FRENTE NACIONAL DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA
FNLA
A FNLA, DESDE A SUA FUNDAÇÃO AOS DIAS DE HOJE
I. A LUTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL E A NECESSIDADE DA CONSTITUIÇÃO DE UMA AMPLA FRENTE DE LUTA
Em 15 de Março de 1961, devidamente estruturada e organizada, a histórica e gloriosa UNIÃO DAS POPULAÇÕES DE ANGOLA - UPA - encabeçou a resistência nacional ao poder colonial, através de uma serie de acções militares coordenadas, numa vasta área do território angolano, que compreendia as actuais províncias do Zaire, Uige, Kuanza- Norte, Malange e Bengo, e cujas repercussões se fizeram sentir na capital e nas províncias do centro e do sul do País. Estava assim, dado o inicio da Luta de Libertação Nacional.
Todavia, a medida a que as acções militares se foram estendendo e a suscitar o apoio das forças amantes da liberdade e da justiça no mundo, também se fazia sentir a imperiosa necessidade de reunir as forças patrióticas numa ampla frente capaz de conduzir a luta em todo o território nacional e coordená-la nos domínios políticos, diplomáticos, económicos, sociais e culturais.
Após inúmeras diligências e esforços junto de outras Organizações políticas existentes na época , mais precisamente o Partido Democrático de Angola, liderado pelo patriota Emanuel Kunzika, e o MPLA liderado por Mário Pinto de Andrade, a Direcção da União das Populações chegou, finalmente, à um acordo com o primeiro Partido, formando-se assim, em 27 de Março de 1962, em Kinshasa, capital da actual República Democrática do Congo, a FRENTE NACIONAL DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA - FNLA - .
Contrariamente ao que afirmam os nossos detractores, a FRENTE NACIONAL DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA foi formada com base numa verdadeira plataforma política, o que muitos observadores políticos da época consideraram como sendo um acto de grande valor político para o desenvolvimento da luta de libertação nacional, e uma vitória dos nacionalistas angolanos.
Seria fastidioso, traçar aqui o historial dos dois Partidos Políticos que formaram a FNLA, aliás sobejamente conhecidos de todos nós, mas cumpre-nos o nobre dever de, em poucas palavras, situá-los no quadro da história contemporânea de Angola.
1. A União das Populações de Angola, UPA, foi criada em 28 de Novembro de 1958, em Léopoldville, tendo tido como antecessora a UPNA, ela própria formada a 7 de Julho de 1954, na vila portuária de Matadi (República Democrática do Congo) por um grupo de nacionalistas angolanos.
Apesar da "carga" da palavra norte de Angola, a UPNA não era um partido de natureza tribal ou étnica como muitos pretenderam afirmar. Na realidade, a palavra norte de Angola se referia já ao espaço geográfico e não etno-linguistíco. Foi precisamente essa disposição e o espirito de abertura que suscitaram rapidamente uma grande adesão de angolanos oriundos das mais diversas regiões de Angola. Citamos só como exemplo, o caso dos patriotas João da Cruz Chisseva Kaluteho, natural do Huambo e co-fundador da Juventude Cristã de Angola, João Baptista Traves Pereira, natural de Ongiva e primeiro Comandante Operacional da UPA, Abreu Kayaya, Castro Tadeu, Adão Kapilango, todos naturais do sul de Angola, e tanto outros patriotas que entraram em contacto com a Direcção da UPNA logo após a sua criação.
Todo trabalho de informação e de mobilização, em nome da UPNA, foi iniciado pelo falecido Manuel Barros Sidney Nekaka aquando da sua passagem por Luanda, em 1954, a pretexto de renovação do seu Bilhete de Identidade. Um outro nacionalista, que muito contribuiu para a divulgação e a expansão tanto da UPNA quanto da UPA, foi o inesquecível Manuel da Costa Kimpiololo vulgo Kimpió, membro e corista da Igreja Metodista de Luanda.
Os principais impulsionadores da criação da UPA foram fundamentalmente os nacionalistas Manuel Barros Siney Nekaka, John Eduardo Pinnock, André Rosário Neto Borralho Lulendo, J. António Vasco, Francisco Paka Nenganga, Frederico Deves, Garcia Albertino Luvukumuka, Francisco Tove, Pedro Vida Garcia, Pedro Santos, vulgo Sadi, António Gonçalves Menino, Manuel Bernardo Massobele, Garcia Diasiwa Roberto, Rocha Nefwani, Luís Da Costa (Jomo Kenyata), António Narciso Carson Nekaka, que também era conhecido por Mayingui, Mendes Mangwala, Cónego Manuel Joaquim Mendes das Neves, Castro Tadeu, Adão José Kapilango, José João Liyahuca, Fernando Pio do Amaral Gourgel, Mário Arsénio, Luisa Domingos Gaspar Gourgel , João Baptista Traves Pereira, Francisco Pianga, , Alexandre Claver Taty, Sebastião Lezi Roberto e Manuel da Costa Kimpiololo. Poderíamos citar muitos outros, mas como tencionamos prosseguir a nossa obra, com a publicação do MANUAL DA HISTÓRIA DA FNLA, ficamos por aqui.
2. O Partido Democrático Angolano, formado em 1961, teve como antecessores a ASSOUMUZO (Aliança dos Originários de Maquela do Zombo, fundada em 23 de Dezembro de 1956, em Léopoldville, e a ALIAZO (Aliança dos Mazombos, fundada em 1959). Esta duas associações desempenharam um papel importante na mobilização e enquadramento político dos angolanos residentes no Congo Belga, actualmente República Democrática do Congo.
Estiveram na base da formação do Partido Democrático de Angola (PDA), os nacionalistas André Massaki Ndomikolay, Emanuel Kunzika, David Livramentos, Ferdinand Ndombele, Sebastião Lubaki Ntemo, Domingos Vetokele, Sanda Martin, Simão Kumpesa e muitos outros valorosos nacionalistas.
A FNLA é, pois, fruto da fusão de dois partidos nacionalistas que estavam profundamente enraizados nas populações e com objectivos nacionalistas bem vincados e precisos, factores que aliás possibilitaram a constituição de uma ampla plataforma de luta política, militar e diplomática contra o pode colonial português.
Como afirmamos mais acima, a constituição da FNLA foi feita com base numa Convenção cujo conteúdo político não deixava nenhuma dúvida quanto às suas intenções. Essa convenção, elaborada em forma de Proclamação e de Constituição descrevia as razões profundas que impulsionaram os dirigentes da UPA e do PDA no processo de formação da FNLA.
Com base nessa convenção, as duas partes decidiram entre outras coisas, criar os órgãos de direcção da FNLA, que eram os seguintes:
1º O Conselho Nacional
2º A Comissão
3º O Comité Executivo
a) o Conselho Nacional era o órgão supremo da FNLA e tinha a incumbência de definir a política geral da frente ;
b) a Comissão, que foi criada no seio da Comissão Nacional, servia de intermediária entre o Conselho Nacional e o Comité Executivo, e tinha a missão de supervisionar este último órgão ;
c) o Comité Executivo era o órgão encarregue de aplicar as decisões do Conselho Nacional.
O Conselho Nacional, que era composto de dez membros de cada partido e de cinco representantes do embrião do futuro ELNA, era dirigido por um Presidente eleito. O primeiro Presidente do Conselho Nacional foi o patriota David Livramento , falecido em Kinshasa, em 1962. O passamento físico desse brilhante nacionalista constituiu uma perda irreparável para a FNLA. Para a sua substituição, foi eleito o Reverendo André Massaki Ndomikolay, escritor e historiador.
O Comité Executivo, composto de seis membros, três de cada partido, era dirigido por um Presidente, assistido de um Vice-Presidente, um Secretário Geral, um Secretário Geral Adjunto, Comissário às Contas e de um Tesoureiro.
Álvaro Holden Roberto e Emanuel Kunzika foram eleitos respectivamente Presidente e Vice-Presidente do Comité Executivo da FNLA, sendo portanto os dois dirigentes mais destacados da frente tanto no plano nacional quanto internacional.
Como já nos referimos mais acima, a FNLA foi constituída com base numa plataforma política assinada pelos principais dirigentes da UPA e do PDA, que foram denominados : Fundadores :
Assinaram pelo PDA:
- Emanuel Kunzuka, David Livramentos, Ndombele Ferdinand, Sebastião Lubaki Ntemo, Domingos Vetokele, Sanda Martin, Lulukilavo António Dontoni, Norberto Kiatulua, André Mvila e Simão Kumpesa
Assinaram pela UPA :
- Álvaro Holden Roberto, André Rosário Neto, Alexandre Claver Taty, Jonas Malheiro Savimbi, José João Liahuca, Johnny Eduardo Pinnock, John Eduardo Pinnock, J.António Vasco, Fernando Pio do Amaral Gourgel e Francisco Paka Nenganga.
Para uma melhor compreensão do espírito que presidiu a criação da FNLA, transcrevemos aqui de maneira fiel e integral a Convenção assinada pelo PDA e pela UPA:
II. FRENTE NACIONAL DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA
FNLA
CONVENÇÃO
Nós abaixo assinados, dirigentes da União das Populações de Angola - UPA - e do Partido Democrático de Angola - PDA - antigamente "Aliazo"(Aliança angolana dos originários do Zombo), reunidos em sessão extraordinária, em 27 de Março de 1962, adoptamos de comum acordo as medidas seguintes :
- considerando o estado de injustiça social, de mau tratamento físico , de humilhação no qual é mantido o Povo Angolano desde cinco séculos pelo colonialismo português ;
- considerando a atitude negativa do governo português em não reconhecer o direito do Povo Angolano à autodeterminação, à negociar a ascensão de Angola à independência nacional com as organizações nacionalistas angolanas, autênticas representantes das legitimas aspirações do Povo Angolano ;
- considerando a recusa contínua do governo português de meter em aplicação as recomendações contidas nas resoluções da Organização das Nações Unidas concernentes à Angola ;
- considerando o grau de evolução progressiva da luta armada levada a cabo pelo Povo Angolano e que caracteriza um verdadeiro estado de guerra na região norte do país ;
- considerando, em fim, a necessidade eminente de reunir todas as forças vivas do País numa Frente Nacional de Libertação capaz de conduzir a revolução e de obter os meios necessários para o prosseguimento da guerra e para a liquidação imediata do colonialismo português ;
Decidimos
" 1.unir as nossas forças numa única Frente Nacional de Libertação para acelerar a independência do país ;
2.reunir, numa Frente Nacional de Libertação de Angola, todas as organizações realmente representativas do Povo Angolano que aceitam a política geral da Frente .
Todavia, cada candidatura será objecto de um estudo aprofundado por uma comissão cujas prerrogativas são definidas no "Regulamento Interno" ;
3.orientar a luta pela independência nacional de Angola na base de uma colaboração fraternal entre todas as etnias de Angola, tendo em conta as regras democráticas e o respeito da integridade territorial do país ;
4.instalar numa Angola independente, um regime democrático que respeita as clausulas da "Declaração Universal dos Direitos do Homem ", que aplica a lei da reforma agraria baseada no principio da terra para os que a trabalham, a planificação económica, a industrialização do país, e que contribui à liquidação total do regime colonial sob todas suas formas no Continente Africano, para que a Unidade Africana seja uma realidade e uma força actuante ;
5.adoptar a política de não-alinhamento e de não- engajamento como principio de base da política externa do governo, reafirmando contudo a vontade desse governo de colaborar lealmente com todos os países prontos à respeitar a sua soberania e que se inspirarão dos princípios de igualdade de todas as raças e de todas as nações, grandes e pequenas, igualmente interessadas na manutenção da paz no mundo."
II. A NECESSIDADE DE UM APARELHO DIPLOMÁTICO E O NASCIMENTO DO GOVERNO REVOLUCIONÁRIO DE ANGOLA NO EXÍLIO -GRAE-
Da união entre a UPA e o PDA, celebrada em 27 de Março de 1962, nasceu pouco depois o que faltava a FNLA, um verdadeiro aparelho governamental com a incumbência de dirigir a luta nos domínios políticos, militares, diplomáticos, sociais e culturais.
Para colmatar esta lacuna foi, pois, constituído em Kinshasa, a 5 de Abril de 1962, o Governo Revolucionário de Angola no Exílio reconhecido pela OUA e por muitos países asiáticos do Bloco dos Não-Alinhados. O GRAE era presidido por Álvaro Holden Roberto (Primeiro Ministro), assistido por Emanuel Kunzika , na qualidade de Vice-Primeiro Ministro.
O GRAE era, na verdadeira acepção da palavra, um verdadeiro Governo cuja composição era a seguinte :
- Primeiro Ministro..................................... Álvaro Holden Roberto
- 1º Vice-Primeiro Ministro......................... Emanuel Kunzika
- 2º Vice-Primeiro Ministro......................... Cónego Manuel J.Mendes das Neves
- Ministro do Interior................................... John Eduardo Pinnock
- Ministro dos Negócios Estrangeiros........ Jonas Malheiro Savimbi
- Ministro da Guerra................................... Alexandre Claver Taty
- Ministro da Informação............................ André Rosário Neto
- Ministro das Finanças.............................. Emanuel Ziki
- Ministro dos Assuntos Sociais................. Ferdinand Ndombele
- Ministro da Educação............................... André MVila
SECRETÁRIOS DE ESTADO
- Secretário de Estado da Guerra............... Fernando Pio do Amaral Gourgel
- Secretário de E. N. Estrangeiros............ Johnny Eduardo Pinnock
- Secretário de E. N. Estrangeiros Adj. .. António Matumona
- Secretário de E. da Informação............... Domingos Vetokele
- Secretário de E. das Finanças.................. Ndombele Maurice.
A saúde e a assistência aos refugiados eram asseguradas pelos SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA AOS REFUGIADOS ANGOLANOS - SARA - , dirigidos pelo Dr. JOSÈ JOÃO LIAHUCA, destacado nacionalista angolano que iniciou os seus seus estudos de medicina em Portugal, e conclui-os na Universidade de Lovanium , em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo.
IV. A CONSTITUIÇÃO E A PROCLAMAÇÃO DO EXERCITO DE LIBERTAÇÃO NACIONAL DE ANGOLA - ELNA -
A estruturação da FNLA foi completada com a proclamação, em 26 de Agosto de 1962, do EXERCITO DE LIBERTAÇÃO NACIONAL DE ANGOLA - ELNA - braço armado da FNLA e cuja base Central se encontrava instalada em Kinkuzu , uma aldeia que dista 16 Kms de Kinshasa, capital da actual República do Congo Democrático, cedida pelo Governo congolês, dirigido pelo Primeiro Ministro Cyrille Adoula.
O primeiro Chefe do Estado Maior do ELNA, foi o Veterano JOSÉ KALUNDUNGU, natural do Bailundo, formado nos Maquis da "FLN-argelina", em 1962, em companhia de muitos outros.
VI. OS ESFORÇOS DA FNLA EM PROL DA UNIDADE DAS FORÇAS PATRIÓTICAS
Convém sublinhar, que a FNLA desde os primórdios da sua criação, declarou-se sempre aberta à outras formações políticas angolanas que pretendessem filiar-se nela, para em conjunto, levarem avante a árdua tarefa da libertação de Angola do jugo colonial português.
Um mês depois da chegada do falecido Dr. Agostinho Neto à Kinshasa, exactamente em 15 de Agosto de 1962, realizaram-se contactos oficiais entre as Direcções da FNLA e do MPLA. Infelizmente, e de uma maneira abrupta, os mesmos foram interrompidos por iniciativa do MPLA, através de uma carta assinada pelo falecido Dr. Agostinho Neto, destruindo assim todas as esperanças de acolher no seio da FNLA os irmãos do MPLA.
Contudo, sempre abertos à outras correntes do nacionalismo angolano, a Direcção da FNLA acolheu no seu seio com grande satisfação os patriotas Viriato da Cruz, Matias Migueis, José Miguel e muitos outros que haviam abandonado o MPLA por razões ideológicas.
A presença de Viriato da Cruz, Matias Migueis, de José Miguel e de seus seguidores, foi de curta duração, tendo os dois últimos perecido em Brazzaville em condições misteriosas. Desfalcado de seus dois companheiros, Viriato da Cruz acabaria por deixar a República Democrática do Congo, rumando para a República Popular da China onde viria a falecer anos mais tarde.
Apesar de todas essas dificuldades de entendimento, A FNLA correspondeu a um apelo da OUA no sentido de constituir com o MPLA, um Órgão Unificado para conduzir a Luta de Libertação contra o poder colonial português.
É assim, que a 13 de Dezembro de 1972, foi constituído o Conselho Supremo de Libertação de Angola - CSLA - . A presidência desse órgão unificado foi atribuída ao Irmão Álvaro Holden Roberto, e a Vice-Presidência ao Dr. Agostinho Neto.
Infelizmente, devido as crescentes divergências ideológicas, a unidade entre a FNLA e o MPLA também não se realizou dessa vez, para grande tristeza dos angolanos e da OUA que gostariam de ver as forças patrióticas angolanas reunidas numa ampla frente de luta.
Entretanto, a FNLA prosseguiu com determinação a luta contra o poder colonial português até à assinatura do Acordo de Cessação de Hostilidades, à bordo do Yate do Presidente Mobutu , em 11 de Julho de 1974, e três dias depois, exactamente em 14 de Julho, o Presidente Álvaro Holden Roberto, na sua qualidade de Comandante-em-Chefe do ELNA, decretou, em nome da FNLA, a Cessação das Hostilidades. Seguiram-se depois as Cimeiras de Mombaça (3, 4 e 5 de Janeiro de 1975) , e de Alvor de 15 a 21 de Janeiro de 1975.
Lembramos igualmente, que ao longo dos seus 41 anos de existência a FNLA sempre se bateu pelo triunfo dos nobre ideais de liberdade, paz e de justiça social para todos os angolanos sem excepção.
VII - AS ETAPAS CRUCIAS DOS CAMINHOS DA INDEPENDÊNCIA
O GOVERNO DE TRANSIÇÃO
Como resultado do Acordo do Alvor, foi empossado, em 31 Janeiro de 1975, o Governo de Transição com a seguinte composição :
* CÓLEGIO PRESIDENCIAL *
- Primeiro Ministro................................ Johnny Eduardo Pinnock (FNLA)
- Primeiro Ministro................................ Lopo Ferreira do Nascimento (MPLA)
- Primeiro Ministro............................ José Alberto Ndele (UNITA)
- Ministro do Interior......................... Ngola Kabangu (FNLA)
- Ministro da Informação................... Manuel Rui Alves Monteiro (MPLA)
- Ministro do Trabalho....................... António Dembo (UNITA)
- Ministro da Economia...................... Vasco Vieira de Almeida (Portugal)
- Ministro dos Transportes................. Joaquim Albino da Cunha (Portugal)
- Ministro das O. Públicas e Habitação. Manuel Resende de Oiliveira(Portugal)
- Ministro da Agricultura................... Mateus Neto (FNLA)
- Ministro do P. e Finanças..................... Avelino Sayidi Mingas(MPLA)
- Ministro da Saúde e Sociais............ Samuel F.Abrigada(FNLA)
- Ministro da Educação...................... Jerónimo Wanga
- Ministro dos Recursos Naturais....... Jeremias Chitunda
- Ministro da Justiça........................... Diógenes Boavida
Secretários de Estado
- Interior ................................................. Henriques Santos "Onambwe" (MPLA)
- Interior.................................................. João Vayekeni (UNITA)
- Informação............................................ Hendrick Vaal Neto (FNLA)
- Informação............................................ Almerindo Jaka Jamba (UNITA)
- Comércio e Turismo............................. Graça Tavares (FNLA)
- das Indústrias de Pescas........................ Manuel Teixeira Coelho (UNITA)
- da Indústria e Energia........................... Augusto Lopes Teixeira "Tutu" (MPLA)
- do Trabalho............................................ Jacob Isaac (FNLA)
- do Trabalho............................................ David Aires Machado Minerva (MPLA)
VIII. A FNLA E A GUERRA CIVIL ANGOLA
Neste capítulo procuraremos tão somente esclarecer e repor a verdade histórica, porquanto se tem deformado a verdade quanto à retirada da FNLA da guerra civil, que eclodiu no país após o fracasso do Governo de Transição, em 1975.
Com efeito, a retirada da FNLA da guerra civil, resultou de uma decisão reflectida e soberana da Direcção Política, após uma ampla consulta das Chefias Militares do Exercito de Libertação Nacional de Angola (ELNA). Isso aconteceu em 1985, pelas razões abaixo expostas:
1º o envolvimento de potências europeias e americanas, e dos exércitos africanos da África do Sul e do Zaire internacionalizou o conflito entre os três signatários do Acordo do Alvor, com a agravante do Governo português colocar-se ostensivamente ao lado do MPLA.
2º a mudança brusca da estratégia da Administração Americana da época, criando grandes desequilíbrios em termos logísticos entre os Exércitos dos Partidos Políticos Angolanos, a FNLA, o MPLA e a UNITA.
3º o elevado número de mortos e a destruição maciça das infra-estruturas sócio-económicas e administrativas, provocando a debandada das populações, sobretudo rurais, atirando umas para zonas inóspitas no interior de Angola, e outras para o exílio amargo.
4º a preservação do capital histórico, político e moral da FNLA acumulado ao longo da luta de libertação nacional contra o poder colonial português.
Estas foram, pois, as razões fundamentais que motivaram a retirada da FNLA , em 1985, da sangrenta guerra civil angolana, que só conheceu o seu termino em 14 de Abril de 2003, através da assinatura de um acordo definitivo de cessar-fogo, no Lucusse , província do Moxico.
IX. O REGRESSO OFICIAL DA FNLA NA CENA POLÍTICA ANGOLANA
Com assinatura dos Acordos de Bicesse, a 1 de Maio de 1991, entre os dois ex-beligerantes, o Governo do MPLA e a UNITA, estavam minimamente criadas as condições de liberdade para uma actuação política da FNLA e de outras forças políticas emergentes.
Assim, em 31 de Agosto de 1991, a cabeça de uma importante delegação do Partido, integrando Dirigentes históricos, Antigos Combatentes, destacados Dirigentes da CNF e da JFNLA, Álvaro Holden Roberto regressou oficialmente à Angola.
Logo após a sua instalação oficial em Angola, a FNLA empreendeu um conjunto de actividades com vista a reestruturar e reimplantar o Partido em todo o território nacional. É neste espirito que é realizada, em Junho de 1992, no Museu de História Natural, em Luanda, a Primeira Conferência Nacional( prevista e permitida pelos Estatutos) da FNLA em território angolano, na impossibilidade de realizar um Congresso em conformidade com as normas estatutárias.
Durante a Conferência, o Irmão Álvaro Holden Roberto foi reeleito Presidente da FNLA, e o Partido dotou-se de uma nova Direcção, tendo-se em consequência constituído um Secretariado Permanente do Bureau Político dirigido pelo Irmão Ngola Kabangu, na qualidade de Secretário Permanente.
Dotada de uma Direcção Política, a FNLA procurou, não obstante a escassez de meios financeiros e materiais, estender as suas actividades à todo o território nacional, em previsão das famosas eleições de 1992.
Por conseguinte, não dispondo dos meios devidos e duramente penalizada pela fraude geral que ocorreu, a FNLA só conseguiu eleger 5 Deputados, tendo igualmente ocupado um lugar de Vice-Ministro no primeiro GURN.
O prolongamento da guerra não permitiu, como mandam os Estatutos, a realização do II Congresso do Partido. Este órgão máximo só se reuniu, nos moldes previstos pelos Estatutos, de 15 a 18 de Maio de 2000, no Cine São Paulo, em Luanda. Durante essa reunião magna do Partido, o Irmão Álvaro Holden Roberto foi reeleito pelo Presidente da FNLA, tendo sido igualmente mudada a designação de Secretário Permanente, para a de Secretário Geral. Para assumir esta função foi designado o Irmão Ngola Kabangu, dirigindo por consequência o Secretariado Geral do Partido até aos dias de hoje.
A posição política assumida pelo nosso Partido durante a devastadora guerra civil opôs-nos frontalmente às teses do Governo do MPLA, que defendia a tese de fazer a guerra para acabar com a guerra. Resultado dessa confrontação, foi o aparecimento de algumas vozes discordantes no seio do Partido, o que rapidamente foi apelidado de corrente reformista da FNLA.
Norteada, como sempre, pelo espirito de abertura e de diálogo, a Direcção da FNLA encorajou o Presidente Álvaro Holden Roberto a constituir uma COMISSÃO DE RECONCILIAÇÃO DA GRANDE FAMILIA FNLA.
No ardor dos esforços de reconciliação interna, o Partido prepara a realização do seu III Congresso, que será dominado de Congresso de RECONCILIAÇÃO E DE FRATERNIZAÇÃO.
Esse Congresso, estamos em crer, permitirá a FNLA preparar com serenidade as próximas Eleições Gerais, com a esperança de conquistar uma posição digna e de destaque na futura Assembleia Nacional.
Eis, em resumo o historial deste grande Partido Político, que é a FNLA, e as suas perspectivas para os anos vindouros que se consubstanciam na adequação da sua estratégia política, na restruturação e na renovação dos seus quadros Dirigentes.
GABINETE DO SECRETÁRIO GERAL DA FNLA,
em Luanda, aos 14 de Março de 2003
O SECRETÁRIO GERAL
NGOLA KABANGU