatais e privados.
O nosso Partido, por sua parte,
reitera o seu veemente apelo para que todos os cidadãos possuidores
ilegalmente de armas de guerra as remetam pacificamente às autoridades.
Agindo assim, eles estarão a contribuir para a instauração de um
verdadeiro clima de tolerância e de estabilidade política e social em todo
os espaço nacional.
Quanto à situação interna do nosso
Partido, queremos reafirmar que a consolidação da coesão continua, sem
sombra de dúvida, a ser a maior preocupação da Direcção, sobretudo quando
se avizinha um dos maiores desafios do anos de 2008, as eleições
legislativas nas quais queremos participar com todo o nosso potencial
político em todo o território nacional.
Assim, todos os apelos e
contributos provenientes de certos Militantes no sentido de criarmos as
condições básicas para superarmos certas divergências de pontos de vista
que ainda existem no nosso seio, têm sido registados com a devida atenção
mas urge que se desfaçam certos equívocos que se constituem em obstáculos
a este desiderato.
É, pois, imperioso que, todos
reconheçamos que o quadro apropriado para superarmos as nossas
divergências de pontos de vista, é a Grande Família FNLA confirmada pelo
Congresso Extraordinário realizado de 5 a 9 de Novembro de 2007, no Cine
S. João, em Luanda. Agindo assim, estamos a dignificar as nossas próprias
instituições e a corresponder aos profundos anseios dos Militantes, Amigos
e Simpatizantes do nosso Partido.
Quanto à Direcção do Partido,
reiteramos a nossa disponibilidade e determinação de colocarmos acima de
tudo os interesses superiores da FNLA. Se realmente o desejo de todos nós
é a preparação do Partido para as eleições legislativas, metamos, pois, de
lado as nossas preferências e iniciemos sem mais tardar o diálogo directo,
franco e fraterno no seio da Grande Família FNLA.
Para a materialização desta
disposição, apelamos a todas as estruturas do Partido, da base ao topo, em
todo o território nacional para que nos empenhemos com afinco, confundindo
assim os que juraram a nossa morte política. Apelamos igualmente a todos
os Militantes, Simpatizantes e Amigos da Grande Família FNLA em todo o
território nacional e na Diáspora para que conjuguemos esforços no sentido
de assegurarmos a participação do nosso Partido nas próximas eleições
legislativas e presidenciais.
Pensamos assim estarem da parte da
Direcção do Partido, esclarecidas todas as dúvidas, se ainda existiam, e
definido o quadro do diálogo directo, fraterno, sincero e democrático.
Irmãos Membros da Comissão Política
Permanente,
Eis, em suma e de maneira clara e
inequívoca, a missão que nos espera na nossa qualidade de um dos órgãos
centrais do Partido. Cabe-nos em concreto, a responsabilidade de tratar
com diligência a preparação das condições estatutárias e técnicas para que
o Conselho Político Nacional assuma, por sua vez, as suas
responsabilidades, consolidando assim a preparação do Partido para a nossa
participação nas eleições legislativas que se avizinham.
Com estas palavras, declaro aberta
a reunião ordinária da Comissão Política Permanente.
MUITO OBRIGADO