A HISTÓRICA UNIÃO DAS POPULAÇÕES DE ANGOLA-UPA-

E AS TRES GLORIOSAS, 4 DE JANEIRO, 4 DE FEVEREIRO E
15 DE MARÇO DE 1961 - UM MODESTO CONTRIBUTO DA

FNLA À VERDADEIRA HISTÓRIA DE ANGOLA

 

Falar hoje destas três  históricas e gloriosas datas, sobretudo neste momento em que o nosso país enfrenta uma situação difícil e que ameaça a sua existência como Nação una e indivisível, pode parecer provocante e fastidioso para muitos, porquanto muito já se falou e se escreveu sobre estas datas. Contudo, é bom que saibamos todos que a história de um povo é viva e dinâmica, quer dizer que ela deve ser constantemente lembrada para que não se apague da memória colectiva do povo. Por outro lado, é igualmente importante repor a verdade, contando a história com rigor moral e honestidade intelectual.

Todavia, queremos assegurar-vos, à todos, que não nos impele nenhuma vontade de  polemicar, mas tão somente o dever patriótico de contribuir para que a Nação em geral, e os nossos militantes, simpatizantes e amigos, em particular, compreendam melhor a importância histórica de cada uma destas datas. Tal como na vida de uma pessoa, existem várias datas que marcam a vida de um povo e de uma Nação.

 

Assim, o processo de libertação de Angola foi marcado por várias datas e etapas todas elas históricas e importantes, mas não tenhamos dúvidas, que pela sua concepção, estruturação e organização, assim como pelo impacto e expansão  no território nacional, o 15 DE MARÇO DE 1961, é a data mais marcante do processo de libertação nacional. Foi o inicio de uma luta que durou 14 anos e que, evidentemente, culminou com a assinatura do célebre e histórico Acordo do Alvor entre o governo português e os três Movimentos de Libertação, a FNLA, o MPLA e a UNITA.

Mas comecemos por contar como foi concebida e organizada a REVOLTA PATRIÓTICA DA BAIXA DE KASSANJI, em 4 de Janeiro de 1961.

Como já o afirmamos anteriormente, as primeiras células organizadas da UPA foram instaladas em Angola, com destaque para as de Luanda e do Lobito, em princípios de 1958. Os grandes animadores das células de Luanda (a do Sambizanga e a do Rangel eram as mais activas) eram os patriotas Vítor de Carvalho, Pedro Benje, Domingos Mateta, Luís Alfredo Inglês, João César Correia, Neves Bendinha,  Silas Bernardo, Nobre Pereira Dias, Imperial Santana, Viegas Paulo, Zacarias António Amaro, Pedro Miguel Nzau, Herbert Pereira Inglês, Manuel da Costa (Kimpió) e outros, mas o malogrado Cónego Manuel Mendes das Neves era indiscutivelmente o Grande Coordenador.

A Célula do Sambizanga, pela sua importância estratégica, era encarregada de receber os emissários da UPA vindos de Léopoldville, sobretudo aqueles que tinham a incumbência de preparar, em termos militares, a acção de 4 de Fevereiro de 1961.

Na célula da UPA no Lobito, destacavam-se os patriotas Abreu Moisés Kayaya, Castro Tadeu (cunhado do malogrado Daniel Júlio Chipenda), Jorge Alicerces Valentim, Velho Chipenda, Adão João Kapilango e outros que tinham a incumbência de difundir a mensagem de liberdade da UPA no  Planalto Central (Benguela, Huambo e Bié).

Assim, a UPA que já estava solidamente instalada, através das células clandestinas em muitas regiões de Angola, aproveitou a expulsão de centenas de angolanos radicados no ex-Congo Belga pelas autoridades coloniais, em 1959, para intensificar o seu trabalho de consciencialização política. Muitos desses expulsos foram para a Baixa do Kassanji onde, em colaboração com os malogrados patriotas António Mariano e Teka dia Kinda, o valoroso Soba de Kassanji, impulsionaram essencialmente a mobilização dos camponeses afectos aos campos de algodão da COTONANG, firma luso-belga. Se a causa visível da revolta dos camponeses da Baixa de Kassanji eram os maus tratos infligidos aos mesmos e os baixos salários, é igualmente inegável que a exploração dos nativos, as reivindicações políticas, liberdade e independência, constituíram indiscutivelmente a pólvora para o levantamento histórico das heróicas populações da Baixa de Kassanji. Os camponeses aplicaram à letra as orientações dos activistas políticos da UPA: queimar as sementes, destruir as alfaias agrícolas, pontes, lojas, casas e outros bens dos colonos portugueses.

É, portanto, inegável que foi a histórica e gloriosa UNIÃO DAS POPULAÇÕES DE ANGOLA -UPA- a grande impulsionadora da REVOLTA PATRIÓTICA DA BAIXA DE KASSANJI que foi cega e barbaramente reprimida pelas forças coloniais portuguesas. Milhares de nossos compatriotas, sobretudo mulheres, crianças e velhos foram pulverizados pelas bombas assassinas da Força Aérea Colonial. À todos eles rendemos uma merecida e respeitosa homenagem.

E COMO FOI ENTÃO CONCEBIDO E ORGANIZADO O POLÉMICO 4 DE FEVEREIRO DE 1961...?

Evidentemente, começaremos pela acção de consciencialização política, que precedeu os preparativos da REVOLTA PATRIÓTICA DE 4 DE FEVEREIRO DE 1961. Em 1954, a pretexto de renovar o seu Bilhete de Identidade, o malogrado patriota MANUEL BARROS SIDNEY NEKAKA, desloca-se à Luanda, onde com a ajuda de seu professor e amigo, o  Reverendo Dr. James Russel, consegue encetar contactos com os patriotas Cónego Manuel Mendes das Neves, Vítor de Carvalho, Pedro Benje e Weba. Estava assim lançada a semente que daria origem à histórica e patriótica Revolta de 4 de Fevereiro de 1961.

Como sustento desta afirmação temos a intensificação da divulgação e distribuição de numerosos panfletos da UPA em Luanda, entre 1957 e 1959(esta afirmação foi confirmada pelo Dr. Edmundo Rocha, nacionalista angolano ligado ao MPLA desde os primórdios da sua fundação e ex-Presidente da Casa de Angola, em Portugal, durante uma conferência proferida em Lisboa, em 12 de Dezembro de 2000, na “Mesa Redonda sobre a História do MPLA, por ocasião das Comemorações do dito 44º aniversário da fundação do MPLA, promovida pelo Comité do MPLA em Portugal).

Contudo, é preciso sublinhar que a fase panfletária começou em princípios de 1955, precisamente quando começaram a surgir, ainda em forma bastante embrionária é verdade, as primeiras Células clandestinas da UPA- a UPNA, como já o afirmamos várias vezes, teve uma existência efémera

Assim, o trabalho político iniciado pelo valoroso patriota Manuel Barros Sidney Nekaka foi continuado com grande intensidade pelas Células clandestinas devidamente estruturadas e organizadas , sob a coordenação do HEROI NACIONAL, o Venerando Cónego Manuel das Neves. É assim, pois, que de 1958 a 4 de Fevereiro de 1961 as Células da UPA em Luanda desenvolveram um intenso trabalho político clandestino, consciencializando politicamente aqueles que seriam os principais autores da REVOLTA PATRIÓTICA de 4 Fevereiro de 1961.

Convém aqui sublinhar, que em toda essa acção política  destacaram-se três grandes patriotas, HERBERT PEREIRA INGLÊS e MANUEL DA COSTA KIMPIOLOLO, mais conhecido por KIMPiÓ( já falecidos), e    JOÃO CÉSAR CORREIA, ainda em vida e que tinha a delicada tarefa de assegurar a ligação entre o Venerando Cónego Manuel Mendes das Neves e a Direcção da UPA, mais precisamente com o inesquecível Papá Pinnock, Manuel Barros Sidney Nekaka e Álvaro Holden Roberto. Devido às suas múltiplas viagens Léopoldville-Luanda-Léopoldville, os mais velhos da UPA alcunharam-no de “MEKUIZA-MEKWENDA”, que traduzido literalmente em português, significa: VAI-E-VEM!

Ligada à acção patriótica do Valoroso João César Correia está ainda um facto muitas vezes omitido mesmo pelos historiadores mais avisados. Trata-se da prisão e da morte barbara pela sinistra PIDE, do destemido nacionalista COSTA NETO, interceptado no Uige quando se dirigia à Léopoldville, capital do ex-Congo Belga. Costa Neto era  portador do Relatório Geral do Venerando Cónego Manuel Mendes das Neves sobre os acontecimentos de 4 de Fevereiro e das represálias que se seguiram. Isso passou-se em Abril de 1961!

A PREPARAÇÃO MILITAR DA REVOLTA PATRIÓTICA DE 4 DE FEVEREIRO DE 1961

Como não podia deixar de ser e devido a vigilância dos agentes do poder colonial português, os instrutores militares vieram de Léopoldville, mas localmente também foram envidados consideráveis esforços por parte de patriotas que haviam pertencido ao exercito colonial português para a preparação militar dos grupos de acção. E  exactamente na madrugada de 4 de Fevereiro de 1961 patriotas angolanos, repartidos em pequenos grupos e  conduzidos pelos destemidos nacionalistas, dentre os quais Neves Bendinha, Imperial Santana, Herbert Pereira Inglês, Pedro Miguel Nzau, Almeida Paiva, Sotto Mayor e muitos outros, atacaram a Prisão de S. Paulo,  a Casa da Reclusão e a Esquadra da Polícia Móvel para libertarem os patriotas angolanos que aí se encontravam encarcerados por terem exigido a liberdade e a independência de Angola.  Foi uma acção relâmpago, mas suficiente para abalar as estruturas do poder colonial português. Essa acção patriótica de grande valor histórico  foi  coordenada localmente por aquele, que foi justamente denominado de “CEREBRO-MOTOR”, o Venerando Cónego Manuel Mendes das Neves.

Quanto à participação de outros patriotas, muitos deles sem filiação política na  altura, este facto é inegável. Foram numerosos os patriotas anónimos, que tomaram parte activa na REVOLTA PATRIÓTICA DE 4 DE FEVEREIRO DE 1961. E, se hoje o afirmamos uma vez mais, é para que fique bem claro que a  histórica e gloriosa UNIÃO DAS POPULAÇÕES DE ANGOLA-UPA- foi a única força política estruturada e organizada que impulsionou, em estreita colaboração com o malogrado Cónego Manuel Mendes das Neves, a REVOLTA PATRIÓTICA DE 4 DE FEVEREIRO DE 1961.   O resto, é pura especulação e mero exercício de propaganda, por isso encarregamo-lo aos historiadores íntegros e honestos para que o clarifiquem ao Povo Angolano e ao mundo !

Mais importante que a desnecessária polémica, que muitos pretendem alimentar em torno desta data histórica e gloriosa - o 4 de Fevereiro de 1961- do processo de libertação de Angola, é o preço elevado  pago pelas populações anónimas de Luanda. Com efeito, nos dias que se  seguiram, mais precisamente nos dias 5, 6, 7 e 8,  sobretudo depois do funeral dos policias coloniais portugueses, realizado no Cemitério da Santana, grupos de colonos armados organizaram uma verdadeira chacina nos musseques de Luanda. Milhares de angolanos, incluindo crianças e velhos foram friamente abatidos.  É, pois, perante a memória de todos eles que nos devemos inclinar hoje, independentemente das nossas bandeiras político-partidárias.

... E FINALMENTE, O HISTÓRICO E MONUMENTAL 15 DE MARÇO DE 1961, CONSIDERADO O 1º. DIA DO FIM DO IMPÉRIO PORTUGUÊS !

Como vimos mais acima, a semente política da UPA começou a ser espalhada em Angola nos princípios de 1954, e os primeiros frutos manifestaram-se pelas REVOLTAS PATRIÓTICAS DE 4 DE JANEIRO, na Baixa de Kassanji, e de 4 DE FEVEREIRO DE 1961, em Luanda. O trabalho político estava assim facilitado, e o povo suficientemente alertado sobre a necessidade de se desferir o golpe de misericórdia ao poder colonial português. Graças ao trabalho de consciencialização política desenvolvido pelos activistas políticos da UPA nas actuais províncias  do Zaire, Cabinda, Uige, Bengo, Luanda, Cuanza-Norte, Cuanza-Sul, Malange, Benguela, Huambo e Bié, centenas de militares angolanos do exercito colonial português desertaram e refugiaram-se no ex-Congo Belga. Esses patriotas foram reciclados e formados politicamente com a ajuda do grande estratega e panafricanista Franz-Fanon, e reentroduzidos em Angola, mais precisamente nas áreas escolhidas para as primeiras acções do histórico e glorioso 15 de Março de 1961. É assim, pois, que se explica que os efeitos desse inicio feliz da luta de libertação  fizeram-se sentir em muitas localidades das províncias do sul do pais, mais precisamente Cuanza-Sul, Benguela e Huambo(ver as afirmações do Engenheiro Socrates Dáskalos mencionadas no seu mais recente livro, “UM TESTEMUNHO PARA A HISTÓRIA DE ANGOLA- do huambo ao huambo).

Contrariamente ao que os detractores da histórica e gloriosa UPA e da FNLA afirmam,  o 15 de Março de 1961 não foi uma acção improvisada, incontrolada e fundamentalmente dirigida contra o homem branco. Foi uma acção bem concebida, estruturada e organizada como mais adiante veremos.

Para garantir o sucesso da operação foi necessário primeiro criar todas as condições para que nada transpirasse, dado que os esbirros da PIDE eram muitos activos tanto no ex-Congo Belga como em Angola. A Direcção da UPA elaborou, portanto, uma senha que se tornou famosa: “A FILHA DO SENHOR NOGUEIRA CASA-SE NO DIA 15 DE MARÇO DE 1961”.

Assegurado o sigilo da operação, os preparativos foram intensificados com a iniciação dos grupos militares ao manejo de armas automáticas e semi-automáticas, assegurada por contigentes tunisinos integrados nas forças das Nações Unidas estacionadas no ex-Congo Belga. Terminados os preparativos políticos e militares tanto no interior como exterior de Angola, foram traçadas as ÁREAS OPERACIONAIS e os seus principais Comandantes Operacionais.

I - PROVINCIA DO ZAIRE

-         Área Operacional Nº.1: De Cuimba à ex-cidade de Salvador: Ndongala Kufica

-         Área Operacional Nº.2: De Primavera à Kaluka: Delapante Samuel e Gonçalves

-         Área Operacional Nº.3: De Noqui ao Soyo: Pedro Mabwato

II - PROVINCIA DO UIGE

- Área Operacional Nº.4: Bembe e zonas anexas, aqui estava situado O COMANDO OPERACIONAL DE ANGOLA(COA) dirigido pelo destemido e inesquecível JOÃO BAPTISTA TRAVES PEREIRA, ex-Alferes do exercito colonial português, originário da província do Cunene, mais precisamente  de ex-FORTE ROÇADAS.

-         Área Operacional Nº.5: De Bembe à Lukunga: Pedro Nsingi

- Área Operacional Nº.6: De Toto à Bessa Monteiro: Tussamba Kwa Nzambi Ferraz e Lutero wa Nkana

-         Área Operacional Nº.7: De Toto à Songo: Manuel Cosmo Domingos

-         Área Operacional Nº.8: De Ambuila/Nova Caipemba à Quipedro, incluindo algumas zonas do Songo : José Mateus Lelo

-         Área Operacional Nº.9: Damba, Mukaba, Bungo, Sanza Pombo, Buengas, Quimbele e zonas anexas: David Bungo, Pedro Matanu e Pedro Mbunda Ngogoto

III - PROVINCIA DE LUANDA

-         Área Operacional Nº.10: Catete e zonas anexas: Paiva de Almeida

-         Área Operacional Nº.11: Ambriz, Zala e zonas anexas: Daniel Bengo e Avelino Nuni-ya-Nzambi

-         Área Operacional Nº.12:De Nambwangongo, Kikabo, Ucua, Caxito e zonas anexas: António Fernandes , Mpanzu –dia-Ngololo (Mpanzu da Glória) e Gonçalves Margoso Wafwakala

IV - PROVINCIA DO KWANZA-NORTE

-         Área Operacional Nº.13: De Quilombo dos Dembos, Banga, Quibaxe  à Bula-a-Tumba e zonas anexas: Jaime Weba

-    Área Operacional Nº.14: De  Camabatela, Bolongongo, Quiculungo e zonas anexas: Pedro Mbenza e Gomes Nhanga

Como podeis constatar, todas essas estruturas operacionais coordenadas pelo COMANDANTE OPERACIONAL, João Baptista Traves Pereira, permitiram logo no inicio da luta de libertação atingir as províncias de Cabinda, Zaire, Uige, Luanda, Bengo, Cuanza-Norte, Cuanza-Sul, Moxico, e as Lundas, desmentindo assim a falsa propaganda salazarista e dos mal intencionados, segundo a qual a acção do 15 de Março tinha um cunho tribal e se restringia  ao espaço etno-linguistico kikongo! Esta afirmação visava denegrir o intenso trabalho político realizado profundamente no interior de Angola pela histórica e gloriosa UNIÃO DAS POPULAÇÕES DE ANGOLA.

Em 15 de Março de 1961, os guerrilheiros da UPA destruíram uma série de Fazendas transformadas em Quartéis militares, instalações militares, da administração colonial, lojas, residências e outros bens de colonos que se destacaram na repressão  contra os  nativos. Durante 6 meses os guerrilheiros, sob a dinâmica coordenação de JOÃO BAPTISTA TRAVES PEREIRA, ex-Alferes do exercito colonial português, ocuparam uma área geográfica cuja extensão era  4 vezes maior do que Portugal.

Não se tratou nunca de uma guerra dirigida contra  civis portugueses nem contra assimilados e naturais do sul país, como muitos falsamente afirmaram. Antes pelo contrário, os irmãos naturais do sul constituíram os primeiros Comandantes locais que se destacaram nos combates contra os seus antigos opressores que estavam armados até aos dentes nas suas fazendas, que na realidade eram verdadeiros campos de concentração. Também falou-se de um pretenso massacre de irmãos mestiços, mas tudo isso tinha uma finalidade : opor os angolanos e dividi-los para melhor reinar, quer dizer continuar com a colonização de Angola.

Toda essa propaganda de difamação e de denegrimento do primeiro partido nacionalista angolano, a UNIÃO DAS POPULAÇÕES DE ANGOLA, justificava-se, porquanto o regime colonial português foi séria e profundamente abalado pela  acção do 15 de Março de 1961. Não foi em vão, que um articulista português descreveu esse grande e histórico dia como sendo o 1º. DIA DO FIM DO IMPÉRIO PORTUGUÊS (Revista Expresso Nº.1324 de 14 de Março de 1998)!

O 15 de Março de 1961 foi escolhido, seguindo os conselhos das populações das províncias nortenhas, geograficamente falando, que opinaram que sendo uma época de chuvas torrenciais, seria muito difícil ao exercito colonial português movimentar a sua tropa motorizada, o que daria largas vantagens aos guerrilheiros capazes de movimentarem-se nas densas matas e a pé, infligindo assim pesadas baixas ao inimigo.

E na manhã de 17 de Março de 1961, as rádios do mundo inteiro anunciaram com grande destaque os acontecimentos ocorridos em Angola. Todos afirmaram que os mesmos tinham sacudido Angola de Cabinda ao Cunene! A imprensa fascista fez eco, à sua maneira, pretendendo fazer crer que o exercito congolês de Lumumba invadira Angola. Só não conseguiram explicar como é que uma invasão estrangeira sacudiu toda Angola sem poupar nenhuma região, mesmo lá onde a guerra física não chegou nesse dia!

Assim, podemos resumir e concluir, que pela sua concepção, estruturação, organização  e expansão, bem como pelo impacto que ele causou em toda Angola e no exterior, o 15 de Março de 1961 é indiscutivelmente o inicio da luta de libertação nacional, portanto, uma data digna de figurar no calendário angolano como FERIADO NACIONAL. ESTA É A PETIÇÃO QUE OS VERDADEIROS PATRIOTAS ANGOLANOS DIRIGEM AOS DIGNISSIMOS DEPUTADOS DA ASSEMBLEIA NACIONAL.

 

HONRA E GLORIA AOS HEROIS DO 4 DE JANEIRO, 4 DE FEVEREIRO E DO 15 DE MARÇO DE 1961.

 

 

LIBERDADE E TERRA